Miguel Reale Jr. fala na Câmara dos Deputados | Ananda Borges/Câmara dos Deputados
Miguel Reale Jr. fala na Câmara dos Deputados| Foto: Ananda Borges/Câmara dos Deputados

Na abertura dos três dias de debates e votação do impeachment no plenário da Câmara, um dos autores da denúncia contra a presidente Dilma Rousseff, o jurista Miguel Reale Jr. disse que os deputados são os “libertadores” da população da “prisão de mentiras e corrupção” que se tornou o país.

“Os senhores são os nossos libertadores dessa prisão que vivemos enojados no meio da mentira, da corrupção, da inverdade, de irresponsabilidade, do gosto pelo poder sem se preocupar com aquilo que vai acontecer na vida dos brasileiros, especialmente dos mais pobres”, afirmou. “Os senhores são os nossos libertadores, os nossos libertadores”, reforçou, gritando.

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O jurista sustentou que o processo de impeachment não é golpe, como argumenta o governo. “Golpe sim houve quando se sonegou a revelação de que o país estava quebrado. Golpe sim houve quando se mascarou a situação fiscal do país, quando a continuaram fazer imensos gastos públicos e tiveram que se valer de empréstimos de entidades financeiras controladas pela própria União para artificiosamente mascarar a situação do Tesouro Nacional”, declarou.

“Ainda dizem e repetem que não há crime”, continuou. Reale Jr. questionou então qual seria “o crime mais grave”: “o de um presidente que põe no seu bolso uma determinada quantia ou aquela presidente que, pela ganância do poder, em busca da manutenção do poder, não vê limites em destruir a economia brasileira?”

Segundo o denunciante, as pedaladas e a assinatura de decretos autorizando gastos sem a autorização do Congresso levaram à configuração de um “crime de falsidade ideológica”. “Apresentou-se um superavit primário falso. E vai dizer que isso não é crime? Que vir a esta casa solicitar que se afaste a presidente por sua gravíssima irresponsabilidade em jogar o país na lona é golpe?”

“O Brasil entrou no cheque especial e está falido”, disse. “E por que foi possível fazer isso? Porque foi possível esconder essa realidade da população brasileira por meio das pedaladas.”

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