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Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, envia mensagem de celular: “anos de sofrimento”, mas sem ter perdido a esperança | Ueslei MarcelinoReuters
Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, envia mensagem de celular: “anos de sofrimento”, mas sem ter perdido a esperança| Foto: Ueslei MarcelinoReuters

Comemoração

"Pensei até em dançar samba", diz prefeito de cidade sueca

A decisão brasileira de optar pela compra dos caças Gripen repercutiu mal nos EUA e na França – países que produzem as aeronaves derrotadas na concorrência – e surpreendeu os suecos.

O jornal The New York Times deu destaque ontem ao assunto: "Brasil esnoba Boeing em negócio de aviões de caça", dizia o título da reportagem na capa do caderno de economia do jornal norte-americano. O Times cita que a decisão do governo brasileiro foi tomada num momento em que as relações com os EUA azedaram, após o episódio da espionagem norte-americana sobre a presidente Dilma Rousseff. A Boeing, fabricante do caça F-18, segundo a reportagem, disse estar "decepcionada".

Já a fábrica francesa Dassault, que produz o caça Rafale, também lamentou não ter sido a escolhida. Em nota, a empresa destacou que o modelo sueco Gripen "é equipado com muitos itens de terceiros, especialmente dos EUA" e que, por isso, não pertence à mesma categoria do preterido Rafale. O presidente da França, François Hollande, afirmou que o Brasil "queria um avião menos sofisticado e mais barato".

Na Suécia, porém, a decisão brasileira foi definida pela imprensa local como surpreendente. "Essa é uma notícia boa para o emprego dos suecos e para a economia sueca", disse o primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt. Paul Lindvall, prefeito de Linköping, cidade onde está instalada a fábrica da Saab, fabricante do Gripen, comemorou: "Pensei até em dançar samba ao redor da nossa árvore de Natal", disse.

Agência Estado

Enquanto não recebe os 36 novos caças Gripen para reequipar a Força Aérea Brasileira (FAB), o que só vai ocorrer a partir do fim de 2018, o governo brasileiro deve receber "emprestado" da Suécia de 6 a 12 aviões do mesmo modelo, mas da atual geração tecnológica (os novos serão mais completos). Os governos brasileiro e sueco já estão discutindo os temos do acordo, que envolve o empréstimo de aeronaves da força aérea sueca.

O empréstimo dos aviões da Suécia é visto como necessário pela Aeronáutica porque os atuais caças da FAB – os franceses Mirage – estão com a vida útil acabada e não serão mais usados a partir do próximo dia 31. Até que os Gripen da nova geração cheguem, o país teria então de fazer a defesa aérea com outras aeronaves menos velozes e equipadas. Com os aviões emprestados, o país manteria uma pequena frota de caças de combate.

A oferta do "empréstimo" já havia sido feita pelo governo sueco como parte da negociação para a compra dos 36 Gripen. Mas isso exigirá que a FAB negocie um novo pagamento que ainda não está incluído no orçamento – a negociação envolvendo as novas aeronaves deve custar ao país US$ 4,5 bilhões até 2023. Na quarta-feira, após o anúncio da escolha pelos caças suecos, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, havia afirmado que pretende "pechinchar ao máximo" para reduzir os custos para os cofres públicos.

O primeiro desembolso do Brasil será após o recebimento da última aeronave. Com os "empréstimos" que devem ser realizados, contudo, o valor pode ser ainda maior. A Força Aérea informa ainda que tentará antecipar o prazo de entrega dos novos Gripen.

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