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Ex-presidente Lula durante palesta para defender o governo Dilma e o PT: dúvidas sobre o futuro político. | Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
Ex-presidente Lula durante palesta para defender o governo Dilma e o PT: dúvidas sobre o futuro político.| Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Com faixas e bandeiras do PT, centenas de pessoas tomaram o gramado na frente do Palácio do Alvarada. Ovacionado, Lula subiu ao palco, ao lado da então primeira-dama Marisa Letícia, para o “parabéns” seguido de um discurso marcado pela emoção. Aquela foi apenas uma das quatro festas de comemoração pelos 65 anos do petista. Cinco anos depois, o clima é outro. Nesta terça-feira (27), quando completará 70 anos, o ex-presidente deve optar por uma celebração discreta, restrita a parentes, amigos mais próximos e funcionários de seu instituto.

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Um grupo de aliados chegou a iniciar os preparativos para uma festa em São Bernardo do Campo (SP), berço do PT, mas o próprio Lula barrou a iniciativa. A avaliação é que o clima de apreensão não permite grandes celebrações, e que ainda haveria o risco de adversários aproveitarem a oportunidade para protestar.

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Citado nas investigações da Operação Lava Jato, com a popularidade arranhada, com o partido que ajudou a criar em crise, e decepcionado com o rumos do governo da pessoa que escolheu para sucedê-lo, Lula tem dito que o momento não é de comemoração e sim de empenho para melhorar o quadro.

A grande incógnita sobre o futuro de Lula está ligada à sua candidatura presidencial em 2018. O ex-presidente já declarou que pode concorrer, mas seus aliados acreditam que ele só entrará mesmo na disputa se o cenário for favorável. “É muito cedo [para decisão sobre candidatura em 2018]”, diz o deputado federal Arlindo Chinaglia (SP), um dos petistas que frequenta o Instituto Lula.

As últimas pesquisas não foram animadoras para a viabilização da candidatura do principal líder do PT. Os 83% de aprovação de seu governo, registrados na época do aniversários de 65 anos, em 2010, são coisa do passado. Levantamento do Datafolha, divulgado em junho, mostra Lula atrás de Aécio Neves (PSDB) em um cenário, e empatado com Marina Silva (Rede) em outro.

Para o cientista político Carlos Melo, professor do Insper, a chance de recuperação está nas mãos da presidente Dilma. “Ele precisa que o governo Dilma reaja, com melhora da economia”, avalia.

Na festa de 65 anos, os petistas gritavam “Lula, o seu presente é Dilma presidente”. Cinco anos depois, o ex-presidente enfrenta uma série de dificuldades no relacionamento com a aliada. Pouco ouvido por Dilma, resta a ele trabalhar nos bastidores pela fritura de ministros que não lhe agradam, como Joaquim Levy. Segundo um aliado, a entrevista do presidente do PT, Rui Falcão, sugerindo a saída do ministro da Fazenda faz parte de uma ação articulada com o ex-presidente. “É óbvio que ele está decepcionado [com Dilma]”, conta um petista próximo.

Para Carlos Melo, as dificuldades da economia atrapalham Lula até na hora de esclarecer as citações ao seu nome na Operação Lava Jato. “No momento em que Lula estava bem, nenhuma denúncia colou. Ele praticamente se ajoelhou e pediu perdão por causa do mensalão, e o eleitor aceitou”, avalia Melo.

No seu instituto, na Zona Sul de São Paulo, Lula recebe diariamente de banqueiros a líderes sindicais. Para um antigo aliado, o Lula pós-presidência ampliou seu leque de interlocutores e amigos. É justamente um desses amigos, o pecuarista José Carlos Bumlai, a fonte de problemas no momento.

Em delação premiada divulgada na semana passada, o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, disse que Bumlai lhe pediu R$ 2 milhões para que uma das noras de Lula pudesse comprar um apartamento. O ex-presidente nega.

Apesar do cenário adverso, nenhum dos aliados de Lula vê desânimo no ex-presidente. “É claro que o mar não está para peixe para o PT. Mas ele é forte para os embates”, diz Chinaglia.

Depois que se recuperou de um tratamento contra o câncer na laringe detectado em 2011, o ex-presidente tem se exercitado diariamente. “Ele está melhor do que eu”, afirma Roberto Kalil, médico do ex-presidente.

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