Precedente federal traz desconfiança a sindicatos

Emboras as entidades sindicais entendam que a sondagem feita pelo governo do estado para medir a aceitação dos servidores a um plano de saúde coparticipativo não reflete uma proposta concreta, a ideia gera desconfiança. O temor dos sindicatos estaduais é que essa medida abra um caminho sem volta no financiamento da saúde dos servidores e que aconteça no Paraná o mesmo que ocorreu em âmbito federal.

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Os servidores públicos do estado que já acessaram o programa de atualização cadastral do governo, implantado no fim de janeiro, depararam-se com uma pergunta inusitada. Ao fim do amplo questionário, que inclui informações sobre saúde e formação escolar do servidor e da sua família, o governo embutiu uma pergunta sobre a predisposição do funcionário em aderir a um "sistema de saúde com coparticipação."

A pergunta é feita tanto para servidores ativos quanto a aposentados do estado, e gera antipatia porque o funcionalismo utiliza o Sistema de Assistência à Saúde (SAS) gratuitamente.

Para a representante do Fórum das Entidades Sindicais dos Servidores Estaduais do Paraná, Elaine Rodella, o questionário é uma forma de passar por cima das entidades sindicais. "No nosso entendimento, essa pergunta não deveria estar lá, e sim ser discutida com as bases. O estado está sondando uma possibilidade para depois, se for do seu agrado, lançar um sistema de saúde pago e dizer que tem respaldo dos servidores", diz.

"Na nossa avaliação, responder 'sim' ao questionário significa apenas dar mais dinheiro para hospitais privados sem ter prestação de contas dos serviços que eles fazem. Nossa principal crítica é a falta de transparência na gestão dos recursos públicos direcionados à saúde", completa a representante sindical.

O diretor de imprensa da APP-Sindicato (que representa os professores estaduais), Luiz Carlos Paixão da Rocha, ressalta que entre as prioridades definidas em assembleia do funcionalismo está a melhora no atendimento à saúde, "mas mantendo seu caráter público." Como essa pergunta do recadastramento indica a coparticipação financeira do aposentado, a orientação que o sindicado passou aos seus cooperados foi responder "não" no questionário.

Subsídios

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Administração e da Previdência informou, por meio de nota da assessoria de imprensa, que as "informações amplas (do questionário), sob diversos aspectos da vida do servidor e da família, subsidiarão os gestores públicos na tomada de decisões na área de recursos humanos, de modo que essas decisões sejam as mais adequadas e condizentes com o perfil do funcionalismo."

Por esse motivo, segundo a nota, entre as questões, está aquela que pergunta ao servidor se ele é a favor ou não a coparticipar em algum plano de saúde. "Diante da opinião do que pensa o conjunto do funcionalismo, o resultado de questionamento como esse pode, mais para a frente, nortear algum estudo, algum programa a ser desenvolvido."

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Interatividade

A criação de um plano de saúde em sistema de coparticipação para os funcionários do estado pode ser interessante?

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