Plenário da Câmara visto a partir das galerias: relato de “pressão terrivel” para anistiar a corrupção. | Diógenis Santos/Agência Câmara
Plenário da Câmara visto a partir das galerias: relato de “pressão terrivel” para anistiar a corrupção.| Foto: Diógenis Santos/Agência Câmara

Mesmo após o presidente Michel Temer (PMDB), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), negarem a possibilidade de anistia ao caixa 2 eleitoral, os deputados federais seguem sofrendo pressão para incluir no pacote anticorrupção um “alívio” para quem cometeu crimes de corrupção no passado. A preocupação foi relatada à Gazeta do Povo por um deputado federal que não quis ser identificado. Ele diz ter recebido três ou quatro parlamentares que estavam recebendo pressão de “gente graúda” nos últimos dias. Os parlamentares que querem a volta da anistia ameaçam os demais dizendo que vão denunciá-los em delações premiadas – mesmo que sejam inocentes. A estratégia seria arruinar a reputação dos colegas, mesmo que não haja nada contra eles.

Segundo esse congressista, as cobranças atingem principalmente os parlamentares do “baixo clero”. “A pressão em cima dos deputados é terrível. É incongruente pegar nesse momento o projeto das Dez Medidas e votar a anistia a crimes conexos ao caixa 2, que são corrupção e lavagem de dinheiro. Os deputados que estão envolvidos com corrupção estão sofrendo uma pressão danada, dizendo que o nome vai aparecer, nome com empreiteiro, fulano de tal. E eles estão pressionando os deputados dizendo que se votarem contra, o nome deles vai começar a aparecer. Muitas raposas estão ameaçando os congressistas”, afirma o parlamentar.

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“A estratégia é a seguinte: eles têm falado que vão colocar inocentes em delações. Até o deputado se defender a reputação já caiu. A pressão é grande e a evidência disso é que o próprio presidente da República teve que se posicionar contra a medida”, diz. Segundo esse parlamentar, se o projeto aparecer, com a pressão por votação nominal e a cobrança da sociedade, “vai ser uma lavada, como na votação do Eduardo Cunha [ex-presidente da Câmara, cassado em setembro]”.

Crime de responsabilidade

No entanto, há outra possibilidade que, segundo esse mesmo parlamentar, pode ser encarada como uma resposta dos deputados à Operação Lava Jato. “Eu acho que pode acontecer a apresentação do crime de responsabilidade para juízes e procuradores. Seria um recado para a força-tarefa, para constrangê-los. A grande luta desta terça-feira é não estragar o pacote [anticorrupção] das Dez Medidas. Nós queremos discutir isso [os crimes de responsabilidade], mas em outro momento. Precisamos debater isso como uma lei específica.”

A proposta das Dez Medidas Contra a Corrupção, fruto de uma iniciativa popular vinculada aos procuradores da Lava Jato, foi aprovada por unanimidade na comissão especial que discutiu o tema e deveria entrar em votação no plenário na semana passada, mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), adiou a votação para esta terça-feira (29).

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