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O lobista Adir Assad - pivô do escândalo da construtora Delta, em 2012 - permaneceu calado durante seu interrogatório nesta terça-feira, 17, aos delegados da Polícia Federal. Assad foi um dos presos na Operação Que País é Esse, décima fase da Lava Jato, deflagrada um dia antes, que teve como alvo central o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque.

A PF quis saber se Assad fez parte da engrenagem usada para desviar e lavar o dinheiro da propina paga por empreiteiras do cartel nas obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. A obra de R$ 2,2 bilhões teria sido alvo de desvios de pelo menos R$ 84,6 milhões, afirma a força-tarefa do Ministério Público Federal.

Denúncia criminal contra Duque, Assad e outros 25 envolvidos, oferecida à Justiça Federal na segunda-feira, 16, esclarece o caminho do dinheiro da propina que passou pelo lobista antes de chegar ao ex-diretor de Serviços - também preso na segunda-feira - e seu ex-braço direito Pedro Barusco (que era gerente de Engenharia).

Um mapa desenhado pelos procuradores da Lava Jato mostra que do total desviado das obras da Repar via Consórcio Interpar (Mendes Jr, MPE e SOG), R$ 36,4 milhões passaram por cinco empresas de fachada controladas pelo lobista (Rock Star, Power, Soterra, Legend e SM).

“Adir Assad controlava uma complexa estrutura de empresas”, afirmou o procurador Deltan Dellagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato. As empresas citadas na Lava Jato são parte da lavanderia criada pelo lobista e que foi usada no escândalo envolvendo a construtora Delta e o bicheiro Carlos Cachoeira.

O destino final do dinheiro desviado da Repar era a cota da propina para Duque e Barusco - indicados pelo PT aos cargos que ocupavam para operar uma arrecadação de 2% nos contratos da estatal.

O mapa da Lava Jato mostra que a propina ia da estrutura de lavagem criada por Adir para os dois agentes públicos de duas forma: em espécie entregues diretamente ao ex-diretor e ex-gerente da estatal, ou via contas no exterior que os dois mantinham (contas Dole Tech e Rhea), passando antes por uma conta de outro lobista, Mário Góes (Maranelle).

“Assad ou retornava os recursos em espécie permitindo que os recursos, à partir daí, fossem usados para pagar propina sem que ficasse rastro do dinheiro ou ele providenciava os pagamentos diretamente no exterior”, explicou o procurador, em entrevista na segunda-feira.

Ontem, Assad permaneceu calado ao ser questionado pela PF se ele era sócio das cinco empresas de fechada. Os delegados ouvira ainda Sônia Branco, Dário Teixeira Alves Júnior. O lobista foi questionado se havia depositado dinheiro em conta no exterior de Mário Góes para repasse a Duque e Barusco e sobre sua relação com o delator Augusto Mendonça e outros investigados. Ele permaneceu calado.

Apenas negou conhecer ou ter falado com Mendonça, da Setal Óleo e Gás (SOG), que confessou ter pago propina na Diretoria de Serviços e na de Abastecimento, via estruturas criadas por quatro operadores alvos da Lava Jato: Assad, Góes, Alberto Youssef e João Vaccari Neto - tesoureiro do PT.

O advogado Miguel Pereira, que defende Adir Assad, rechaçou enfaticamente as suspeitas contra seu cliente. Pereira não admite a comparação dos investigadores que atribuem a Assad o papel de operador de propina. “Assad é um engenheiro civil de formação, sempre trabalhou em obras, efetivamente trabalha em obras”, declarou Miguel Pereira.

Assad é apontado pela PF como operador de propinas da empreiteira Delta, alvo de outro escândalo envolvendo o contraventor Carlinhos Cachoeira, em 2012.

Miguel Pereira disse que “existem elementos para buscar a revogação dessa prisão preventiva”. “A situação (de Assad) não preenche nenhum requisito para a prisão preventiva”, pondera o advogado.

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