Ao menos nove índios teriam ficado feridos em Aracruz, no norte do Espírito Santo, durante confronto com agentes federais que cumprem mandado de reintegração de posse, expedido pela Justiça Federal, em favor da empresa Aracruz Celulose. Os índios teriam sido atingidos por balas de borracha. Dois outros foram detidos. A Polícia Federal, no entanto, confirma que somente um índio acabou ferido, mas não soube dizer de que forma ele foi atingido.
Os agentes colocaram fogo em todas as aldeias construídas no local e, segundo representantes indígenas, não deixaram que equipes de saúde entrassem na área para atender aos feridos. O cacique da aldeia Piraquêaçu, Pedro da Silva, disse que os índios podem fazer um protesto contra a Aracruz Celulose ou até mesmo fecharem as estradas que passam dentro das aldeias.Cento e vinte policiais federais, incluindo um destacamento do Comando de Operações Táticas, de Brasília, permanecem no município.
Índios tupiniquins e guaranis das aldeias do município tiveram que desocupar uma área de quase doze mil hectares de propriedade da empresa, e ocupadas desde 17 de maio de 2005. No início da tarde, na Aldeia Olho D'água, um helicóptero da Polícia Federal fez vôos rasantes. A aeronave está equipada com uma metralhadora. Mas nenhum tiro foi disparado.A desocupação durou cerca de três horas. Com a reintegração de posse, os índios voltaram para as aldeias localizadas na região de Comboios, em Aracruz.
A reintegração de posse em favor da Aracruz Celulose já havia sido deferida liminarmente no dia 18 de maio do ano passado. No entanto, no dia 20, a decisão foi cassada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
O conflito pela posse da terra entre os índios e a Aracruz Celulose, empresa que detém 31% da produção global de celulose, é antigo. Há 30 anos instalada na região, em 1998 a indústria e as comunidades indígenas firmaram um acordo de repasse financeiro que estabeleceu seis anos de trégua. Na época, em represália à ação dos índios, a empresa Aracruz Celulose suspendeu o acordo que mantinha desde 1998. Os tupiniquins e guaranis habitavam uma área de 3 mil hectares. Entretanto, faltam 10.500 hectares a serem demarcados pela Funai. A área foi definida por estudos antropológicos encomendados pelo Ministério da Justiça.







