Bater no filho não educa, só causa medo e gera culpa nos pais

Muitas vezes os pais se arrependem após as palmadas e voltam atrás da proibição por causa do remorso

Pai discutindo com o filho. Foto: Pixabay.

Ensinar é uma tarefa difícil, principalmente porque envolve frustrações de ambos os lados da relação: dos pais e dos filhos. Diferentes embates ainda podem gerar culpa e desgaste. Marcos Piangers, autor do livro “O Papai é Pop”, sabe que como dizer não é um grande desafio. “Dá trabalho. Você precisa prestar atenção no seu filho e saber como ele passou o dia, como está indo na escola ou se se relaciona no condomínio. Você precisa conversar e estar próximo”, diz. O contato também serve para o outro lado, para saber que você deve ser mais duro. “É por isso que muitos pais são só duros ou liberais, porque é fácil. Você não pode cair na armadilha da paternidade fácil, porque se está fácil demais alguma coisa está errada”, comenta. No Brasil, uma lei de 2014 (conhecida como Lei da Palmada) alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), acrescentando a proibição do castigo físico e do tratamento cruel ou degradante a crianças e adolescentes.

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Lidia Carvalho, psicóloga da Paraná Clínicas, explica que não é preciso forçar uma situação para dar limites ao filho. “Até mesmo quando ela quer comer um doce antes do almoço os pais precisam ser firmes”, explica. Não ceder e conversar com a criança é a forma adequada de reagir, mas o processo nem sempre será suficiente. “É preciso repetição para que um comportamento seja internalizado”, lembra. Para isso, os pais vão precisar saber lidar com as manifestações de frustração da criança como a birra e a manipulação. “Espere um tempo e retome a conversa depois”.

Livre de palmadas

A psicóloga explica que o processo educativo sofre influência histórica e, por isso, gerações mais antigas repetem muito a frase: “apanhei e não tive nenhum problema”. Antigamente, as palmadas tinham sentido educativo. Hoje, com o crescimento de outros métodos, ela só acontece quando os pais não dão conta do filho. “Apanhar não vai fazer com que a criança aprenda. Vai deixar ela com medo”, diz. Lidia lembra que todo aprendizado exige repetição, assim como é para escovar os dentes. Bater demonstra que os pais têm dificuldades de controlar emoções ou achar alternativas saudáveis para educar os filhos. “Elas ainda geram culpa para os pais, que muitas vezes voltam atrás da proibição por conta do remorso”, finaliza.

Como ser firme

Não ceda aos apelos das crianças diante das negativas, isso significa levar a sério o que se diz a elas;

Estimule a reflexão diante desses comportamentos inadequados através de histórias. Contar histórias à noite, por exemplo, com a temática envolvida e ouvir a criança diante disso;

Entenda que o processo educativo é uma construção e leva tempo a ser internalizado;

Tente não se culpar pela criança não compreender imediatamente e se manter firme no propósito;

Mantenha o respeito à criança nas repreensões;

Mostre reconhecimento diante daquilo que a criança já apreendeu (não dar foco único às críticas negativas);

Lembre-se de que essa é uma construção para os pais também pois eles estão diante de novas situações, em desenvolvimento também;

Acaba sendo mais fácil ser firme quando lembramos que os limites são protetivos e estão a favor da criança para que elas continuem a usufruir dessa proteção já internalizada na vida adulta;

Questione-se do que está te tornando tão permissivo: por que você não suporta a raiva ou a tristeza do seu filho?

Reserve um tempo de qualidade para a criança. Birras significam que ele quer se comunicar;

Não siga manuais e saiba que você vai falhar em algum momento no processo educativo. Algumas coisas as crianças precisarão aprender sozinhas, na vida social.

 

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