O governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), fez nesta terça-feira (21) seu primeiro pronunciamento após retornar ao cargo depois de nove dias de prisão. Ele comentou a Operação Mãos Limpas da Polícia Federal, que o deteve junto com mais 17 pessoas, e reclamou de não ter sido ouvido ainda no inquérito do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A acusação é de que o governador está envolvido em um esquema de desvio de recursos do estado. Ele falou por pouco mais de dez minutos e não respondeu a perguntas.

"O que eu passei eu não desejo para ninguém. A prisão, ter sua casa vasculhada diante de seus filhos, ter sua vida pessoal devassada, tudo isso sem ter sido interrogado em momento algum, sem nenhum julgamento prévio, sem dispor do direito de ampla defesa, do contraditório, sem direitos fundamentais da democracia", afirmou.

Pedro Paulo disse ter "certeza" de sua inocência e reclamou de não ter tido acesso ao inquérito. O governador questionou quem teria se beneficiado com o escândalo no estado.

"A quem interessou todo esse tumulto, toda essa confusão? Quem se beneficiou com isso? Com certeza não fui eu. Fale com seu vizinho, seu amigo, quem está levando vantagem com isso? Quem tirou proveito e jogou o nome do Amapá na lama?", questionou o governador.

Ele agradeceu a presença de militantes no aeroporto na sua chegada ainda na segunda-feira (20). Pedro Paulo afirmou que vai continuar seu trabalho e que sua prioridade é "continuar a mudar a vida dos amapaenses". Ele concluiu afirmando que continuará sua luta política "Mesmo se for para ter a vida ceifada eu vou continuar lutando".

Operação

A operação da Polícia Federal investiga um suposto esquema de desvio de recursos da União que eram repassados à Secretaria de Educação do Estado do Amapá, provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).

Foi constatado, de acordo com a PF, que a maioria dos contratos administrativos firmados pela Secretaria de Educação não respeitavam as formalidades legais e beneficiavam empresas previamente selecionadas em vários órgãos da administração pública.

Na operação, foram mobilizados 600 agentes federais para cumprir 18 mandados de prisão temporária, 87 mandados de condução coercitiva e 94 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em uma casa do presidente do Tribunal de Contas do Amapá, a PF encontrou R$ 1 milhão, cinco carros de luxo – entre os quais uma Ferrari e uma Maserati – e duas armas.

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