Michel Temer voltou a pedir contribuição de todos para tirar o país da crise. | Ueslei Marcelino/Reuters
Michel Temer voltou a pedir contribuição de todos para tirar o país da crise.| Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Num momento de agravamento da crise política, com dissensões na base aliada e consecutivas derrotas no Congresso, o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), manteve o tom de apelo por um esforço conjunto contra o agravamento dos problemas.

Em palestra sobre “governança e governabilidade” no UniCeub na manhã desta quinta-feira (6), Temer deu recados aos que falam em crise institucional e saiu em defesa do país.

Reprovação de Dilma cresce, chega a 71% e supera a de Collor

O índice de reprovação ao governo da presidente Dilma Rousseff atingiu um recorde histórico. Com 71% de rejeição, superou as piores taxas registradas pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) registradas às vésperas do processo de impeachment.

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“Acho que vai continuar o diálogo. Eu realmente ontem [quarta, 5] resolvi fazer um apelo e fiz um apelo como articulador político do governo. É preciso que alguém faça este apelo e eu estou tomando, por isso, a liberdade de fazê-lo em nome do governo”, afirmou em entrevista coletiva ao final da palestra, ao ser questionado sobre a necessidade de fazer um novo apelo à base aliada.

Na quarta-feira (5), após se reunir com os líderes da base aliada e ministros do governo Dilma Rousseff, Michel reconheceu o agravamento da crise política e disse que o país precisa de “alguém [que] tenha a capacidade de reunificar a todos”.

Visivelmente nervoso, pediu a partidos políticos e setores da sociedade para que, juntos, “todos se dediquem a resolver os problemas do país”. Após dizer que o país precisa de alguém capaz de uni-lo, apresentou-se como esse agente político. “Caso contrário, podemos entrar em uma crise desagradável para o país”, sentenciou.

Embora continue a pedir apoio, quando perguntado nesta quinta-feira (6) sobre a saída do PDT da base aliada na Câmara dos Deputados, anunciada em plenário na quarta, Temer amenizou o discurso.

“Muitas vezes acontece uma dissensão. Isso é próprio da democracia. Temos uma base aliada de muitos partidos. Um ou outro pode, momentaneamente, se afastar.”

Ao anunciar que o partido deixava a base, o líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE), anunciou postura de independência da bancada. O PTB também disse que votará contra o governo nas próximas apreciações.

O líder do governo na Casa, José Guimarães (PT-CE), classificou a quarta-feira (5) como um “dia de cão” e desabafou, em tom de abatimento: “É preciso definir mais criteriosamente o que é base e o que não é. A base precisa ser refeita, com critérios de fidelidade, de fidelidade dos ministros. Fizemos o ajuste fiscal, agora é preciso fazer o ajuste político. Tem que mudar muita coisa.”

A palestra da qual Temer participou esta quinta-feira (6) também contou com o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello e Carlos Ayres Britto, ministro aposentado do STF.

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