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Requião Filho é deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Curitiba pelo PMDB. | Henry Milleo/Gazeta do Povo
Requião Filho é deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Curitiba pelo PMDB.| Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo

O deputado estadual Requião Filho (PMDB) defendeu o rompimento do contrato da prefeitura com as empresas de ônibus de Curitiba, o retorno do sistema integrado com a Região Metropolitana e a criação de uma frota pública como resposta aos problemas de transporte da cidade.

TV GAZETA: Assista aos melhores momentos da entrevista

Quarto entrevistado na série de sabatinas feitas pelo jornal com os pré-candidatos á prefeitura, Requião também criticou, em diversas ocasiões, o governador Beto Richa (PSDB) – a quem responsabilizou pela má situação do transporte público e pela má situação das finanças da cidade. Requião criticou também o atual prefeito Gustavo Fruet (PDT) por sua falta de poder decisório. Na entrevista, ele falou também sobre sua relação com o pai, o senador Roberto Requião (PMDB). Leia os principais trechos da entrevista:

RÁDIO GAZETA: Ouça na íntegra a sabatina com Requião Filho

Começando pelo seu nome. O senhor apresenta-se como deputado como Requião Filho, mas o seu nome de batismo é Maurício de Mello e Silva. Não é nem Requião, nem Filho. Ser filho do senador Requião traz vantagens e desvantagens. Como é ser candidato nessas circunstâncias?

Sou filho do senador Roberto Requião. Tenho um orgulho danado disso. Então, peguei esse nome. E vem com toda a bagagem. Vem com toda a expectativa do nome Requião. Às vezes as pessoas esperam que eu seja tão contundente quanto ele, e às vezes as pessoas já partem de um pré-conceito de que eu seria contundente demais. Mas esse nome traz essa bagagem, essa marca, e é uma marca que aqui no Paraná dispensa apresentação; é a marca Requião. Tenho seguido essa escola. Eu brinco, às vezes, que é como o Marlboro. Tinha o Marlboro e o Marlboro Light. Mesmo sabor, baixos teores. Eu ainda tenho muito o que aprender para poder ser como é o Requião.

GALEIRA: Veja imagens da entrevista

Mas o fruto não cai muito longe do pé. Ou seja, politicamente o senhor pensa parecido com ele, ideologicamente?

Aprendi em casa. A maioria das coisas é dentro dessa linha, que é uma linha de posicionamento. Você vê geralmente os deputados agradando o governo, não batendo muito, fazendo um “bate e assopra”, para conseguir pequenos favores. Essa nunca foi a nossa linha. Eu trabalho muito mais com posicionamento, com discurso, com atitudes, do que com a distribuição de uma ambulância ou a promessa de uma obra futura. Eu acho que um deputado é eleito pra fiscalizar, e está no meu perfil no Twitter, no meu Instagram, se você olhar, que eu acredito que política se faz por paixão. E paixão é isso, não é morno, é quente. Ou você faz pra mudar o mundo, nem que seja um pedacinho dele, ou não vale a pena fazer política. Política como profissão e carreira não dá certo.

Rápidas

Um lugar para passear?

Mercado Municipal.

Um museu?

Tenho um carinho pelo Museu Oscar Niemeyer, que foi construído no perído do Jaime Lerner mas que foi gerido por oito anos pela minha mãe e que foi um dos museus mais importantes do país. E hoje está à míngua.

Uma praça?

Praça da Espanha.

Um ponto turístico?

Pra mim é o Parque Barigui.

Um bairro?

O Bigorrilho, onde cresci.

Um restaurante?

Serve um bar? Gosto do Hacienda Café. E de restaurante, sou fã do Barollo e do Spaghetto.

Em que bairro mora e o que falta lá?

Campo Comprido. Falta estrutura, falta via de acesso, falta linha de ônibus, falta calçada, falta iluminação pública.

Do que mais gosta em Curitiba?

Da minha família. Morei muito tempo fora, fiquei muito longe dos primos, das tias. Curitiba para mim é uma coisa de família, uma sensação de ter voltado para casa.

Qual que seria o papel do senador em uma gestão sua?

O papel dele é o papel do mentor. Eu tenho essa vantagem, de sempre que tiver uma dúvida, sempre que entrar em um beco, como resolver? Como fazer? Qual é a melhor forma? A experiência. E ele tem essa experiência e pode me emprestar.

O senhor vai disputar a eleição pelo PMDB, que só tem uma vereadora. Além disso, é um partido rachado.

O PMDB hoje se reergue, se reconstrói. E a base do PMDB hoje é muito coesa. Se você tirar uns dias pra viajar comigo e a gente começar a visitar as regiões do Paraná, a gente vai ver que lá na base quem carrega a bandeira, quem faz piquete, quem pede voto nas cidades do Paraná é muito coeso com o atual PMDB. Esse PMDB que se coloca contra o Beto Richa, contra o aumento de impostos, contra todas as denúncias de caixa 2... Você vai ver que essa base é muito coesa. O racha está na cúpula. Os deputados negociavam essa base sem conversar com a base, e venderam essa base pro Beto Richa.

Muita gente diz que o PMDB enfraqueceu porque o senador Requião virou uma espécie de “imperador” do partido. O prefeito Gustavo Fruet saiu do partido com esse discurso.

O Gustavo saiu do PMDB porque ele não conseguiu ganhar uma convenção. Então, veja, não é bem a história de se impor a vontade do Requião. Ele não conseguiu convencer o partido de que estava, naquele momento, pronto para ser o candidato, e no que ele perdeu, ele rompeu. Mais ou menos como aquela criança que traz a bola para o campo e, quando o time começa a perder, põe a bola embaixo do braço e vai embora pra casa, bicudo. O PMDB é democrático. Não há o imperador Requião, há a força de uma ideia que o Requião representa.

Entrevista com Requião Filho

Possível candidato do PMDB à prefeitura de Curitiba, o filho do senador Requião fala da relação com o pai e dos problemas atuais da cidade.

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Qual a sua avaliação da gestão Fruet?

Faltou para o Gustavo ler dois livros que todo aspirante a político lê, o “Arte da Guerra”, do Sun Tzu, e um pouquinho de Maquiavel, quem sabe o “Príncipe”. Faltou imposição, faltou decisão. Faltou um imediatismo maior. Da prefeitura de Curitiba sempre se espera que as coisas aconteçam. Curitiba tem essa pecha de cidade modelo, inovadora. Não me preocupo tanto com a inovação. Mas temos que ser modelo. E acho que o Gustavo com seu jeito de falar, de conversar, acabou atrasando suas decisões. Pegou uma prefeitura extremamente endividada pelo prefeito anterior, mas isso podia ser revisto, podia ser peitado. Licitações podem ser anuladas. E falta esse enfrentamento. Tem boas ideias, boa intenção, falta implementar.

Se o Fruet não começar a obra do metrô, o senhor começaria?

Não faria.

E se estivesse começado?

Aí iria revisar todos os contratos para ver se são factíveis. Já temos o expresso, que corta os eixos principais de Curitiba. Temos um sistema urbano começado pelo Jaime Lerner muito interessante, do expresso e dos alimentadores. Esse sistema foi seguido pelo Roberto Requião. Tínhamos a menor tarifa do país, integrado com a região metropolitana, com moeda única, o vale-transporte. Era exemplo. Pagava-se o quilômetro rodado. E buscou-se criar a frota pública. De repente esse sistema foi revisto por um prefeito recém-eleito, que tentou ser vereador e não conseguiu, muito bronzeado, que gostava de andar de moto, de carro caro, e esse prefeito quebrou o sistema. Acabou com o quilômetro rodado para agradar os financiadores de campanha. Passou-se a pagar por passageiro, com a tarifa técnica. O Tribunal de Contas apresentou 47 incongruências na tarifa técnica e faltou coragem de sugerir punições. Uma CPI apresentou diversos problemas e nada foi feito. E agora se pleiteia uma tarifa mais cara. O fim da integração é uma estupidez criada por uma briga de ciúme de três meninos: o menino Gustavo, o menino Ratinho e o menino Carlos Alberto.

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O sr. romperia os contratos com os empresários de ônibus? Eles dizem que querem devolver as concessões, mas com indenização.

O Beto fez o contrato dizendo que eles teriam até tantos por cento de lucro. Eles não estão tendo prejuízo, não estão tendo o lucro previsto. Imagina trabalhar assim. Você abre uma oficina e ela dá por lei 10% de lucro. Se começa a dar 6%, você processa alguém e consegue os outros 4%. Mas o contrato tem 47 incongruências. Tem gente ganhando mais dinheiro do que deve. A bilhetagem eletrônica é uma caixa preta. Sou a favor de retomar a integração, criar frota pública e moeda pública novamente. Mas estamos em 2016, tem que ter transparência. Tem que conseguir ver pelo celular quantas pessoas estão no Vila Sandra. Precisamos de um sistema mais leve, mais rápido e barato. Hoje temos ônibus ruins, superlotados, caros e demorados. O contrato tem que ser revisto ou tem que ser rompido. Até porque falta coragem para esse povo dizer: essas últimas greves são locaute. Essa maneira de dizer que vão entregar as concessões, mas vão cobrar a indenização, parece chantagem.

O sr. manteria a área calma, a 40 km/h no Centro?

A área calma é uma decisão muito impopular, mas se você pegar o código de trânsito vai ver que não é nenhuma inovação. Ele simplesmente passou a aplicar a lei. Mas vejo que a área calma foi muito mais para aumentar a arrecadação com multa do que para resolver um problema do Centro de Curitiba, que já estava parado. Atravessar o Centro de Curitiba às seis da tarde, ninguém consegue chegar aos 40 km/h.

O que o sr. pensa das ciclovias em que a prefeitura tem apostado?

As ciclovias estão sendo pintadas de vermelho. Até onde sei, não se fez nenhuma grande obra para aumentar ciclovias. Acho legal a ideia da bicicleta. Mas não me imagino indo de terno e gravata para a Assembleia pedalando . Eu não faria isso. Você se imagina vindo no inverno para a redação, chegando todo molhado? Temos que ver a possibilidade da cidade. Não temos clima nem topografia favoráveis à bicicleta..

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