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Cartel que operou na Repar teria atuado em outras áreas | Hugo Harada/ Gazeta do Povo
Cartel que operou na Repar teria atuado em outras áreas| Foto: Hugo Harada/ Gazeta do Povo

Captação de dinheiro

Ex-diretor teria trabalhado na pré-campanha do PT ao governo do Rio

Da Redação

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa teria trabalhado no início deste ano, antes de ser preso, como intermediário do senador Lindbergh Farias (PT) para captar recursos destinados à campanha do petista ao governo do Rio de Janeiro. A informação foi publicada na edição deste sábado do jornal Folha de S.Paulo. No depoimento que prestou na quarta-feira à Justiça Federal do Paraná, Costa disse que havia sido procurado por um ­pré-candidato ao governo para pedir doações de empresas a sua campanha. O ex-diretor, orientado a não citar nomes de pessoas com foro privilegiado, não relatou quem seria exatamente o político – essa parte da investigação está sendo conduzida pelo Supremo Tribunal Federal, que é responsável por apreciar casos envolvendo parlamentares. A Folha de S.Paulo, porém, afirma que se trata de Lindbergh – derrotado na eleição do último domingo. Procurada, a assessoria do senador admitiu que houve três reuniões da pré-campanha do petista com Costa. Mas o assunto tratado teria sido o programa de Lindbergh para a área de gás e petróleo e não a captação de doações eleitorais.

Em depoimento à Justiça Federal do Paraná na última quarta-feira, o ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que as empreiteiras que prestavam serviços para a estatal formaram um cartel para impedir a entrada de novos concorrentes e que, por isso, pagavam propinas de 3% dos contratos com a Petrobras a partidos da base governista (PT, PP e PMDB). Segundo ele, o cartel funcionou inclusive em obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na região metropolitana de Curitiba. O cartel, segundo Costa, também operava em outros empreendimentos públicos do país.

"A cartelização funcionava na Petrobras e fora da Petrobras", disse Costa no depoimento do processo resultante da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. "Funcionou, por exemplo, na Repar, em Angra dos Reis e nas hidrelétricas do Norte do país." O ex-diretor destacou que as empresas que atuam em contratos da Petrobras são as mesmas que atuam em obras de ferrovias, rodovias, aeroportos, portos, hidrelétricas, saneamento e habitação.

Segundo ele, as empreiteiras pagavam propina nas obras da Petrobras porque temiam represálias. Ou seja, ficar sem receber contratos em outras obras de outros ministérios ou estatais. "Se as empresas não pagassem as propinas na Petrobras, os partidos políticos não iriam ver isso com bons olhos", disse Costa. Ele não informou, porém, se as empresas pagaram propina em contratos de outras áreas. Frisou apenas que o cartel funcionava nas outras áreas.

Costa disse que tentou, sem sucesso, ampliar o número de empresas a serviço da Petrobras. "A Petrobras até tentou quebrar esse cartel. Mas, como eu já disse, o número de grandes empresas é de um grupo muito pequeno. Eu até tentei colocar empresas de menor porte nas obras, mas fui tachado de doido, de que eu iria quebrar a cara, porque algumas empresas não iriam dar conta."

Costa disse ainda que as grandes empreiteiras sabiam que o dinheiro da propina na Petrobras poderia servir para financiar campanhas políticas em 2010. Ele ainda afirmou que nunca alguma empresa do cartel se recusou a pagar propina. Procurado, o Palácio do Planalto informou que não comentaria o assunto.

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