José Alberto de Freitas Iegas, da PF,  pediu para dar o depoimento sem a presença da imprensa. | Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
José Alberto de Freitas Iegas, da PF, pediu para dar o depoimento sem a presença da imprensa.| Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados

A CPI da Petrobras decidiu interrogar o delegado J osé Alberto de Freitas Iegas, ex-diretor de Inteligência da Polícia Federal, a portas fechadas nesta quinta-feira (2). A CPI optou pela sessão reservada a pedido do delegado. Iegas falou sobre escutas ambientais instaladas na sede da PF em Curitiba, base da Operação Lava Jato.

Segundo relato de três deputados, na primeira parte do depoimento, o delegado disse que foi, sim, instalada escuta ambiental na cela ocupada pelo doleiro Alberto Youssef e pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, os dois mais importantes delatores da Lava Jato.

A escuta teria sido instalada depois da chegada de Youssef à cela e sem a devida autorização judicial. O deputado Aluisio Mendes (PSDC-MA) disse que não poderia falar sobre o conteúdo da conversa, mas, segundo ele, as revelações feitas pelo delegado são “gravíssimas”.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) criticou as declarações do delegado. Para ele, as informações de Iegas poderiam ser usadas por aqueles que querem implodir a Lava Jato. Ele afirma, no entanto, que possíveis tentativas de contaminar a investigação não vão prosperar. “As informações da Lava Jato vieram das delações, não de escutas”, disse.

Yegas teria dito ainda que a responsabilidade sobre escutas na PF em Curitiba é dos chefes locais da instituição e não dele. No período das escutas, o delegado era o diretor de Inteligência da PF.

Ainda nesta quinta, a CPI deverá tomar o depoimento do agente Dalmey Fernando Werlang e o empresário Arno Gorentzvaig. Werlang teria sido o encarregado de instalar o grampo na cela de Youssef.

Em maio, um dispositivo de gravação telefônica teria sido descoberto na área reservada para fumantes no prédio da Superintendência em Curitiba. A denúncia foi feita por dois delegados federais, Rivaldo Venâncio e Reginaldo Gallan.

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