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Isso é política

A vila que venceu a favela

Geada Negra de 1975 fez a Vila São Pedro, no Xaxim, receber levas de migrantes do Norte do estado. Tinha de tudo para passar por um processo de favelização. Mas isso não ocorreu em grande medida devido ao trabalho de Aloíze Gogola

  • Yuri Al’Hanati
Aloíze Gogola mostra praça de esportes na Vila São Pedro: moradores se organizam para melhorar a comunidade |
Aloíze Gogola mostra praça de esportes na Vila São Pedro: moradores se organizam para melhorar a comunidade
 
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A história da Vila São Pedro não tem apenas um protagonista. Pode-se dizer que a coletividade prevaleceu sobre a mais que provável favelização de uma das comunidades encravadas no bairro do Xaxim, que explodiu demograficamente com a Geada Negra de 1975. O inverno rigoroso destruiu boa parte das plantações do Norte do Paraná, o que trouxe milhares de imigrantes para a capital. “Os caminhões de mudança faziam fila”, lembra Aloíze Gogola, ex-padre que chegou à região em 1973 e um dos líderes da comunidade. “As pessoas se instalavam como podiam aqui, mas não havia escola, água potável, asfalto, nada.

A paróquia começou, então, por meio de Comunidades Eclesiais de Base, a ajudar os moradores que queriam se articular para reivindicar melhorias para o bairro. Formamos grupos para nos preocupar com frentes específicas, como ônibus, posto de saúde, etc. E tínhamos um Grupo de Recepção dos novos moradores”, diz Gogola. A gentileza e cortesia com os vizinhos, prática comum no campo, rareava na cidade, e quem chegava pela necessidade se sentia amparado e, ao mesmo tempo, impelido a ajudar. O grupo falava: Estamos aqui lutando por essas coisas, quer participar com a gente?’ E assim foi crescendo uma organização no bairro.”

Simples assim. Gogola, que é secretário da associação de moradores e membro dos conselhos de Saúde e de Segurança do Xaxim, explica que os moradores se reuniam onde podiam para elencar os principais problemas da comunidade, e definir as prioridades. A água era uma delas. Com o encanamento apenas do outro lado da rodovia separa o bairro do vizinho Capão Raso, todo mundo usava água de poço, mas diziam que estava contaminada. “Aí alguém contava que trabalhava na Sanepar, e que poderia fazer a empresa realizar os testes. Comprovado que água estava mesmo contaminada, aí formávamos grupos para fazer pressão nas empresas, na prefeitura, até conseguirmos”, lembra.

Trincheiras

É claro que nem todas as lutas foram vitoriosas – o que não quer dizer que o poder constituído não foi incomodado. As trincheiras e viadutos da Linha Verde, implantadas na Rodovia Régis Bittencourt, foram demandas repetidas vezes para não isolar a vila de um dos lados da BR-116.

“Os políticos acham que isso aqui ainda é roça, não imaginam que a gente precisa andar nove quadras para conseguir atravessar para o lado de lá da pista. Não conseguiram fazer a trincheira porque canalizaram a água logo abaixo da pista, mas também não fizeram viaduto nenhum”, reclama Gogola.

O consolo foi o pioneirismo da Vila São Pedro em outra reclamação frequente dos curitibanos com o projeto de integração urbana: “O cidadão tinha que pagar duas passagens se quisesse mudar de ônibus. A gente reclamou, reclamou, e conseguiu que a primeira experiência de integração fosse aqui, simultaneamente com o bairro do Santa Quitéria”, diz o líder comunitário sobre a implantação da integração temporal por cartão-transporte, iniciada em 2010.

Nova luta

Para Aloíze Gogola e os moradores da Vila São Pedro, a luta continua agora por uma articulação mais direta da população com a Guarda Municipal. O objetivo é mais segurança. “O mais importante é ter claro o que se quer e unir os moradores para resolver um problema em comum. Quando a coisa não incomoda, ninguém se mexe”, diz Gogola. Os moradores se reúnem, reivindicam, e o apoio pode não vir, mas é sempre buscado. O certo é usar o político e não o político usar a população.

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