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Nos corredores

Na trilha de Ratinho

Ratinho Júnior (PSC) escolheu dar um passo atrás nestas eleições para caminhar até outros três para frente a partir de 2015. Ao desistir da reeleição para deputado federal e concorrer a estadual, ele se posiciona em um caminho ambicioso para tentar se firmar como uma nova via na política estadual.

Presidência à vista

A primeira meta é ser o deputado estadual mais votado e formar um bloco com dez a doze estaduais da chapa PSC/PR/PTdoB. A seguinte é disputar a presidência da Assembleia Legislativa. Ratinho evita confirmar o plano, mas garante: "Estou preparado para essa missão".

De 2016 a 2018

O objetivo é se livrar de vez do rótulo de inexperiente. Em 2016, ele só deve se candidatar de novo a prefeito de Curitiba se estiver em situação confortável nas pesquisas. A meta final é concorrer a governador em 2018. Até lá, terá 37 anos e seis disputas eleitorais no currículo.

Marqueteiros políticos planejam as campanhas como escritores de telenovela. Jogam tudo para prender a audiência nos primeiros e últimos dez dias de horário gratuito na televisão. Dentro dessa escala, o que ainda pode mudar os rumos do primeiro turno de 2014 precisa acontecer entre hoje e quinta-feira.

E há muito em jogo na reta final das disputas para presidente e governador. No caso paranaense, os contornos são mais dramáticos. Qualquer oscilação no humor do eleitorado pode tirar a reeleição de Beto Richa (PSDB) e forçá-lo a um incômodo segundo turno contra Roberto Requião (PMDB).

Pela última pesquisa Datafolha, de sexta-feira, Richa reaparece no limite para fechar a eleição no próximo domingo. Tem 52% dos votos válidos, contra 35% de Requião e 12% de Gleisi Hoffmann (PT) Qualquer balanço pode virar o barco, já que a margem de erro é de três pontos porcentuais para cima ou para baixo.

Candidato ao Palácio Iguaçu pela quinta vez em 24 anos, Requião não precisa de marqueteiro para ensiná-lo sobre como se cria uma onda contra os adversários. Desde a semana passada, ele tem prometido uma "bala de prata" contra Richa, capaz de tirá-lo até do segundo turno. A arma seria apresentada hoje.

Na disputa pela prefeitura de Curitiba, em 2012, Requião usou o mesmo expediente a favor do seu candidato, Rafael Greca (PMDB). Espalhou a notícia de um programa-bomba, que nunca foi ao ar. Depois, admitiu o blefe.

Na campanha de 1990, no entanto, não brincou em serviço. No começo do segundo turno (olha o roteiro de telenovela de novo) contra José Carlos Martinez (PRN), levou ao ar uma entrevista com um "matador profissional" que supostamente prestava serviços para o rival. Depois, descobriu-se que "Ferreirinha" era um ator profissional, mas a vitória já estava garantida.

A história mostra, no entanto, que a bala de prata não precisa ser tão literal assim. Em 2006, Requião enfrentou novamente um duro confronto com Osmar Dias (PDT) e desencavou as dezenas de processos contra o vice do pedetista, Derli Donin (PP). Ganhou por 0,2% dos votos.

No mesmo ano, Lula caminhava para uma vitória no primeiro turno quando, a dois dias da eleição, vazaram fotos de uma pilha de R$ 1,7 milhão apreendidos pela polícia que seriam usados para comprar um dossiê contra José Serra (PSDB), que na época disputava o governo de São Paulo. Em 2010, Dilma Rousseff (PT) foi vítima de uma roleta-russa na internet – uma intensa campanha em torno de temas ético-religiosos corroeu parte dos votos da petista.

Por último, uma lição cabal das telenovelas aplicada às campanhas é não exagerar na dose. Foi-se o tempo em que os Ferreirinhas colavam sem contestação. As pessoas continuam gostando de histórias mirabolantes (o Facebook está aí para comprovar), mas têm mais limites e meios de checar se elas são verdadeiras.

O problema de tentar uma última cartada hoje é que, se ela for um erro, não haverá mais tempo para corrigi-lo. Nessa corda-bamba, talvez fosse mais sensato apostar no debate de amanhã à noite, na RPC TV. O certo é que até o próximo domingo tudo pode acontecer.

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