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Presidente Michel Temer não conseguiu colocar em prática o governo da “ponte para o futuro”. | Beto Barata/PR
Presidente Michel Temer não conseguiu colocar em prática o governo da “ponte para o futuro”.| Foto: Beto Barata/PR

O governo de Michel Temer era para ser de “união nacional”. Um time de “notáveis”. Uma “ponte para o futuro”, que deixaria para trás o pandemônio político gerado pelo PT.

Era, mas nunca foi.

Com um pacote de promessas esfareladas e sob o tsunami da delação da Odebrecht, a gestão Michel Temer chega ao fim de 2016 sem saber se sobreviverá a 2017.

Segundo o Datafolha, 51% dos brasileiros consideram a gestão do peemebista ruim ou péssima e 45% não votariam nele de jeito nenhum para presidente em 2018 (maior rejeição entre 14 nomes, incluindo Lula, Aécio Neves e Jair Bolsonaro).

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Tem mais: 68% não acham que ele é o político mais adequado para o cargo, de acordo com o Paraná Pesquisas.

Digamos que Temer passe pelo julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as contas de campanha de 2014, que deve ocorrer em fevereiro. Haveria como reverter, rapidamente, essa espiral que impede o governo de se mexer?

Michel Temer tem números dignos de uma Dilma Rousseff, mas não é exatamente uma Dilma. A petista caiu pela soma de um quarteto fantástico de problemas: falta de apoio no Congresso, povo na rua, economia deteriorada e um megaescândalo de corrupção.

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Dessa receita para a queda, Temer reúne neste momento apenas os últimos dois ingredientes. Continua envolto na lama da corrupção – não à toa perdeu seis ministros. E com uma economia em estado vegetativo.

O bônus de Temer em relação a Dilma, por enquanto, é não estar na mira das ruas (apesar do descontentamento expresso nas pesquisas), nem do Congresso.

Os movimentos que reuniram milhões contra o PT estão de olho no atual presidente, mas até agora apenas setores de esquerda, menos volumosos, assumiram a linha de frente do Fora Temer. Mesmo acovardados pela Lava Jato, os parlamentares sabem que, para eles, é melhor com Temer do que sem ele.

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Se tiver habilidade (e estômago) para fazer uma reforma ministerial que ceife os “angorás” (apelido do secretário de Parcerias de Investimento, Moreira Franco, segundo executivos da Odebrecht) e “primos” (codinome do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha), ganharia um pouco mais da paciência das ruas e da credibilidade para votar medidas econômicas.

Fazer a limpa na Esplanada é um recado de que ele definitivamente não faz planos para 2018.

No fundo, a ficha que precisa cair para Michel Temer é de que ele não precisa ser o cara mais popular da República, contanto que não se mantenha como o mais impopular.

Cortar na carne, o que inclui essencialmente limar velhos amigos instalados no Palácio do Planalto, pode custar um Natal tenso no Jaburu, mas pelo menos mantém a esperança de um ano-novo melhor.

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