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De acordo a investigação, Abi Antoun “exerce inegável influência na administração pública, a despeito de não ocupar formalmente nenhum cargo público ou político”. | Roberto Custodio/Jornal de Londrina
De acordo a investigação, Abi Antoun “exerce inegável influência na administração pública, a despeito de não ocupar formalmente nenhum cargo público ou político”.| Foto: Roberto Custodio/Jornal de Londrina

O empresário Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB), seria o “verdadeiro gestor” da Receita Estadual, segundo o auditor fiscal Luiz Antônio de Souza, que fez um acordo de delação premiada com o Ministério Público do Paraná. As declarações de Souza são os pilares da segunda fase da Operação Publicano, deflagrada nesta quarta-feira (10), pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O Gaeco investiga uma suposta organização criminosa formada por auditores fiscais, contadores e empresários para facilitar a sonegação fiscal mediante o pagamento de propina.

Em nova fase, Publicano centra fogo em núcleo político da Receita Estadual

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Esquema criminoso

Segundo o promotor Jorge Barreto, são investigados os crimes de corrupção e sonegação fiscal, concentrados na delegacia regional de Londrina (norte do Paraná). “É a mesma organização criminosa, mas identificamos novos crimes e novos integrantes”, afirmou.

Quinze auditores fiscais baseados em Londrina já foram denunciados, em abril, sob acusação de anular dívidas milionárias de empresas em troca do pagamento de propina. Há indícios de que o esquema exista em outras regionais.

Agora, novos fatos foram descobertos pela polícia e pelo Ministério Público, a partir do depoimento de outras vítimas do esquema e também de auditores que resolveram colaborar com a Justiça, fazendo acordos de delação premiada.

Os auditores, segundo o Gaeco, escolhiam uma empresa para ser “trabalhada”. Avisavam sobre dívidas tributárias e ameaçavam com multas altíssimas. Ofereciam, então, uma saída: propina. “Os que não aceitavam [pagar] recebiam retaliações. Quem aceitava não era autuado, ou recebia uma multa bem menor”, afirma Barreto.

Desde as primeiras horas da manhã, foram cumpridos 47 mandados de prisão em dez cidades paranaenses: Londrina, Cambé, Apucarana, Arapongas, Ibiporã, Cornélio Procópio, Rolândia, Assaí e Curitiba. Ao todo, foram decretadas 59 prisões preventivas: 10 na capital paranaense e outras 49 no interior. No final da manhã, 28 presos foram levados da sede do Gaeco para a Penitenciária Estadual de Londrina II (PEL II) num ônibus da Polícia Militar. Os mandados de prisão atingem membros da alta cúpula da Receita.

Abi Antoun também teve a prisão decretada, mas ainda não foi localizado pelo Gaeco. Outros mandados estão sendo cumpridos.

“Eminência parda”

De acordo a investigação, Abi Antoun “exerce inegável influência na administração pública, a despeito de não ocupar formalmente nenhum cargo público ou político”. O parente do governador também foi alvo de outra operação do Gaeco, a Valdemort, que investigou fraudes em um contrato emergencial de manutenção da frota oficial do estado. A suposta influência do primo foragido teria começado em 2010, com a eleição de Richa.

Prisões

Até o momento, foram presos Márcio de Albuquerque Lima, considerado o líder do grupo e que foi inspetor geral de fiscalização da Receita entre julho do ano passado e março desse ano; Lidio Franco Samways Junior, que assumiu o posto de inspetor geral deixado por Lima; José Aparecido Valêncio da Silva, ex-coordenador geral da Receita, que deixou o cargo em maio, em meio às investigações; e Jaime Kiochi Nakano, ex-inspetor da Receita da Londrina e que hoje trabalha em Curitiba. Também foi preso J oão Marco Souza, auditor de Curitiba.

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