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Levy: ministro da Fazenda é o principal alvo de insatisfação do PT | Fernando Bizerra Jr./EFE
Levy: ministro da Fazenda é o principal alvo de insatisfação do PT| Foto: Fernando Bizerra Jr./EFE

Insatisfeitos

Dirceu articula novo grupo no PT para fazer "oposição" a Dilma

Na sexta-feira, o blog do ex-ministro José Dirceu continha críticas à política econômica. Condenado no processo do mensalão e novo alvo da Operação Lava Jato, Dirceu tem recebido, desde novembro, uma romaria de petistas que se queixam do governo Dilma. As reuniões ocorrem em sua casa no Lago Sul, em Brasília, onde ele cumpre prisão domiciliar. Ressentido com Dilma, Lula e a cúpula do PT, Dirceu tenta dar voz de comando a seu grupo no partido para criar um novo campo político, crítico ao governo.

Na linha de tiro, a política econômica também foi alvejada, nos últimos dias, pelo vice-presidente do PT, Alberto Cantalice, e pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao partido. No Twitter, Cantalice definiu como "erro" o veto de Dilma à correção da tabela do Imposto de Renda de pessoas físicas em 6,5% (a correção será de 4,5%). No diagnóstico do Boletim de Conjuntura da Perseu Abramo, o ajuste fiscal adotado é criticado por aprofundar as "tendências recessivas" da economia.

  • Dirceu: ressentido com Dilma

Às vésperas de completar 35 anos, o PT está em ebulição em razão das medidas impopulares na economia, como aumento de impostos e mudanças no seguro-desemprego. As críticas se espalham e o governo tenta evitar que a insatisfação seja formalizada no próximo dia 6, quando haverá reunião do Diretório Nacional petista, em Belo Horizonte, e um ato para comemorar o aniversário do partido.

Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula são os convidados de honra da festa, que ocorrerá em momento difícil para o PT e sua principal corrente, a Construindo um Novo Brasil (CNB), afastada do "núcleo duro" do Planalto. Tudo está sendo preparado para abafar o tiroteio interno – que aparece na esteira de queixas sobre a condução do governo, o isolamento de Dilma e a perda de espaço do grupo de Lula no 1.º escalão.

Nos bastidores, porém, deputados, senadores e até dirigentes do PT manifestam incômodo com o fato de Dilma, em seu segundo mandato, só apresentar um "saco de maldades" para a população, sem qualquer agenda positiva, e reclamam do custo político das medidas.

"Quando o ministro da Fazenda [Joaquim Levy] diz que o atual modelo do seguro-desemprego é completamente ultrapassado, precisamos saber o que ele propõe para pôr no lugar, porque estamos falando de proteção ao trabalhador", diz o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), numa referência à entrevista do ministro ao jornal inglês Financial Times, na semana que passou."Nós somos a favor de combater as fraudes, mas vamos retirar da proposta do governo tudo o que vier para prejudicar os trabalhadores e revogar direitos", afirma Teixeira.

Semelhanças com Lula

A polêmica que atormenta o 2.º mandato de Dilma, com cortes de gastos e juros altos, lembra a queda de braço do início do governo Lula, em 2003, entre monetaristas e desenvolvimentistas. Na época, Antônio Palocci era ministro da Fazenda, Levy comandava a Secretaria do Tesouro Nacional e o PT gritava, como hoje, contra a ortodoxia da política econômica.

"Mesmo que pessoas do PT encarem o que estamos fazendo como ajuste antissocial, nós precisamos ter responsabilidade", diz o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini. "Temos um patrimônio de seguridade social que muitos países não têm e, para que tudo isso resista às mudanças na economia, é necessário, de tempos em tempos, fazer ajustes, porque o orçamento é finito." Berzoini destaca que a previdência pelo INSS, somada ao seguro-desemprego, consumiu, nos últimos doze meses, R$ 460 bilhões. "Para que as conquistas obtidas com a Constituição de 1988 sejam preservadas, governo e Congresso não podem ficar omissos diante de distorções", diz ele , que foi ministro da Previdência no governo Lula.

Na tentativa de amenizar o bombardeio na direção do Planalto, o senador Humberto Costa (PE) diz que o PT está aberto a discussões. "Criticar é normal. Não se pode confundir o partido com o governo", argumenta Costa, que é líder do PT no Senado. Na sua avaliação, medidas duras são necessárias para retomar o "núcleo" do projeto de crescimento com distribuição de renda.

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