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Da esquerda para a direita: Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves e Romero Jucá | Montagem
Da esquerda para a direita: Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves e Romero Jucá| Foto: Montagem

O presidente Michel Temer conseguiu reunir 21 partidos em sua base legislativa, mas é no próprio berço que estão surgindo os maiores obstáculos para sua governabilidade. O envolvimento de gente graúda do PMDB na Operação Lava Jato e a suspeita de interferência do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, na atuação do Instituto do Patrimônio Histórico e Nacional (Iphan), reforçam a avaliação de que Temer está cercado de inimigos íntimos, todos peemedebistas.

Desde o início da gestão Temer, em maio, dois ministros peemedebistas já deixaram os cargos em função das investigações da Lava Jato. Romero Jucá, do Planejamento, foi flagrado em conversa sugerindo um pacto para barrar a operação. Henrique Alves, do Turismo, foi citado em delação do ex-presidente da Transpetro Sergio Machado.

Mesmo após acusação, Temer diz que Geddel segue em seu governo

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Pelo menos por enquanto, Geddel Vieira permanece no cargo. Tal como ocorreu no episódio de Romero Jucá, Michel Temer orientou o subordinado a dar entrevistas para se explicar. Geddel falou com vários veículos e argumentou que não pressionou o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero para liberar um empreendimento imobiliário em Salvador, suspenso por determinação do Iphan. “Vou deixar o cargo por isso? Pelo amor de Deus”, disse Geddel ao jornal O Estado de S. Paulo.

Quem vai decidir se é caso de demissão é a Comissão de Ética Pública da Presidência. Os conselheiros decidiram, depois de um deles “pedir vista” e voltar atrás, abrir uma investigação contra Geddel. Se a conduta dele for considerada imprópria, a comissão pode sugerir uma advertência ou até a exoneração. A oposição vai tentar aproveitar o momento negativo para o PMDB e convocar Marcelo Calero e Geddel para uma acareação na Câmara.

A blindagem a Geddel é importante para Temer por vários motivos. O ministro é peça-chave nas negociações com o Congresso. Além disso, evita um “efeito cascata” sobre outros caciques do PMDB. A cada vez que um é alvejado, surgem novas acusações tentando derrubar outros nomes próximos a Temer.

Quando teve o mandato cassado, em setembro, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) fez várias insinuações contra Moreira Franco (PMDB-SP), secretário-executivo do Programa de Parceria para Investimentos (PPI). Após ser preso, em 19 de outubro, Cunha voltou a subir o tom contra o desafeto.

Nesta segunda-feira (21), Moreira Franco lavou as mãos sobre o caso de Geddel (PMDB-BA). Em Paris para um evento, disse que Temer “está muito preocupado” com as denúncias de corrupção e tráfico de influência feitas contra o articulador político de seu governo. “O PMDB não se organizou para fazer delito”, afirmou.

A imagem do partido, porém, sofreu vários golpes em poucos dias. No dia 16, o Rio de Janeiro viveu um dia de caos pelo início da tramitação do projeto de ajuste fiscal do governador peemedebista Luiz Fernando Pezão – o estado está falido. No dia 17, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) foi preso em um desdobramento da Lava Jato, acusado de desvio de dinheiro público. No dia 18, a procuradora-chefe do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná, Paula Thá, criticou o andamento do projeto das “Dez Medidas contra a Corrupção” no Congresso, conduzido por partidos da base de Temer.

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