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Vista panorâmica de Londrina, com o pitoresco hotel de Youssef em forma de barco: personagens da cidade aperfeiçoaram o esquema de desvio de verba pública. | Roberto Custódio/Jornal de Londrina
Vista panorâmica de Londrina, com o pitoresco hotel de Youssef em forma de barco: personagens da cidade aperfeiçoaram o esquema de desvio de verba pública.| Foto: Roberto Custódio/Jornal de Londrina

Lava Jato: o berço pé-vermelho

Londrina é apontada como berço da operação Lava Jato e não é por acaso. A cidade possui diversas conexões políticas obscuras e é origem de vários personagens centrais de escândalos recentes, como o doleiro Alberto Youssef e o ex-deputado José Janene.

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Uma teoria formulada em 1967 pelo psicólogo norte-americano Stanley Milgram prega que são necessários no máximo seis laços para que duas pessoas quaisquer, aparentemente distantes, estejam ligadas entre si. Desde então, cientistas se debruçam sobre esse estudo e alguns deles chegaram a concluir que a quantidade de passos para se chegar a alguém, atualmente, pode ser ainda menor, muito em função das redes sociais.

Caso AMA/Comurb foi a origem de tudo

A então vereadora de primeiro mandato em Londrina, Elza Correia, eleita pelo PCdoB, já se destacava como uma das forças de oposição ao prefeito Antonio Belinati (à época no PDT) quando, no início de 1999, foi procurada por um servidor da Autarquia do Meio Ambiente (AMA) da cidade.

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Se fosse possível aplicar a teoria dos seis graus de separação em escândalos políticos, provavelmente o esquema revelado pela Operação Lava Jato, que vai completar um ano de investigações neste mês de março, seria o experimento ideal para corroborar o estudo de Milgram. E o local escolhido para o início da pesquisa científica seria Londrina. A principal cidade no Norte do Paraná abrigou pelo menos duas peças-chaves do esquema da Lava Jato: o doleiro Alberto Youssef, hoje preso, e o ex-deputado José Janene, morto em 2010.

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Há pelo menos quatro grandes esquemas de corrupção, três deles nacionais, que tiveram sua origem – ou pelo menos passaram – por Londrina: o caso AMA/Comurb, o escândalo do Banestado, o mensalão e, finalmente, a Lava Jato.

Para o promotor Claudio Esteves, que atua há 18 anos na cidade, isso não necessariamente é algo negativo. “Não acho que Londrina seja diferente de outros municípios. Isso existe em todos os lugares. O que existe aqui é uma confluência de fatores que levou a uma elucidação desses casos mais do que em outros lugares”, diz.

A vereadora Elza Correia (PMDB), autora de uma das primeiras denúncias de casos de corrupção na cidade, faz coro ao promotor. “Londrina é uma cidade jovem e com potencial. Ela tem uma efervescência política oriunda de um ‘caldeirão de pensar’, em função das universidades e dos núcleos culturais”, diz. Coincidentemente – ou não – dois prefeitos do município foram cassados nos últimos 15 anos: Antonio Belinati (PP) e Barbosa Neto (PDT).

Quarteto da AMA/Comurb

Quatro pessoas que foram citadas no esquema da AMA/Comurb reapareceram nas suspeitas da Operação Lava Jato: o doleiro Alberto Youssef, o ex-deputado José Janene, o ex-deputado André Vargas e o ex-ministro Paulo Bernardo. Todos são londrinenses.

O promotor Esteves admite, porém, que há pouco graus de separação entre políticos, empresários e doleiros que já foram citados em processos judiciais envolvendo corrupção no Brasil. E dois nomes se repetem: o de Youssef e de Janene, descritos pelo promotor como duas pessoas “ousadas” quando a questão era desviar dinheiro. “Aparentemente, eles importaram uma metodologia de desvio de dinheiro e aprimoraram o processo aqui.”

A reportagem da Gazeta do Povo foi a Londrina e apurou como outros casos – e outras pessoas envolvidas – possuem poucos graus de separação com a Lava Jato, um dos maiores escândalos de desvio de dinheiro público da história do país.

Colaboraram: Ewandro Schenkel, Fábio Silveira e Marcelo Frazão, do Jornal de Londrina.
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