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Eleições 2016

Com novas restrições, candidatos vão focar no “corpo a corpo” e na web

Redução do tempo de campanha e fim de doações de empresas devem mudar a forma com que candidatos a vereador buscam voto

  • PorLaura Beal Bordin
  • 08/02/2016 19:55
Cavaletes foram usados em eleições passadas, mas agora estão proibidos. | André Rodrigues/Gazeta do Povo
Cavaletes foram usados em eleições passadas, mas agora estão proibidos.| Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo

As mudanças na legislação eleitoral aprovadas em 2015 devem modificar a forma com que candidatos vinham fazendo campanha. Além da proibição de doações por empresas, os candidatos estarão impedidos de usar materiais como cavaletes e de realizar pinturas em muros. O cenário atual de desconfiança da população na classe política também deverá interferir nas estratégias para se atingir o eleitorado.

Segundo vereadores entrevistados, o novo pleito será de testes e aprendizado para a classe, que terá que vencer novos obstáculos para chegar à Câmara de Curitiba em 2017. Entre as estratégias, falam em utilizar de forma mais eficaz a internet e o “corpo a corpo” no curto tempo de campanha, que começa em agosto.

Como forma de tornar a eleição mais igual, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também instituiu um teto para os gastos – em Curitiba, os candidatos a vereador podem gastar no máximo R$ 348 mil na campanha, o que corresponde a 70% do maior valor declarado na última eleição. Bruno Pessuti (PSC) foi o vereador eleito que mais gastou em 2012 – foram R$ 497,3 mil.

Especialista diz que disputa vai ficar mais qualificada

Para o vereador, a redução do tempo de campanha deve reduzir consideravelmente os gastos na tentativa de reeleição. “Antes existia um mercado de cabos eleitorais, que eram contratados por 90 dias. Como agora temos a metade do tempo, os gastos com material e com pessoal devem ser reduzidos.” Ainda de acordo com Pessuti, a redução no tempo de tevê fará com que o eleitor passe mais tempo buscando o candidato em que votará. “A internet terá um papel fundamental nesta busca, não só pelas redes sociais mas com os aplicativos de mensagens. Uma das principais estratégias deve ser a criação de grupos no WhatsApp para divulgar o trabalho de candidatos e também para disseminar informações que prejudique os adversários. A Justiça Eleitoral deve estar preparada para isso.”

O que pensam os candidatos?

A proibição da doação por pessoas jurídicas também deve interferir. O vereador Pierpaolo Petruziello (PTB), que teve 75,5% das receitas da campanha por meio de doações de empresas, diz que vai “buscar estes amigos para que façam doações por pessoa física”. Para ele, o tempo curto de campanha beneficia quem tem mandato, mas as limitações de gastos tornam a disputa mais igual. “Não existe mais um programa de televisão, o candidato vai precisar ir pra rua para se fazer conhecido. O uso da internet também será essencial para divulgar propostas e o trabalho.”

Veja quais são as mudanças na legislação

Para o vereador Paulo Salamuni (PV) , as restrições impostas podem incentivar um gasto maior com cabos eleitorais para atuar na busca por votos. “É importante que a haja uma fiscalização mais atuante para evitar práticas ilegais.”

Especialista diz que disputa vai ficar mais qualificada

As mudanças eleitorais devem, em um primeiro momento, segundo especialistas, colaborar para que a renovação no Legislativo seja baixa e que os partidos invistam nos chamados “puxadores de votos”. Porém, para a especialista em marketing eleitoral Eloá Muniz, o que hoje parece ruim deve se tornar uma mudança de comportamento. “Com as normatizações do TSE, o pleito se tornará mais organizado e a forma de fazer campanha deve ser modificada. A proibição das doações de empresas é uma forma de dizer que a sociedade não aceita mais esse tipo de conduta”, diz. “Com o tempo, a disputa se tornará mais qualificada.”

Com uma campanha mais curta e proibição de doações de empresas, a tendência é que os candidatos mudem de estratégia e passem a encarar a campanha não apenas como um período de trabalho delimitado, mas de uma forma contínua, diz o professor de ciência política da PUCPR Másimo Della Justina. “As novas regras são uma clara evolução da democracia. Os candidatos devem ser criativos para trabalhar a imagem durante o período anterior à campanha e atuar para se tornar conhecido do eleitor.”

Para ele, o fim das doações por empresas também deve alterar a forma com que o pleito é decidido. “As campanhas atuais sofrem com uma ditadura financeira – quem tem mais dinheiro acaba se elegendo. Essa proibição trará mais igualdade à dispu ta.”

O que pensam os candidatos?

Veja mais opiniões sobre as novas regras:

Novas lideranças

O vereador Professor Galdino (PSDB) afirma que não buscará a reeleição e que as regras impedem que novas lideranças surjam no processo democrático. “A proibição da doação por pessoas jurídicas não afeta em nada. Quem doava pela empresa vai doar por pessoa física e pronto. Vai piorar para quem não tem cargo já que a campanha está mais curta e com mais restrições”, comentou.

Com mandato

Para o vereador Jairo Marcelino (PSD), que tentará um nono mandato em 2016, as mudanças devem afetar de forma positiva o pleito. “As novas regras favorecem os candidatos que trabalham e têm números para mostrar à população e não apenas dinheiro.”

Planejamento

Para Bernardo Pilotto, que é presidente estadual do PSol, pré-candidato a vereador e candidato em outras duas eleições, as mudanças exigem um planejamento maior. “Antes, a campanha começava fraca e esquentava com o tempo. Agora, se o candidato demora muito, o tempo já acabou. É preciso um planejamento maior para conseguir atingir o eleitor.” Ainda de acordo com Pilotto, a proibição de doações de empresa torna a disputa mais justa. “O constrangimento que as últimas operações da Polícia Federal causou mostra que esse tipo de doação representa um problema. Uma vez que os grandes candidatos não contem com este tipo de dinheiro, há uma possibilidade de tornar a disputa mais igual.”

Veja quais são as mudanças

- O período da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV passou de 45 para 35 dias. A campanha terá dois blocos no rádio e dois na TV, com 10 minutos cada. Os partidos também terão direito a 70 minutos diários em inserções de no máximo 60 segundos na programação – candidatos a prefeito terão 60% do tempo e vereadores terão direito a 40%.

- Pinturas de muro foram proibidas. Também não será permitido afixar materiais em bens públicos ou bens de uso comum, como lojas e estádios.

- Em bens particulares é permitida a propaganda eleitoral em adesivo ou papel, com dimensão de até 0,5 m². Em veículos, estão permitidos adesivos de no máximo 50 cm x 40 cm.

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