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Osmar Serraglio (PMDB-PR) | Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados/Arquivo
Osmar Serraglio (PMDB-PR)| Foto: Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados/Arquivo

O novo ministro da Justiça e da Segurança Pública, o deputado federal pelo Paraná Osmar Serraglio (PMDB), disse que sua nomeação para a pasta não significa “nenhuma alteração” na Operação Lava Jato. “Não muda nada. Não temos nada a ver com a Lava Jato. A Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça apenas administrativamente. A PF tem total autonomia. E a Lava Jato é do sistema Judiciário. O caso é deles”, afirmou o paranaense, em entrevista à Gazeta do Povo por telefone, no início da noite desta quinta-feira (23).

Serraglio falava de Umuarama, sua principal base eleitoral no Paraná, onde inicialmente planejava passar o feriadão de carnaval. Agora, após a confirmação de seu nome no governo Temer, já se organiza para antecipar o retorno a Brasília.

Perfil técnico e político

Serraglio chega à pasta da Justiça na esteira da pressão feita pelo PMDB por mais espaço no governo federal. Especialmente após a nomeação do tucano Antonio Imbassahy para a Secretaria de Governo – no lugar de Geddel Vieira Lima (PMDB) -, os peemedebistas passaram a cobrar o presidente Temer por mais participação na Esplanada dos Ministérios.

O paranaense conta que foi levado pelo próprio líder da bancada do PMDB na Câmara dos Deputados, Baleia Rossi (SP), para conversar com o presidente Temer. No encontro, Rossi teria reforçado ao presidente Temer o “perfil técnico e político” do paranaense. “O Baleia Rossi lembrou que eu tenho mestrado em Direito, fui professor de Direito, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, e que eu estou no quinto mandato como deputado federal, sempre pelo PMDB. Ou seja, que eu tinha um perfil técnico e também político”, explicou Serraglio.

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Inexperiência na segurança pública

No currículo, contudo, falta experiência na área de Segurança Pública. “Eu vou buscar os especialistas”, respondeu Serraglio à reportagem. Entre os nomes lembrados por ele foi o da ex-secretária de Justiça do Paraná, ainda no primeiro mandato de Beto Richa (PDSB), Maria Tereza Uille Gomes. Eleita para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em dezembro do ano passado, Maria Tereza também foi cotada para substituir Alexandre de Moraes na pasta da Justiça. “Gostaria muito que ela me ajudasse, pela extrema competência”, comentou Serraglio.

Questionado sobre o nome do advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, que está sendo sondado pelo presidente Temer para assumir a área de Segurança Pública no âmbito da pasta da Justiça, Serraglio disse que o vê como uma “pessoa extremamente preparada”.

Eduardo Cunha

Serraglio também voltou a rechaçar qualquer vínculo com o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB), hoje preso da Lava Jato. No comando da CCJ no ano passado, ele destaca que os próprios integrantes do colegiado reconheceram depois que não houve manobra para postergar a análise do recurso de Cunha. “O que me alinhava a Cunha era o movimento pelo impeachment de Dilma Rousseff. Houve uma união de forças naquele momento”, enfatizou ele.

Resistência no PMDB

Serraglio admite que inicialmente havia uma resistência ao seu nome dentro da própria bancada do PMDB na Câmara, especialmente por causa do episódio envolvendo a eleição da Mesa Diretora da Casa, no começo do mês. A despeito da decisão da bancada do PMDB, que oficialmente lançou Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) para a vaga de primeiro vice-presidente da Casa, o paranaense manteve sua candidatura.

Serraglio não ganhou a disputa, mas fez mais votos do que o candidato oficial.

“Eles [bancada do PMDB] estavam resistentes [para me indicar ao ministério da Justiça] por causa disso. Mas depois observaram que eu fiz muitos votos na eleição, que eu tinha uma densidade de apoios no plenário da Câmara”, contou Serraglio.

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O vencedor foi Fábio Ramalho (PMDB-MG), que, assim como Serraglio, também não tinha o respaldo oficial da bancada do PMDB para entrar na disputa.

Nesta quinta-feira (23), quando soube que Serraglio seria o novo ministro da Justiça, Ramalho protestou. Pertencente à bancada de Minas Gerais, Ramalho defendia o nome do deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), preterido em função das declarações contrárias ao poder de investigação do Ministério Público (MP), o que poderia trazer embaraços ao governo federal.

“Eu acho que ele [Ramalho] está sendo injusto. Não faltou oportunidade para a bancada de Minas Gerais indicar um nome. Mas houve problemas no percurso”, disse Serraglio, em referência a Rodrigo Pacheco, que de fato era a primeira opção da bancada do PMDB, mas não resistiu ao ter o histórico de críticas ao MP divulgado na imprensa.

O paranaense lembra ainda que o líder da bancada do PMDB, Baleia Rossi (SP), já confirmou que Rodrigo Pacheco assumirá a presidência da CCJ já em março.

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