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A presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB) disputam o cargo mais alto do país. Nesta campanha eleitoral, não saem dos holofotes. São o centro das atenções e falam com grandes públicos com desenvoltura. Muito diferente de quando eram crianças e jovens. Os dois eram reservados. Dilma, por exemplo, gostava de ler e não era "namoradeira". Aécio, apesar da atual fama de "galã", também não costumava usar a "boa pinta" para conseguir namoradas. Veja na reportagem abaixo como foram a infância e a adolescência dos dois candidatos:

"Dilminha" era séria, estudiosa e adorava livros

Agência O Globo

Para os moradores da Rua Major Lopes, na Belo Horizonte do início dos anos 1960, a Dilma Rousseff política não existe. No imaginário daqueles que passaram a adolescência no bairro de São Pedro, de classe média alta, ela é simplesmente "Dilminha" – uma menina séria, apaixonada por livros, exemplar em matemática, "o tipo de aluna que o professor memoriza o nome por se destacar nas notas". Era tão séria que acabava não sendo escolhida pelos meninos para dançar nos bailes de debutantes.

"Não conheço a Dilma de hoje. A que habita minha memória é de uma época cor de rosa, em que ouvíamos as músicas da Celly Campelo", diz Sandra Borges, que morou em frente à casa da candidata do PT durante a infância e adolescência. "Íamos aos bailes do Clube Campestre. Éramos tão próximas que ela dançou na minha valsa de 15 anos. Mas perdemos o contato. Nunca soube da vontade política dela. Não existia militância, até porque era ditadura militar; [era] proibido falar disso. Dilma lia muito, sempre carregava um livro para todos os lugares."

As amigas contam que eram apaixonadas por Roberto Carlos, Alain Delon e James Dean, os ídolos daquela geração. E mais: adoravam os penteados à la anos 1960. "Vaidosa, ela arrumava o cabelo com muito capricho. Apesar de bonita, nas festinhas ela não costumava ser convidada para dançar porque era muito séria. Nunca foi namoradeira", conta Maria Helena Tornovski, colega de turma de Dilma no Colégio Sion, que só ficou sabendo do quê político da atual presidente ao vê-la estampada nas capas de jornais em plena ditadura militar. "Ela havia se mudado para o Sul e se casado, quando vimos a notícia de uma guerrilheira perigosa chamada Dilma Rousseff, que havia sido presa, ficamos chocados. Aquela menina discreta, uma procurada do governo? Dilminha não foi criada para trapa­cear nem para roubar. De nós, ela é quem teve a educação mais rígida."

Interesse político

Ângelo Oswaldo, atual presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), entre 1964 e 1966 era colega de Dilma, de quem é amigo até hoje, no Colégio Estadual, em Belo Horizonte. Os dois cursavam os últimos anos da escola antes da faculdade. Juntos acompanharam a bossa nova e o surgimento da música de protesto de artistas da MPB, além de frequentarem teatros. "O que mais me impressionava era a facilidade que ela tinha da matemática à literatura. Ela dava aulas particulares de matemática para mim e os amigos", relembra Oswaldo. Segundo ele, o interesse pela política foi precoce. "Aos 17 [anos], ela já tinha interesse por política e uma cultura excepcional. Já falava sobre o regime militar e como aquilo seria terrível para o ­país. Dava para ter uma ideia de que ela participaria de militâncias em oposição. Sempre tive certeza de que ela teria um papel político importante. Havia manifestações contra a ditadura na nossa escola. Não estávamos à frente, mas observávamos. E ela já era uma pessoa procurada pelos movimentos que queriam ouvir as opiniões dela, por ser inteligente e informada."

Aécio era ‘perna de pau’, tímido e gostava de surfe

Agência O Globo

Assim que a campanha eleitoral começou, Aécio Neves provocou um burburinho nas redes sociais entre um grupo de ex-alunos de 1975 do Colégio Gimk e os estudantes de 1976 do Colégio Bahiense, ambos no Rio de Janeiro. Alguns se lembram do "menino tímido, de cabelo grande e aparelho nos dentes, que sentava no fundo da sala". Outros revelaram episódios do futebol: "Um tremendo perna de pau, que usava a camisa 2 do Darci Menezes, zagueiro do Cruzeiro". E houve quem tivesse saudade de ter a companhia dele no ônibus de cada dia da linha 583 – Cosme Velho/Leblon. Em outro grupo, os pratos preferidos do senador também foram citados: frango com quiabo e leitão à pururuca.

"Ele era amigo de todo mundo. Não brigava com ninguém. Acho que já era um jeito de político. Na época eu não pensava nisso. Mas hoje, ligando as coisas, dá para perceber. Aécio evitava citar que era neto de Tancredo, porque naquela época, de ditadura, não se podia muito falar de política", conta Maurício Cannone, que estudou com Aécio de 1975 a 1978 em escolas diferentes. "Ele adorava futebol, íamos ao Maracanã. Ele era tão apaixonado pelo Cruzeiro que chegou a ir para Minas para o enterro do atacante Roberto Batata, que morreu num desastre de carro. Na sala de aula, ele não estava no grupo de melhores alunos, mas não ficava em recuperação. Estava longe de ser dos piores também."

Além da paixão por futebol, o fascínio de Aécio pelo surfe também está vivo na lembrança de amigos e familiares. O mineiro que passou boa parte da infância e adolescência no Rio, era ainda fã dos Beatles e Rolling Stones. Numa segunda fase da juventide, tornou-se apreciador dos grupos nacionais Barão Vermelho e Legião Urbana.

Se hoje ele tem fama de "galã" da política, no início da juventude essa aura de boa pinta era subaproveitada, segundo amigos. "Ele não era um mulherengo. Tinha umas namoradas que duravam muito tempo. Isso até mudou depois, mas faz parte da fase. Ele era extrovertido, mas reservado. Não era aquele aluno que aparecia muito, não era superpopular, mas fazia amizade com facilidade", diz um colega de turma, que preferiu não se identificar.

Transformação

Mas qual foi o momento marcante para transformar Aécio em candidato à Presidência? A convivência desde cedo com nomes como Leonel Brizola, Fernando Henrique Cardoso e Franco Montoro? Uma participação no palanque de campanha do pai e deputado, Aécio Cunha, aos 14 anos?

"Não consigo pensar em um fator determinante para Aécio investir na política, mas um conjunto de circunstâncias", diz Andrea Neves, irmã um ano mais velha de Aécio. "Vivemos até os 10 anos em Belo Horizonte, nos mudamos para o Rio, onde fizemos a escola e ele começou [a estudar] Direito e Economia. Depois de um tempo, aos 21 anos, Aécio voltou sozinho para Minas, para trabalhar com nosso avô, Tancredo, e transferiu a faculdade para lá."

Nessa fase, ele já demonstrava forte interesse pela política. "[Ele] já se mostrava uma grande liderança, com capacidade de aglutinar pessoas, defender ideias e se mostrava um entusiasta e defensor das liberdades democráticas", diz Fernando Amoni, professor do curso de Economia da PUC-BH, onde Aécio concluiu os estudos em junho de 1984.

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