José Dirceu não é a sombra do que foi, mas sua nova prisão, ainda que fosse a bola mais cantada no mundo político atual, tem consequências significativas, no curto e médio prazos.

A primeira delas é jurídica. A situação de Dirceu é bem mais complicada do que a de outros alvos da Lava-Jato. O petista ainda cumpre pena pela condenação no mensalão. Ganhou da Justiça o chamado benefício de progressão do regime, deixando a cadeia para cumprir o restante da pena em prisão domiciliar. Agora, é possível que, provocado pelo Ministério Público, a Justiça reveja esse benefício.

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Dirceu teria instituído o esquema quando ainda era ministro-chefe da Casa Civil do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Pesa contra Dirceu o fato de que parte dos pagamentos recebidos do lobista Milton Pascowitch foram feitos no período em que ele estava preso. Segundo o próprio Pascowitch, tratava-se de propina. Portanto, em tese, Dirceu não tinha exatamente o “bom comportamento” que o levou para casa.

Também é certo que o passado do mensalão terá impacto numa eventual futura condenação do petista na Lava Jato, quando o seu histórico será levado em conta.

É bom lembrar que a prisão ocorre ao mesmo tempo em que o ex-diretor da Petrobras Renato Duque negocia um acordo de delação premiada com os procuradores do Ministério Público. Indicado exatamente por Dirceu para o cargo, ele é apontado por outros delatores como peça-chave na engrenagem que, supostamente, desviava dinheiro da estatal para as campanhas eleitorais petistas. Não sem razão, a notícia desta negociação reforçou o sentimento de pânico no mundo político.

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Politicamente, também há implicações. Mesmo estando longe de ser o presidenciável do início da era Lula, Dirceu ainda exerce um magnetismo na militância petista, já abatida pela sequência de golpes a que foi submetida.

A prisão pode ainda insuflar os protestos contra Dilma Rousseff, marcados para o dia 16 de agosto. As manifestações anteriores, diga-se, já haviam se notabilizado pelo caráter antipetista, extrapolando a insatisfação contra a presidente. A depender da adesão, podem deixar ainda vulnerável o governo, que vai encarar, fragilizado, o retorno de um Congresso frenético.

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