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Marina recebeu ligações de Dilma e Serra, mas não agendou nenhuma conversa | Maurício Lima / AFP
Marina recebeu ligações de Dilma e Serra, mas não agendou nenhuma conversa| Foto: Maurício Lima / AFP

Serra diz ter "afinidade" com candidata

Na tentativa de conquistar a herança de mais de 19 milhões de votos de Marina Silva, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, investiu ontem na "afinidade política e ambiental" que diz ter com a senadora.

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Brasília e São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá comandar pessoalmente as negociações para atrair o apoio da candidata do PV à Presidência, Marina Silva, à candidatura da petista Dilma Rous­­seff no segundo turno da eleição presidencial. Segundo o presidente do PT, José Eduardo Dutra, a senadora já aceitou se reunir para discutir o apoio. "Ela aceitou sentar para conversar. Agora, vamos esperar o ‘timing’ dela", afirmou o dirigente petista.

Apesar da afirmação de Dutra, Marina disse que não decidiu pelo apoio ao PT e se ne­­­gou a se reunir com representantes das campanhas de Dilma e do presidenciável tucano, José Serra. Os dois candidatos telefonaram para a senadora do Acre e a cumprimentaram pela votação obtida no domingo: 19,33% dos votos válidos (19,6 milhões).

Atrair o apoio de Marina foi um dos asuntos tratados no café da manhã de ontem no Palácio da Alvorada, quando Lula se reuniu com governadores e senadores eleitos e ministros (leia mais sobre a reunião na página ao lado). Ministros e governadores disseram que a coordenação da campanha conversará com Marina, mas afirmaram que Lula deveria procurá-la.

"Se eu fosse ele [Lula] ligaria. Ela [Marina] adora o Lula, tem um respeito profundo por ele, assim como ele por ela", disse o governador do Acre, Binho Marques (PT), que é amigo da presidenciável do PV. Amigo da senadora há mais de 30 anos, Binho diz não acreditar em um apoio a Serra. "Não consigo imaginar ela apoiando o Serra. Acho mais fácil ela ficar neutra." O governador negou que tenha sido escalado pelo Planalto para tentar persuadir Marina. "Só vou tocar no assunto se ela me procurar. Eu não vou forçar a barra com ela, não posso fazer isso", disse.

Padrinho de um dos filhos de Marina, Binho avalia que a pior estratégia para tentar convencê-la é a pressão. "Ela não toma nenhuma decisão apressada. Ela tem que processar, ela escuta muito as pessoas, usa com inteligência a sabedoria coletiva", comentou. "Não creio que o PV vá impor uma decisão à Marina, não era assim nem no PT. Ela não é de entrar no ‘democratismo’. Se discordar, ela vai dizer."

Ao deixar a reunião, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, confirmou que Lula vai procurar a candidata do PV. "A coordenação de campanha, o presidente, todo mundo vai conversar", afirmou. Para o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, se Marina mantiver sua coerência, apoiará Dilma. "Ela foi fundadora do partido e ministra do governo. Estou apenas usando a palavra que ela mais usou durante a campanha." O governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), acredita que a maioria dos eleitores de Marina migrará para a candidatura de Dilma. "[O segundo turno foi] uma lição no Brasil para que a gente pudesse ter mais debate."

Neutralidade

Ontem, Marina deu novos sinais de que pretende se declarar neutra. Ela trava uma disputa com a direção do PV para impedir uma adesão imediata da sigla à candidatura de Serra. João Paulo Capobianco, que foi coordenador-geral da campanha do PV, aprova a "postura institucional" de discutir em convenção o apoio do partido. "A opinião da Marina é muito importante porque não é pessoal, é uma opinião que representa a força de um conjunto", avaliou.

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), que também participou da reunião com Lula, disse acreditar que Marina vá manter a neutralidade. "Acho que o PV vai ser cooptado pelo Serra, porque a burocracia do PV já é controlada pelo Serra há algum tempo", comentou. "Ela [Marina] não vai apoiar uma aliança PSDB-DEM. Mas ela também está preocupada com as concessões que o PT andou fazendo. Por isso, acho que vai afirmar uma neutralidade muito digna."

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