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O trajeto de 25 quilômetros entre o Complexo Penal de Piraquara e a sede do Gaeco, em Curitiba, já foi cumprido algumas vezes nas últimas semanas pelo senhor Eduardo de Souza Lopes – claro que sob escolta policial. A informação, de fonte segura, é de que o dono da construtora Valor enfim sucumbiu às pressões familiares e decidiu fazer delação premiada. O Centro Cívico treme com o que ele, em longas sessões de depoimento, já pode ter revelado.

Para quem não se lembra: Eduardo é o dono da construtora Valor, aquela acusada de ter recebido cerca de R$ 30 milhões para construir e reformar escolas estaduais sem ter concluído nenhuma das obras. É um dos principais protagonistas da Operação Quadro Negro, deflagrada no ano passado pelo Gaeco. Além dele, a mulher, o filho e funcionárias da empreiteira tornaram-se réus no processo em curso na 9.ª Vara Criminal de Curitiba.

Reflexo 1

O crescimento dos índices de desemprego mostra sua cara também nos serviços públicos de saúde. Segundo levantamento da Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS), só em Curitiba mais de 25 mil trabalhadores deixaram de ser atendidos pelos planos de saúde custeados pelas empresas que os demitiram nos últimos anos. Sem condições de pagar os planos do próprio bolso, os trabalhadores passaram a fazer o caminho inverso – isto é, agora recorrem ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Reflexo 2

No mesmo período em que os planos privados perderam associados, o SUS de Curitiba cadastrou mais de 14 mil usuários. O reflexo já é visível: aumentou a demanda nas unidades básicas, nas UPAs e nos hospitais conveniados com o SUS. Os recursos repassados para o sistema se tornaram ainda mais insuficientes.

A esposa cumpre prisão domiciliar por ser mãe de recém-nascido, mas o filho, Baruque, penou por algum tempo em cela vizinha à do pai. O regime fechado dele teria sido transformado há alguns dias em prisão domiciliar com uso obrigatório de tornozeleira eletrônica.

Segundo apurou o Gaeco, a construtora Valor contava com a benevolência do então diretor de Engenharia da Superintendência de Educação (Sude, órgão vinculado à secretaria da Educação), Maurício Jandoi Fanini, que atestava falsamente o andamento das obras e mandava liberar pagamentos indevidos, envolvendo até mesmo recursos transferidos pela União.

Eduardo Lopes vinha sendo assistido por um advogado que o desaconselhava a aderir à colaboração premiada, mas mudou de opinião após contratar os serviços de outro famoso escritório jurídico.

Informações vazadas por quem acompanha o caso de perto indicam que o réu está se mostrando muito disposto a auxiliar na identificação de vários figurões com gabinetes no Centro Cívico, com quem mantinha conversações telefônicas e trocava e-mails, visando a esmiuçar as relações deles com o esquema. CDs organizados pelo Gaeco guardam mais de 60 megabites de escutas, mensagens telemáticas e digitalizações de documentos.

A denúncia do Ministério Público Estadual aceita pela Justiça envolve pessoas com foro privilegiado, dentre as quais o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ademar Traiano, assim como o próprio governador Beto Richa e seu irmão, o secretário Pepe Richa. Em razão disso, parte do processo foi desmembrada e passou a tramitar no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Aspectos que não tinham ficado tão claros quanto à participação e ao papel de cada um nas investigações da Quadro Negro devem ser esclarecidos a partir de agora se o Gaeco considerar úteis os termos da delação e a Justiça homologá-la. O material será útil também para as investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, interessadas também no caso em razão do suposto desvio de verbas alocadas pelo governo federal.

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