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O Esso é nosso

Com a série Diários Secretos, a Gazeta do Povo e a RPC TV conquistam o mais importante prêmio do jornalismo brasileiro e colocam o Paraná no mapa das grandes reportagens investigativas nacionais

  • Carlos Guimarães Filho, especial para a Gazeta do Povo
 
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O jornalismo paranaense definitivamente entrou para a galeria de expoentes da imprensa brasileira. Na noite da última quinta-feira, a série de reportagens Diários Secretos, publicada pela Gazeta do Povo e pela RPC TV, conquistou a principal categoria do Prêmio Esso 2010, a mais importante e tradicional premiação do jornalismo no Brasil. Essa é a segunda vez que um veículo de comunicação de fora do eixo Rio–São Paulo–Brasília ganha o Grande Prêmio nos 55 anos de existência do Esso, criado em 1956. E o reconhecimento do trabalho veio apenas uma semana depois de a mesma série vencer o Prêmio Embratel/Tim Lopes de Jornalismo, outra premiação de reputação nacional.

O trabalho vencedor do Esso foi desenvolvido pelos jornalistas Karlos Kohlbach, Katia Brembatti, James Alberti e Gabriel Tabatcheik. Foram dois anos de apuração jornalística, catalogando informações de 724 diários oficiais da Assembleia publicados entre 1998 e 2009.

O levantamento levou a Gazeta do Povo e a RPC TV a desvendar um esquema criminoso de desvio de dinheiro da As­­sembleia Legislativa do Paraná que, segundo estimativas do Ministério Público (MP), ultrapassa os R$ 100 milhões.

Os recursos públicos, como mostrou a investigação, eram desviados por meio da contratação de dezenas de servidores fantasmas ou laranjas – muitos dos quais parentes dos envolvidos. E tudo vinha sendo ocultado da sociedade, durante décadas, por meio de uma série de entraves criados pela própria Assembleia para a divulgação dos diários oficiais da Casa, onde eram oficializadas as contratações dos funcionários que não trabalhavam.

Ao revelar como funcionava o esquema, a partir de março deste ano, a série Diários Secretos resultou na abertura de investigações criminais pelo MP e pela Polícia Federal; no afastamento e demissão de vários integrantes da cúpula gerencial da Assembleia; e na prisão de três ex-diretores da Assembleia: Abib Miguel, o Bibinho (ex-diretor-geral), José Ary Nassiff (ex-diretor administrativo) e Cláudio Marques da Silva (ex-diretor de pessoal) – apontados como mentores e executores do esquema. Os três e outras dezenas de pessoas envolvidas já foram denunciados à Justiça e, atualmente, respondem a processo judicial.

Também foram abertas ações na Justiça por improbidade contra dois deputados que têm cargo de direção política da Assembleia – o presidente da Casa, Nelson Justus (DEM); e o primeiro-secretário, Alexandre Curi (PMDB). Embora eles não estejam envolvidos no desvio de dinheiro, são acusados pelo MP de serem corresponsáveis pela contratação dos fantasmas. Além disso, um processo de cassação por quebra de decoro foi aberto contra dois parlamentares – Jus­­tus e Curi. Mas o pedido foi arquivado neste mês.

O escândalo também provocou profunda indignação na sociedade civil do estado, que lançou o movimento O Paraná que Queremos. Milhares de paranaenses saíram às ruas em 8 de junho, nas 13 maiores cidades do estado, para pedir moralidade na política. E quase 94 mil pessoas referendaram um abaixo-assinado cobrando ética na Assembleia.

A pressão popular resultou na aprovação, pela própria Assem­bleia, de uma inédita Lei da Trans­parência, que prevê a publicação na internet de todas as despesas dos três poderes estaduais – in­­­­cluindo as notas fiscais dos gastos.

"A corrupção se constrói na sombra. Depois das reportagens da Assembleia, foi aprovada a Lei da Transparência, que poderá ser estendida para outros órgãos do estado", declara o jornalista Ja­­mes Alberti, um dos premiados. "Dedico o prêmio às milhares de pessoas que saíram às ruas para dizer que não concordam com o que estava ocorrendo", ressalta Katia Brembatti.

"Até então, ninguém tinha aces­­­so aos diários. Nós conseguimos entender o que ocorria. Esse é um prêmio dedicado a todos que praticam o jornalismo in­­vestigativo", complementa Gabriel Tabatcheik. Para o jornalista Karlos Kohlbach, a premiação é resultado da liberdade de im­­prensa. "Esse tipo de reportagem sai, no Brasil, numa im­­prensa sem censura e sem qualquer tipo de regulamentação no conteúdo."

Contribuição à democracia

"O fundamental é a contribuição que a série deu para democracia e cidadania no Paraná, colocando às claras as coisas erradas", afirma Guilherme Döring Cunha Pereira, vice-presidente do GRPCom, grupo empresarial que edita a Gazeta do Povo e do qual faz parte a RPC TV. "O prêmio reconhece esse trabalho e serve de estímulo ao jornalismo de qualidade e consciente. É um orgulho para o grupo", destaca Cunha Pereira.

"Depois de vencer o Prêmio Embratel, a conquista do Esso vem coroar todo o esforço jornalístico dos repórteres que estiveram à frente das reportagens da série Diários Secretos. Também é uma amostra do amadurecimento do jornalismo hoje realizado pela Gazeta do Povo e pela RPC TV", complementa o diretor de redação da Gazeta, Nelson Souza Filho.

Por meio de nota divulgada pela assessoria da Associação Na­­­cional de Jornais (ANJ), a presidente da entidade, Judith Brito, fez questão de ressaltar a importância do trabalho para o estado e para o país. "É mais do que merecido para um trabalho investigativo de dois anos e que prestou inestimável serviço ao Paraná e ao país. Jornalismo independente, profissional e de qualidade. É exatamente isso que fizeram a Gazeta do Povo e seus repórteres: compromisso com a verdade e com os interesses dos cidadãos", diz a nota.

O presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Inves­­tigativo (Abraji), Fernando Ro­­drigues, acredita que a conquista paranaense é um incentivo para que outros jornais regionais desenvolvam trabalhos semelhantes. "O prêmio é um exemplo muito positivo e incentivador para que jornais de todo o Brasil, independente da região, produzam boas reportagens e obtenham reconhecimento nacional", afirma. Para Rodrigues, a série Diários Secretos é ainda um reforço na luta pelo acesso a informações públicas. "A Abraji tem uma luta histórica pelo acesso livre a dados públicos. A reportagem contribuiu para a causa."

No Paraná, a notícia do prêmio foi recebida com alegria pelos profissionais da área. "Isso [o Esso] prova que o jornalismo paranaense é de qualidade e ajuda a melhorar a democracia no estado", diz o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor), Márcio Rodrigues.

O jornalista Luiz Geraldo Mazza, comentarista da rádio CBN e que há 60 anos trabalha na imprensa paranaense, avalia que o prêmio será um divisor de águas no estado. "É um fato relevante que rompe com a tradição de acomodação da nossa mídia. O prêmio é uma vitória que encoraja quem procura fazer jornalismo crítico."

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