Partidos rachados é a principal preocupação do Planalto. | Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Partidos rachados é a principal preocupação do Planalto.| Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Com a proximidade da votação do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados – prevista para a segunda semana de abril –, o Palácio do Planalto e aliados fazem contas para tentar barrar o processo.

Um cálculo extraoficial revela que nem a oposição nem o governo têm votos suficientes para aprovar ou rejeitar o impeachment. A oposição precisa de dois terços da Casa, que tem 513 cadeiras. Governistas, um terço (171 votos).

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Na teoria, o Planalto dá como certos os votos de 86 deputados. Faltariam 85 votos, que precisarão ser conquistados em meio a um contingente de 328 parlamentares indecisos ou de partidos da própria base que estão divididos – em especial PMDB e PP, com 69 e 49 cadeiras, respectivamente. Os peemedebistas, inclusive, podem oficializar na terça-feira (29) o rompimento com Dilma, processo articulado pelo vice Michel Temer (PMDB).

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A estratégia do governo para angariar mais apoios já não se limita a conversas com líderes de partidos. O Planalto tem priorizado as negociações individuais com os políticos, o que deve ser intensificado a partir da semana que vem.

A nova estratégia foi traçada sob um diagnóstico aparentemente irreversível, ao menos até a data da votação. Trata-se da fragmentação da base aliada, que dificilmente será recomposta antes de o impeachment chegar ao plenário.

Mesmo sabendo da possibilidade de desembarque formal do PMDB, por exemplo, Dilma tem apostado na permanência dos ministros da legenda, que já sinalizaram disposição até para voltar à Câmara apenas para votar contra o impeachment. Mas, se sair vitoriosa na semana que vem, a ala do PMDB que defende o fim da aliança com o PT também deve buscar mecanismos de punição a eventuais “infiéis”, o que pode tumultuar os planos do Planalto.

Cenário imprevisível

Entre os quase 30 partidos políticos com representação no Congresso Nacional, apenas nove aparentam ter posições sólidas sobre o impeachment.

Na ala que não aprova a destituição da presidente Dilma, além do PT, estão PCdoB, Pros, Psol e Rede Sustentabilidade. Os dois últimos – ambos com bancadas pequenas na Casa - não pertencem formalmente à base aliada e são críticos da gestão Dilma. Eles não acreditam, contudo, que a petista cometeu crime de responsabilidade, regra estabelecida pela Constituição Federal e pela Lei do Impeachment para justificar a saída do chefe do Executivo.

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Do outro lado, opositores do PSDB, DEM, PPS e SD também têm posição fechada a favor do impeachment. Praticamente todas as demais siglas, mesmo aquelas que formalmente pertencem à base aliada, identificam mais de uma voz sobre o impeachment dentro dos seus próprios grupos. É o caso, por exemplo, de PDT, PSD, PP e PR, que oficialmente estão na base aliada, mas apresentam rachaduras.

“Voto pessoal” dificulta mapeamento

Em votações abertas, como no impeachment, o comportamento dos deputados na hora da votação pode depender menos da posição partidária formal e mais de “convicções pessoais”. “É difícil prever, justamente porque é um tipo de voto mais pessoal”, mencionou um
dos articuladores anti-impeachment.

Apostando no “voto pessoal”, a oposição tem trabalhado junto com integrantes de movimentos de rua – Vem pra Rua e Movimento Brasil Livre – para pressionar parlamentares. A ideia do grupo é mandar mensagens no celular ou ficar em frente à casa do parlamentar, por exemplo.

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