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Osmar Dias, no lançamento da candidatura de Gustavo Fruet (PDT) à prefeitura de Curitiba | Hugo Harada/Gazeta do Povo/Arquivo
Osmar Dias, no lançamento da candidatura de Gustavo Fruet (PDT) à prefeitura de Curitiba| Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo/Arquivo

Afastado das disputas eleitorais desde 2010, quando disputou e perdeu o governo do Paraná para Beto Richa (PSDB), o ex-senador Osmar Dias (PDT) rompeu o distanciamento que vinha mantendo da política. Anunciou que pretende ser candidato ao Palácio Iguaçu em 2018 e justificou a decisão: o momento do país, de crise econômica e política, exige que pessoas com experiência e nome limpo se apresentem para propor soluções.

Em entrevista à Gazeta do Povo, Osmar disse ainda que não acredita que vai ser “contaminado” pelo fato de ter tido um cargo no governo de Dilma Rousseff – de 2011 até julho deste ano (já no governo interino de Michel Temer), ele foi vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil. “Eu não tenho nada a ver com a roubalheira”, justificou.

E, embora tenha sido convidado por Temer para ficar no Banco do Brasil, preferiu voltar ao Paraná para organizar sua vida pessoal e seu projeto político. Um projeto que, por ora, mantém sem grandes detalhes: não fala de prioridades, da permanência ou não no PDT, nem de possíveis alianças. Inclusive desconversou sobre uma possível aliança com Richa: “é colocar o carro na frente dos bois”. De definitivo, só um apoio: ao senador Alvaro Dias (PV), seu irmão, na disputa pela Presidência em 2018.

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Em entrevista ao jornal Valor Econômico publicada no último domingo (30), o senhor manifestou a vontade de ser candidato ao governo do Paraná em 2018. Disse que “a situação se impôs”. O que isso significa exatamente?

Fiquei afastado da política desde 2010, quando concorri pela última vez. Desde então, nunca mais participei de uma eleição. Ocupei durante todo esse tempo um cargo técnico [vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil]. E implantei nacionalmente ideias e projetos novos. Agora, observando o que está acontecendo na política brasileira – a crise econômica que foi gerada pela crise política – e ouvindo as pessoas que sempre fazem um apelo para que eu volte à política, avaliei que tinha de me apresentar para dar minha contribuição. Quando está tudo bem, muitos se apresentam. Mas num momento como este, fica difícil. Aqueles que têm um nome limpo devem se apresentar. E eu estou me apresentando com a bagagem que adquiri ao longo de minha vida pública e ao longo desses anos ocupando um cargo técnico. Isso me deu uma formação sobre gestão e sobre aquilo que deve ser feito para resolver o problema político e econômico ao mesmo tempo. Creio que só se resolverá o problema econômico quando se resolver o problema da falta de credibilidade da política.

Nas últimas eleições, o índice de votos brancos e nulos e de abstenções foi alto. O senhor considera que isso tem relação com a falta de credibilidade na política a que o senhor se refere?

Isso é decorrência do desencanto com a política e com os políticos, pelo que aconteceu nos últimos anos: os escândalos de corrupção, os desvios morais e éticos. Tudo isso levou a população a reagir nas ruas e nas urnas. Agora, é preciso recuperar a credibilidade da política. Caso contrário, quem perde é o país. Não é bom para o país ter uma classe política desacreditada.

Em 2010, quando o senhor foi candidato ao governo do estado, foi apoiado pelo PT e apoiou a então candidata Dilma Rousseff na disputa pela Presidência. Com ela já eleita, aceitou um cargo no governo. Em 2014, não se envolveu tanto na campanha de reeleição de Dilma, mas pediu votos para ela no segundo turno. O senhor não acha que sua imagem possa ser contaminada em 2018 pela proximidade que teve com o governo de Dilma?

Primeiro: eu ocupei um cargo técnico; não tive nenhuma participação política durante esse período. Segundo: uma aliança com um partido não significa que você pensa igual aquele partido. Eu impus na campanha de 2010 o meu pensamento. Eu tenho uma história, uma biografia no estado. Nunca fui do PT. Mas acreditei num projeto [do PT] como a maioria da população acreditou. Se não fosse assim, a Dilma não teria sido eleita. Mas eu não tenho nada a ver com a roubalheira que vem de muito tempo no país. Essa roubalheira não foi instalada pelo PT. E acho que ela não acabou. E também não acho correto que a gente condene todas as pessoas do PT, como se todos que estão no partido não prestassem. A Lava Jato é importante, mas está na hora de as pessoas separarem, dentro dos partidos, quem presta de quem não presta. Caso contrário, não adianta a gente ficar pregando uma política de credibilidade. Então, eu não temo que isso me contamine porque eu não tenho nada a ver com isso. As pessoas que cometeram crimes têm de pagar pelos crimes que cometeram. Eu continuo com a minha vida limpa e pretendo defender minhas ideias.

Nos bastidores, há políticos que gostariam de articular uma aliança sua com o governador Beto Richa; ele iria concorrer ao Senado e o senhor ao governo. Segundo os defensores dessa aliança, seria uma chapa “imbatível” em 2018. Na campanha de 2010, o senhor e Richa travaram uma disputa muito dura, inclusive com troca de acusações. O senhor admite fazer as pazes com o governador para fechar uma coligação em 2018?

Eu não estou discutindo alianças porque tem uma reforma política que vem aí [o Congresso está analisando propostas para mudar o sistema político-eleitoral]. E a gente tem de aguardar os acontecimentos. Discutir aliança agora é colocar o carro na frente dos bois.

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O que o senhor acha que deve ser a prioridade para mudar no governo do estado?

Isso eu vou tornar conhecido quando apresentar meu projeto de governo. Não vou fazer um projeto de governo com meia dúzia de pessoas. Pretendo percorrer o estado e ouvir a população. É muito cedo para me antecipar à população e dizer o que seria prioridade. Mas é claro que eu tenho uma ideia do que seja prioritário.

O PDT está articulando juntamente com o PT e o PCdoB o que eles estão chamando de Frente Ampla, uma coalizão eleitoral para lançar um candidato único da centro-esquerda que seja viável para a Presidência. O ex-governador do Ceará Ciro Gomes já foi colocado como opção pelo seu partido. Como o senhor vê isso?

O meu candidato a presidente é o Alvaro Dias [irmão de Osmar]. Então eu não vou nem discutir esse assunto. Vou apoiar o Alvaro [que está no PV], um paranaense, para a Presidência da República.

Em eleições anteriores, o senhor e o Alvaro tiveram interesse em ser candidato ao governo. E sempre conversavam para que não houvesse uma disputa familiar nas urnas. O senhor conversou com ele agora sobre sua disposição de ser candidato ao governo?

Claro que eu tenho conversado com o Alvaro. E ele sempre me diz que vai ser candidato a presidente. Então me sinto muito à vontade para manifestar minha vontade de ser candidato a governador.

O PDT pode reclamar de seu apoio ao Alvaro, pois pretende lançar um candidato a presidente. O senhor cogita mudar de partido?

A reforma política vai mudar completamente o quadro partidário brasileiro. Eu pretendo esperar essa reforma, que deverá ocorrer no próximo ano, para tomar uma decisão a esse respeito.

Na eleição municipal de Curitiba, o senhor não teve participação ativa na campanha do prefeito Gustavo Fruet, que é de seu partido. Por que manteve esse distanciamento?

Eu participei de alguns eventos e gravei [uma participação] para a televisão [o programa eleitoral]. A opção de colocar ou não a gravação na televisão não foi minha. Fiz a minha parte, que foi gravar.

Nos bastidores, alguns políticos disseram que o senhor teria simpatia pelo Rafael Greca...

Eu apoiei o Gustavo. Gravei para o Gustavo. Tive ele como meu candidato, candidato do partido. Só tive ele como candidato. Fiz a opção de não participar do segundo turno porque o Gustavo era o meu candidato [Fruet não esteve no segundo turno e não apoiou nenhum concorrente].

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