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Gleisi: segundo Delcídio, há “provas  incontestáveis” de que ela recebia dinheiro da Consist. | Antonio Cruz/Agência Brasil
Gleisi: segundo Delcídio, há “provas incontestáveis” de que ela recebia dinheiro da Consist.| Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Em seu acordo de delação premiada, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) citou líderes petistas no Senado, além da cúpula do PMDB. Segundo o senador, “Fundo Consist”, era quem financiava despesas do mandato da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). A empresa teria atuado no desvio de recursos de empréstimos consignados do Ministério do Planejamento – que era comandado pelo marido da senadora, o ex-ministro Paulo Bernardo.

Na delação, consta o seguinte: “Que é de notório conhecimento sua relação com a empresa Consist, sendo que a empresa acompanha o casal Bernardo e Gleisi desde a época em que foram secretários do então governador de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT. Que a Consist sempre atuou como braço financeiro dos mesmos, e como mantenedora das despesas do mandato da senadora Gleisi, nos últimos anos. Que existem provas incontestáveis sobre isso”.

“Ainda, que [Delcídio] acredita que se deve dar atenção especial para o período em que Gleisi foi diretora financeira de Itaipu, quando vários ‘claims’ de obras passaram pelas suas mãos. O mesmo vale para as concessões do Porto de Santos, quando a mesma, como chefe da Casa Civil, teve atuação decisiva na definição das áreas leiloadas. Ressalte-se que o operador de Gleisi sempre foi o seu marido, Paulo Bernardo, sendo que na visão do depoente, e um dos melhores captadores de recursos do PT”, completou. “Ainda cabe destacar que Gleisi tinha estreito relacionamento com outros petistas, como José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, e Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência.”

Outras menções

Há menções sobre o senador Humberto Costa (PT-PE), que ficou com a liderança do governo no Senado depois que Delcídio acabou preso no ano passado acusado de tentar atrapalhar as investigações da Lava Jato.

“Que o depoente sabe que o senador agiu com desenvoltura na refinaria de Suape (PE). Que foi parceiro, entre outras empresas, da White Martins, que sempre contribuiu decisivamente para suas campanhas. Tem como operador o empresário pernambucano Mario Beltrão. Que sua proximidade com Paulo Roberto Costa [ex-diretor da Petrobras] era conhecida.”

Gleisi e Humberto Costa já são alvos de inquérito no Supremo Tribunal Federal que investigam se tiveram participação no esquema de corrupção da Petrobras, mas os senadores negam envolvimento. A senadora é investigada ainda no Supremo pelas suspeitas em relação a Consist, mas o caso está com o ministro Dias Toffoli porque os ministros do Supremo entenderam que não havia conexão com a Lava Jato.

Outro lado

Procurada, a assessoria da senadora Gleisi afirmou que ela não tem nada a comentar sobre as citações de Delcídio do Amaral. Conforme nota divulgada, os comentários a respeito de Gleisi e de seu marido, Paulo Bernardo, “não apontam qualquer ilícito que tenha sido cometido por ambos, muito menos indícios que levem a esses ilícitos”. Ainda segundo a nota, “são ilações apoiadas em matérias que já foram veiculadas pela imprensa”.

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