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Aprenda a cultivar os seus relacionamentos

A tecnologia e o imediatismo parecem dificultar relações duradouras atualmente, mas nem tudo esta perdido: conheça belas histórias de amor e amizade que se fortaleceram com o passar dos anos

Em sentido horário, a partir da moça de camisa xadrez: Viviane Salatiel, Bruna Ratzke, Milena Figueiredo, Aline Pasqueti Kuss, Antonielle Cunningham e Caroline Atalla. Fotos: Mel Gabardo/Gazeta do Povo

Em sentido horário, a partir da moça de camisa xadrez: Viviane Salatiel, Bruna Ratzke, Milena Figueiredo, Aline Pasqueti Kuss, Antonielle Cunningham e Caroline Atalla. Fotos: Mel Gabardo/Gazeta do Povo

No início de abril, a Suprema Corte de Nova York (EUA) tomou uma decisão inédita: permitiu que a ganesa Ellanora Baidoo pedisse o divórcio a seu marido, o também ganês Victor Blood-Dzraku, pelo Facebook, de acordo com o jornal New York Daily News. Como ela não conseguia contactá-lo em nenhum telefone ou endereço, o juiz Matthew Cooper achou por bem autorizar que a notificação fosse feita por meio da rede social. O caso é, até o momento, a expressão máxima de como a internet facilita não só encontros e enlaces, mas também separações.

Em 1985, Marina Colasanti dava uma pista de como os novos tempos impactariam nos relacionamentos. “Pertencemos à geração do descartável, desinventamos o duradouro”, escreveu ela no livro de ensaios E Por Falar em Amor…, publicado naquele ano. Hoje, a escritora, jornalista e tradutora afirma que as relações interpessoais estão em constante transformação: “As questões de comportamento mudam progressivamente, ou seja, estão sempre em movimento. Queremos respostas, mas não há tantas respostas. O que eu posso dizer é que o futuro amoroso e de amizade ficou parecendo mais fácil. Ficou parecendo mais fácil encontrar outras pessoas, ficou parecendo que ‘amanhã a gente dá um jeito’. As relações se estabelecem num piscar de olhos, mas porque é tão fácil fazer, também é mais fácil desfazer”.

Para a psicóloga Márcia Mathias, as pessoas não se permitem dar tempo de cultivar uma amizade. “Elas se envolvem alucinadamente com alguém, mas em seguida acabam não ligando, não mandando um recado. Os relacionamentos não se aprofundam, ficam superficiais.” E quando se encontram pessoalmente, em carne e osso, as pessoas são mais atraídas pela tela do smartphone do que pelo olho no olho. “Em qualquer barzinho, tem seis amigos numa mesa, todos no Whatsapp, sem interagir entre si. Você tem uma multidão de contatos no celular, mas, na verdade, não tem ninguém.” O resultado, conta ela, é uma sensação de vazio que tem lotado consultórios de psicologia. Segundo a especialista, a tecnologia avança e os meios de socialização mudam, mas as necessidades humanas continuam as mesmas. “O homem é um ser gregário, ele precisa estar em grupo”, diz ela. Muitos estão se dando conta de que o afeto virtual não basta, e que o conforto gerado pelos “likes” nas redes sociais é passageiro, não preenche.

Ninguém quer ceder
Antigamente, conta Marina, os amigos eram poucos, e havia esforço para a manutenção dos vínculos. Nos dias de hoje, a abundância dos contatos digitais cria a ilusão de que temos muitos amigos, e que é fácil fazer novos. Se um relacionamento começa a dar errado, esquentar a cabeça para quê? “Nós somos hoje uma cultura de substituição. Antes o dono do Fusca ficava orgulhoso porque mantinha o carro por muitos anos. Hoje trocamos de celular, de carro, de roupas, jogamos o armário inteiro fora a cada estação. Toda a embocadura social conduz à troca, e não à permanência”, define.

Além da sensação de que nossos afetos podem ser substituídos, Marina chama a atenção para uma questão de formação que atrapalha a estabilidade das relações. De acordo com os psicólogos, psicanalistas e comportamentólogos que ela entrevistou e estudou, não fomos ensinados a negociar: “Os teóricos dizem que a minha geração cometeu um erro não ensinando os filhos a negociar, dando tudo sem que fosse necessária uma contrapartida. A minha geração foi educada negociando, o que levava essa troca para a vida, para as relações: cedo aqui e ganho ali. Não educamos os filhos para isso, e eles chegaram à vida adulta achando que tudo lhes era devido. Se não é como quero, então não serve”, resume. Querer encontrar alguém que se encaixe perfeitamente em um modelo ideal é cair numa armadilha, alerta Marina, porque os desejos não são estáveis, eles se modificam. “É complicado pretender que uma pessoa satisfaça para sempre seus desejos se eles mudam”, observa.

A professora de Psicologia da UFPR Maria Virgínia Filomena Cremasco acredita que a lógica da atualidade é ter menos resistência às frustrações. “É como se a todo momento houvesse pairando no ar a mensagem midiática e consumista de que ‘você não precisa passar por isto, passe para frente…’ Ou seja, há sempre um apelo narcisista de que ninguém merece sofrer.”

Mas há saída?
Para Maria Virgínia, temos de ser capazes de lidar com decepções. A intolerância a desafios faz com que as pessoas desistam de um relacionamento diante do primeiro obstáculo. “Se nenhuma diferença puder ser aceita, nenhuma relação poderá ser construída. Uma dose de frustração todos temos que ser capazes de tolerar para podermos nos relacionar”, ressalta.

“Se nenhuma diferença puder ser aceita, nenhuma relação poderá ser construída. Uma dose de frustração todos temos que ser capazes de tolerar para podermos nos relacionar”

Maria Virgínia Filomena Cremasco, professora de Psicologia da UFPR

Um caminho para relações satisfatórias, aponta a psicóloga Márcia, é buscar pessoas com os mesmos gostos e hobbies: “A afinidade pode fazer com que o relacionamento tenha êxito. Se você gosta de caminhar, procure alguém que gosta de caminhar. Não vá ao bar se você não gosta de beber”.

Mas nem tudo são trevas nos tempos da internet, como mostram as histórias de amizade, amor e parceria de negócios que você confere a seguir:

LAÇOS REFORÇADOS COM RITUAIS

Em sentido horário a partir da primeira sentada no sofá, à esquerda: Bruna Ratzke, Antonielle Cunningham, Caroline Atalla, Aline Pasqueti Kuss, Milena Figueiredo e Viviane Salatiel.

Em sentido horário a partir da primeira sentada no sofá, à esquerda: Bruna Ratzke, Antonielle Cunningham, Caroline Atalla, Aline Pasqueti Kuss, Milena Figueiredo e Viviane Salatiel.

Seis amigas riem, falam alto, fazem piadas e relembram anedotas do passado. Elas saíram do trabalho, driblaram as rotinas e deram um jeito de se reunir para um café da tarde. Um bebê e uma garotinha de uniforme escolar acabaram participando do encontro. É com leveza, mas também com esforço e disposição, que elas mantêm 20 anos de amizade. Conheceram-se em 1995, num colégio só para meninas. Aline Pasqueti Kuss, administradora; Viviane Salatiel, psicóloga; Milena Figueiredo, bióloga; Caroline Atalla, designer; Antonielle Cunningham, arquiteta; Bruna Ratzke, dentista; e também a fisioterapeuta Ana Carolina Maia, que hoje mora na Irlanda.

Todas têm 29 anos e duas décadas de memórias compartilhadas. As histórias parecem infinitas. Ainda na infância, Bruna acidentalmente matou uma pomba com uma bolada, em um jogo de futebol. O grupo inteiro foi à cartomante para descobrir quem iria casar primeiro. Juntas, criaram um alfabeto de símbolos. Foram todas oferecer condolências quando o avô das irmãs Milena e Caroline morreu. Na missa de sétimo dia do pai de Aline, as sete estavam lá. Duas delas são casadas e mães, uma está noiva, as demais, solteiras.

Em fases da vida e profissões distintas, é difícil conseguirem se reunir com frequência. “Ficamos dois ou três meses sem nos ver, mas quando nos reencontramos, é como se tempo nenhum tivesse passado”, diz Aline. Os laços são mantidos com rituais, como amigos secretos e jantares de fim de ano, e também com a ajuda das redes sociais. É pelo Skype que elas ficam sabendo das notícias de Dublin, onde vive Ana Carolina. As amigas concordam que o segredo para uma relação forte e duradoura é deixar o orgulho de lado. Bruna e Antonielle viviam brigando, mas tudo sempre ficava bem no fim. Viviane dá o recado: “É importante não levar tudo a ferro e fogo”.

PACIÊNCIA, PACIÊNCIA E PACIÊNCIA

O casal Everaldo Rocha e Gennifer Andréa dos Santos com a filhinha Naomi Santos Rocha: paciência.

O casal Everaldo Rocha e Gennifer Andréa dos Santos com a filhinha Naomi Santos Rocha: paciência.

Foi no rock-n’-roll que eles se encontraram. Ele tinha uma banda, a Acidose. Ela curtia o gênero musical e o ambiente da noite curitibana. Os dois jovens tinham muitos amigos em comum, e logo se tornaram amigos também. Meses depois, iniciariam um namoro que já dura 22 anos. A auxiliar técnica Gennifer Andréa dos Santos, de 41 anos, e o advogado Everaldo Rocha, de 42, dizem que não existe fórmula para uma união feliz: “Cada casal tem de encontrar seu próprio modo”, diz o marido.

Mas ele dá uma dica: respeito e atenção ao relacionamento para saber a hora de ceder. “E paciência, paciência e paciência”, emenda a esposa. As afinidades entre eles vão além da música. Combinam em tudo: cinema, política e visão de mundo. Por isso, a relação foi dando certo naturalmente, sem necessidade de discussão ou esforço. Há um ano e cinco meses, chegou a filha Naomi Santos Rocha para completar a família.

QUARTETO FANTÁSTICO

Os sócios Roberto Stramandinoli, Antonio Stramandinoli Júnior, Mauro Tetsuo Kawai e Luiz Carlos Giroldo: juntos no trabalho e no lazer.

Os sócios Roberto Stramandinoli, Antonio Stramandinoli Júnior, Mauro Tetsuo Kawai e Luiz Carlos Giroldo: juntos no trabalho e no lazer.

Os quatro engenheiros civis e sócios-proprietários da Kálkulo Projetos Estruturais têm mais de quatro décadas de parceria. “Também somos todos casados com as mesmas mulheres há mais ou menos 40 anos”, lembra e comemora Roberto Stramandinoli, de 62 anos. Ele e seu irmão mais velho, Antonio Stramandinoli Junior, 63, conheceram Mauro Tetsuo Kawai, também de 63, ainda na infância, quando cursaram o primeiro grau juntos em Arapongas, no norte do estado. Entre 1970 e 1971, os três se mudaram para Curitiba para estudar Engenharia Civil na UFPR, onde conheceram o colega de curso que viria a integrar o quarteto: Luiz Carlos Giroldo, 62 anos. “Nós éramos amigos e sabíamos que queríamos ser calculistas de estrutura. O caminho natural foi trabalharmos juntos”, conta Roberto.

Em 1974, os quatro recém-formados se uniram a um professor e decidiram abrir a empresa. “Resolvemos botar a mão na massa. Alugamos uma casa, contratamos pessoas e começamos a trabalhar. Não tínhamos nada a perder”, conta Roberto. Dois anos depois, veio o convite da universidade para que lecionassem na instituição. O grupo deu aulas no Departamento de Construção Civil por 36 anos. Roberto conta que eles não quiseram “esperar ficar ricos para ser felizes”. Em 1982, compraram um terreno em Guaratuba e construíram quatro casinhas de praia, uma colada à outra. Sempre juntos, na firma, da docência e até no lazer, como eles se aguentaram durante tanto tempo? “Todo relacionamento humano tem brigas, altos e baixos. Para você se dar bem com uma pessoa é só não querer mudá-la”, ensina ele.

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