Dilma Rousseff ainda trabalha no convencimento de parlamentares para evitar o impeachment. | Evaristo Sá/AFP
Dilma Rousseff ainda trabalha no convencimento de parlamentares para evitar o impeachment.| Foto: Evaristo Sá/AFP

Apesar de se dizer otimista com o resultado do impeachment no domingo (17), a presidente Dilma Rousseff chega às vésperas da votação com munição escassa para tentar reverter o “clima” desfavorável na Câmara dos Deputados.

A petista tenta convencer indecisos de que o placar ainda não está definido e, ao mesmo tempo, de que há chance de governabilidade em uma eventual vitória. Nas duas missões, há obstáculos, além do curto período para consolidar estratégias.

Oposição atinge número suficiente de votos para o impeachment na Câmara

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Na tentativa de levar um novo elemento à “guerra de números” e afugentar o clima de pessimismo, aliados anunciaram nesta quinta-feira (14) o pedido de criação de uma frente parlamentar mista “em defesa da democracia” com 186 assinaturas de deputados federais que seriam contra o impeachment.

A lista, contudo, traria alguns nomes da oposição – como filiados ao PSDB, DEM e Solidariedade. O deputado federal tucano Otávio Leite (RJ), cujo nome consta na lista, diz não se lembrar se assinou ou não. “Eu assinei várias coisas, mas, quando vem aos ouvidos uma palavra tão bonita quanto democracia, não tenho a menor dificuldade, é automático. A palavra democracia não é propriedade de um partido. Se tem outros propósitos, é a velha malandragem”, disse o opositor.

A ideia era contra-atacar o número da oposição, que, desde a noite de quarta-feira (13), quando a bancada do PP decidiu pelo desembarque da base, sustenta que já ultrapassou os 342 votos necessários para aprovar o processo no plenário.

“Ninguém vai ter números agora. Querem criar a onda do já ganhou, do efeito manada. Aqui não tem boi, ninguém é gado. É um discurso ruim para a sociedade brasileira. Aqui é o discurso da consciência política. Há uma tentativa de passar o ambiente do já ganhou quando isso não é verdade”, afirmou a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Outra preocupação do Planalto também tem ligação com o rascunho do placar. Com a pressão pró-impeachment dos números, fica difícil convencer indecisos sobre a capacidade de o governo Dilma retomar o comando, em uma eventual vitória. Assim, mesmo parlamentares com mais disposição em votar contra o impeachment estariam preocupados com o cenário do pós-domingo.

Na quarta-feira (13), a presidente Dilma reforçava em conversa com jornalistas que, em uma eventual vitória, seu “primeiro ato” será fazer uma proposta de “pacto e diálogo” sem “vencidos nem vencedores”. O discurso em defesa de um “pacto” também foi adotado mais fortemente entre seus aliados na Câmara após a derrota na comissão especial, na última segunda-feira (11).

“Acho possível governar mesmo com minoria. Mas, se a gente vencer, a gente cede e eles também. Vamos buscar o diálogo com a parte responsável da oposição, porque a crise precisa ser superada. Não é possível”, pontuou o deputado federal Silvio Costa (PTdoB-PE).

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