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Brasília

Temer tenta controlar PMDB, que fala em deixar governo Dilma

Vice-presidente convocou uma reunião com os principais dirigentes para esta quarta. Integrantes do partido reforçaram a ameaça de deixar a base após a frustração de conseguir mais espaço nos ministérios

  • PorGazeta do Povo, com agências
  • 14/01/2014 16:43

O vice-presidente Michel Temer tentará conter a irritação no PMDB, contrariado com a informação de que a presidente Dilma Rousseff dificilmente dará mais um ministério à legenda na reforma do primeiro escalão que deve começar no final deste mês. Para fazer um relato detalhado da conversa com Dilma e tentar acalmar os ânimos no partido, Temer convocou uma reunião com os principais dirigentes peemedebistas para quarta-feira (15). Integrantes do partido reforçaram a ameaça nesta terça (14) de deixar a base de apoio do governo federal após a frustração do partido conseguir mais espaço no comando dos ministérios.

Dilma disse a Temer, que é presidente licenciado da legenda, numa longa reunião na segunda-feira (13) que enfrenta dificuldades para atender ao pedido do PMDB, porque terá que usar parte das nomeações para abrigar novos aliados na reforma ministerial, segundo relato de uma fonte do Palácio do Planalto. Com isso, os peemedebistas devem ter que se contentar com o comando das atuais cinco pastas (Agricultura, Minas e Energia, Turismo, Aviação Civil e Previdência).

A informação deixou a cúpula peemedebista surpresa e irritada, segundo membros do partido. O partido dava como certa a escolha do senador Vital do Rêgo (PB) para o Ministério da Integração Nacional, que estava sob comando do PSB, que deixou o governo em setembro para ter uma candidatura própria à Presidência.

Há demandas do PP, que hoje comanda o Ministério das Cidades e quer assumir pelo menos mais uma pasta, do PSD, que comanda a pasta de Micro e Pequenas Empresas e já se comprometeu a apoiar a reeleição de Dilma, e do recém-criado Partido Republicano da Ordem Social (Pros), do PTB, que reivindica um ministério, entre outras.

A conversa não será fácil, na avaliação de um peemedebista que falou com a Reuters sob condição de anonimato. "O cenário é difícil, porque se junta às dificuldades das alianças estaduais (entre PT e PMDB), à situação no Maranhão (onde a governadora Roseana Sarney enfrenta uma crise no sistema penitenciário e depende da ajuda do governo federal) e à questão do Vital", afirmou, referindo-se ao senador.

Além disso, desde o final do ano passado há pressão por parte da cúpula do partido para antecipar a convenção partidária que definirá se o PMDB continuará ou não aliado a Dilma pela reeleição. Os defensores da antecipação querem pressionar o PT e a presidente a apoiar peemedebistas em algumas alianças regionais.

Essa ideia, segundo uma das fontes do PMDB, deve voltar com mais força agora. "Isso já estava na mesa, por causa das alianças regionais. Não é uma novidade", minimizou o presidente em exercício do PMDB, senador Valdir Raupp (RO). Ele afirmou que Temer pediu aos peemedebistas para não ampliar a polêmica sobre a reforma ministerial nesse momento e que Dilma deixou claro que ainda não havia uma decisão final sobre a reforma.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), disse que o ideal é que a reforma ministerial sirva para "consolidar o apoio parlamentar ao governo" e também "ajude na aliança eleitoral" para a reeleição. "Mas essa é uma decisão da presidente", disse. "(É) hora de muita responsabilidade e de esperar", deu o tom o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (RN), que se juntará ao presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e aos líderes do PMDB no Congresso para conversar sobre as pretensões do partido na Esplanada.

Temer teria dito à Dilma que ao não atender à reivindicação do partido poderia haver implicações na aliança nacional e que teria dificuldades de contornar esse problema. "Mas a presidente não se mostrou tão sensível", relatou uma das fontes.

Vital do Rêgo, que aguardava a indicação para o ministério, evitou comentar a situação, argumentando que só estava envolvido na questão "por fruto de um acordo inédito entre (os peemedebistas da) Câmara e Senado". "Não me cabe avaliar se o partido deve ter mais espaço ou está subdimensionado no governo", disse.

O Palácio do Planalto ainda vê o gesto de ameaçar sair do governo como blefe do PMDB e, ao menos por ora, duvida de uma saída drástica como essa. No encontro de segunda, a presidente disse que o PSD de Gilberto Kassab está subrepresentado, e que PTB e Pros ainda não tem cargos no primeiro escalão. Ambos ficaram de falar novamente. Ao deixar a reunião na quarta, Temer seguiu para sua residência oficial, onde se encontrou com integrantes da cúpula peemedebista para comunicá-los da posição do Planalto sobre a reforma ministerial.

Nos bastidores, diversos integrantes da legenda começaram a circular a proposta de antecipar a convenção partidária, alternativa enfaticamente negada pelo vice em dezembro, quando os mesmos rumores começaram a circular.

No mês passado, durante encontro com jornalistas, ele havia dito que, se o PMDB seguisse esse caminho, não haveria volta. À época, afirmou que a legenda não poderia antecipar a convenção, desembarcar do governo, ser atendido e, então, fazer outra convenção para voltar. Ele também afirmou, à época, que tal manobra poderia custar a vice ao PMDB, o que não seria vantajoso para a sigla e muito menos para ele.

Dilma informou nesta segunda que pretende manter o Ministério das Cidades nas mãos do PP, o que contrariou os peemedebistas. Além do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que concorrerá a uma vaga na Câmara dos Deputados este ano, Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Alexandre Padilha (Saúde) devem deixar o governo nos próximos dias. A saída destes ministros dará largada a mudanças nos ministérios, oportunidade em que a presidente poderá atender às "demandas" dos partidos aliados.

O clima no PMDB é o pior possível. Conhecido pelo apetite por cargos, a ameaça de desembarque do governo é vista com ceticismo no Executivo. E é justamente com isso que Dilma conta. O PMDB teria dificuldades de migrar para a campanha de Eduardo Campos (PSB-PE) à Presidência da República, diante da resistência da ex-senadora Marina Silva em receber uma legenda tida, em sua maior porção, como fisiológica. No PSDB, com a provável candidatura do senador Aécio Neves (MG), o ingresso é visto como mais fácil. O rompimento, porém, é uma decisão difícil.

O objetivo do governo é não perder apoio de legendas hoje na base do governo. Quanto mais partidos na chapa de um candidato, mais tempo de TV esse candidato terá para fazer sua campanha. O cálculo de Dilma é justamente esse: ampliar sua hegemonia para divulgar seu programa de TV.

PMDB quer voltar à 'cota ministerial' do governo Lula

A cúpula do PMDB passou a defender que o partido volte a ter a "cota ministerial" que já teve no governo Lula, após a reunião de Dilma e Temer na segunda sobre a reforma ministerial. "Sinceramente, não tem acerto político, não tem acerto administrativo, o que estamos fazendo neste governo?", criticou um cacique peemedebista envolvido nas negociações. "Por que vou dar os cinco minutos de TV do PMDB para o PT? Hoje em dia a aliança só interessa aos petistas."

Atualmente, os peemedebistas ocupam cinco ministérios: Agricultura, Previdência Social, Aviação Civil, Turismo e Minas e Energia. O governo Dilma tem 39 ministérios, dois deles criados na sua gestão. Na era Luiz Inácio Lula da Silva, o partido já comandou até seis pastas, de maior peso político do que agora: Saúde, Comunicações, Integração Nacional, Defesa, Agricultura e Minas e Energia.

Desde que o socialista Fernando Bezerra deixou o comando da pasta, em outubro do ano passado, a Integração Nacional virou alvo de cobiça dos peemedebistas. Além da capilaridade, especialmente no Nordeste, a pasta é responsável pela Transposição do Rio São Francisco, uma das principais obras em curso no governo. Dilma, entretanto, indicou um técnico para o cargo.

A resistência da presidente em indicar Vital do Rêgo tem sido interpretada pelos peemedebistas, nos bastidores, como sinal de que ela poderia contemplar o PROS do governador do Ceará, Cid Gomes, na reforma ministerial. A eventual entrega da Integração Nacional para o PROS é considerada como "inadmissível" por um cacique peemedebista. O irmão de Cid, Ciro Gomes, afirmou certa vez que o PMDB é um "ajuntamento de assaltantes". Se não forem contemplados com a Integração Nacional, os peemedebistas querem, pelo menos, um ministério de idêntico quilate. Passaram a cortejar o Ministério das Cidades, mas Dilma já avisou Temer que a pasta deve ficar nas mãos do PP.

Outra preocupação dos peemedebistas é com a falta de definição quanto às alianças regionais de candidatos do partido com o PT e demais integrantes da base aliada. Estados como Piauí, Rio de Janeiro, Amazonas e Ceará devem registrar disputas entre aliados. A avaliação geral é de que a costura não deslanchou desde novembro passado, quando foi eleita a nova direção do PT. Ao contrário, em alguns locais a situação está ainda pior. No Rio de Janeiro, a disputa pode ter, de um lado, o petista Lindbergh Farias e, de outro, o peemedebista Luiz Fernando Pezão. na segunda, o deputado federal Marcelo Castro (PMDB-PI) participou de uma reunião com Temer, logo após ele ter falado com Dilma. Comunicou aos presentes que vai disputar o governo do Piauí contra o líder do PT no Senado, Wellington Dias.

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