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Na foto, a cidade de Inácio Martins, na região central do Parana | Josue Teixeira/Gazeta do Povo/Arquivo
Na foto, a cidade de Inácio Martins, na região central do Parana| Foto: Josue Teixeira/Gazeta do Povo/Arquivo

Na maior parte das 399 cidades do Paraná as eleições para prefeito terão ares de duelo. Em 205 municípios do estado a disputa eleitoral será entre apenas dois candidatos. O fenômeno não é exclusividade do Paraná. Segundo dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), 47% das cidades brasileiras estão na mesma situação.

Na avaliação dos candidatos entrevistados pela Gazeta do Povo, uma das maiores dificuldades deste cenário eleitoral é a polarização e a rivalidade que ele suscita no próprio eleitorado. Em clima de Montecchios contra Capuletos – as duas famílias rivais retratadas na tragédia Romeu e Julieta – fica difícil conseguir novos votos.

O confronto mais comum

O duelo partidário mais comum no estado é PMDB x PSDB. Ao todo, os partidos vão se enfrentar em 15 municípios paranaenses.

“O povo conhece muito bem os dois candidatos. Com isso, as pessoas já têm a tendência de ir para um lado ou para o outro. Parece já estar tudo meio definido, então o momento não é de ficar prometendo muito”, avalia Paulinho Moises (PP), candidato de oposição à prefeitura de Califórnia, no Norte do Paraná.

O clima de “nós” contra “eles” também dá o tom nas eleições municipais de Rolândia, no Norte paranaense, uma das maiores cidades do estado a ter confronto entre apenas dois candidatos. Na visão do atual prefeito – que foi eleito em dezembro de 2015 em um processo eleitoral suplementar – o comportamento nestas eleições é parecido com o de torcidas de futebol.

“Se você não quer o atual prefeito, você vai automaticamente para o outro lado. Se tivesse uma terceira opção, isso dividiria um pouco as opiniões”, diz Luiz Francisconi Neto (PSDB).

Motivos

O fato de a maioria das cidades do Paraná ter apenas dois candidatos ao cargo de prefeito, de acordo com o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, está relacionado à crise estrutural pela qual passa a gestão dos municípios.

“Nas eleições de 2012, 76% dos prefeitos que podiam sair à reeleição foram candidatos. Agora, este número não chega a 60%. Ninguém mais quer correr o risco de ser prefeito”, afirma Paulo Ziulkoski.

Segundo ele, a falta de recursos para a manutenção dos serviços municipais e o excesso de condenações de prefeitos por atos à frente da administração municipal afugentam pretendentes ao cargo.

“As pessoas que procuram olhar com um pouquinho mais de atenção jamais aceitam concorrer para prefeito. Os que se candidatam são ingênuos que acham que podem ir e fazer muita coisa. Os que, de fato, conhecem a situação não vão”, diz.

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