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O apoio de Marina e do PV era cobiçado por Dilma e por Serra | Maurício Lima/AFP
O apoio de Marina e do PV era cobiçado por Dilma e por Serra| Foto: Maurício Lima/AFP

Presidente estadual declara voto em Dilma

Renyere Trovão

O presidente do Partido Verde do Paraná, Melo Viana, declarou ontem seu voto em Dilma Rousseff no segundo turno. O anúncio dele contraria a decisão do diretório nacional de que dirigentes nacionais e estaduais do PV estão proibidos de manifestar seu voto.

Viana explicou que o PV sempre esteve numa posição de esquerda e nunca se aliou ao PFL ou ao PSDB. "Entre o projeto do governo atual e o projeto neoliberal anterior, ficamos com o atual. Se alguém me apontar um brasileiro que esteja vivendo em piores condições do que há 8 anos, talvez eu mude de opinião", justificou Viana.

A postura tomada pelo presidente estadual do PV não reflete o posicionamento de outras lideranças do partido no Paraná. Rubens Hering, candidato ao Senado na última eleição (obteve 178 mil votos) e que participou da votação em São Paulo, afirmou que segue a mesma linha e discurso adotados por Marina Silva. "As duas candidaturas estão equidistantes dos meus ideais. Por isso, ficarei neutro neste segundo turno", resumiu. Paulo Salamuni, que foi candidato ao governo (81,5 mil votos), também votou ontem pela neutralidade.

São Paulo - Em sintonia com os dirigentes do Partido Verde (PV), a ex-candidata à Presidência da República Marina Silva anunciou ontem a sua posição de independência no 2.º turno em convenção com militantes e não militantes do partido em São Paulo. A posição contribui com o equilíbrio do processo eleitoral, segundo ela. "No meu entendimento, expressa o que deve ser a nossa posição no segundo turno", disse.

Em seu discurso, Marina criticou o velho pragmatismo que dominou a disputa política entre PT e PSDB. A senadora leu uma carta, que será encaminhada aos candidatos José Serra e Dilma Rousseff, em que chama os dois partidos de fiadores "do conservadorismo". "A escolha se estende agora à atitude de vocês", disse Marina, terceira colocada na eleição presidencial, com quase 20 milhões de votos.

Na visão da ex-candidata, os dois partidos pregam a "mútua aniquilação" na disputa entre Dilma e Serra. "A agressividade do seu confronto pelo poder sufoca a construção de uma política de paz", atacou a senadora. A verde prometeu, ainda, defender sua fé – ela é evangélica – sem contudo usá-la "como arma eleitoral".

Questionada sobre em quem votaria neste segundo turno, Marina desconversou e se limitou a dizer que "voto é secreto". Sobre se já havia votado nulo, ela tergiversou: "Não me lembro."

Ao negar que tenha "lavado as mãos" sobre o apoio no segundo turno, Marina disse que não estava ali para "oferecer um destino" aos eleitores. A ex-candidata sugeriu que ambos procurem fazer um "convencimento maduro dos eleitores" com propostas. "A sociedade deu um sinal claro de que não quer o confronto."

Dos 92 votantes, apenas quatro declararam favoráveis ao apoio de um ou outro concorrente. Mesmo Fernando Gabeira, o candidato derrotado ao governo do Rio que contou com o apoio do tucano no primeiro turno, preferiu a independência do partido. Indivi­dual­mente, os filiados serão liberados para aderir às campanhas da petista ou do tucano, mas não poderão utilizar símbolos do PV ou falar em nome do partido. Dirigentes e diretórios nacionais e estaduais do PV estão proibidos de declarar seu voto nessas eleições ou se manifestar a favor ou contra algum candidato. Gabeira, no entanto, que já declarou seu apoio a José Serra, pode fazê-lo porque não é dirigente do partido.

O vice-presidente nacional do PV, Alfredo Sirkis, deu um parecer sobre o acolhimento das propostas do PV pelo PSDB e pelo PT. Segundo ele, o PT foi o partido que sinalizou maior interesse nos pontos sugeridos pela plataforma de Marina Silva. "O pessoal da Dilma foi mais completo (na avaliação das propostas do PV)", afirmou. Sirkis criticou a carta encaminhada pelos tucanos e assinada pelo presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, e disse que enquanto o texto assinado por Dilma foi mais programático, a carta do PSDB teve um tom mais político e deu "a impressão de ter sido feita às pressas".

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