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Curador de memórias já existe e faz mais do que organizar álbuns de família

Selecionar memórias mais agradáveis é uma profissão consideradas tendência para o futuro. Na vanguarda, profissionais trabalham colocando ordem em fotos e objetos afetivos

memorias-curadoriaSelecionar quais memórias são agradáveis e devem ser mantidas está entre as profissões do futuro. Foto: Bigstock

Poderia ser o roteiro de um filme futurista: um profissional usa fontes históricas, imprensa, fotos, músicas e objetos para fazer com que seus clientes recuperem e mantenham memórias agradáveis de sua vida.

Transporta, usando realidade virtual e aumentada, um paciente que sofre com doenças neurodegenerativas como Alzheimer, para a casa onde passou sua infância. Mostra, em poucos segundos, diante dos olhos de uma mãe, todo o crescimento de seus filhos.

Não se trata de nenhuma produção hollywoodiana. O curador de memórias é uma profissão que já foi apontada como tendência pelo Centro do Futuro do Trabalho da empresa norte-americana Cognizant.

O centro levou em consideração em suas previsões, tendências em diversas áreas como ambiente, biotecnologia e saúde para encontrar profissões como o detetive de dados e o curador das lembranças particulares.

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Mas não é preciso avançar muitos anos no futuro para esperar por um profissional que vá até as casas e recupere as memórias que são mais caras a alguém. Na vanguarda desse processo estão especialistas em organização de arquivos que vão desde fotos, até bilhetes, cartas e objetos de valor afetivo.

A organizadora de fotos Zezé Zimerman, por exemplo, é procurada rotineiramente por pessoas que desejam recuperar seus melhores momentos, mas não sabem onde localizar as lembranças. Desde a enxurrada de fotos digitais, que vão se perdendo nas memórias dos dispositivos, até a infinidade de fotos físicas jogadas no fundo dos armários, Zezé trabalha identificando e preservando os momentos eternizados nas imagens.

“Um jovem que está em sua fase mais ativa, na faculdade, trabalhando, estudando, costuma tirar as fotos pensando apenas naquele momento, na publicação e não na preservação”, explica a profissional.

“Essa chave muda quando se entra no ambiente familiar, quando se tem filhos. Nessa hora começamos a pensar no legado, o que vamos mostrar e contar para eles. É preciso guardar a imagem do primeiro dentinho. É história”, complementa.

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Além de pais, o público-alvo da organizadora abrange jovens avós, que não conseguem guardar o enorme fluxo de fotos e vídeos de seus netos, publicados através de aplicativos e redes sociais. Estão também entre os clientes idosos que desejam fortalecer o patrimônio emocional que construíram ao longo de suas vidas.

Recentemente, a organizadora de fotos recebeu o caso de uma advogada que lhe enviou o acervo da mãe. Zezé Zimerman montou um grande álbum com imagens da formatura, dos anos que ela lecionou, o casamento, recuperando algumas imagens já danificadas. “Esse foi um presente muito significativo e recuperou aqueles anos”, diz ela.

“A gente vê que existe essa necessidade entre as pessoas que trabalharam a vida inteira, sem tempo para nada e agora tem o desejo de reencontrar e preservar o que viveram”,  arremata.

Projeto faz com que idosos revivam sua infância 

Utilizar fotos, objetos e até música para reviver momentos poderosos é um dos recursos utilizado também pelo Crami de Campinas (SP), uma entidade sem fins lucrativos que atua na atenção e proteção de famílias vítimas de violência doméstica.

Lidando com idosos em situação de exploração física, financeira e até sexual, os educadores da instituição desenvolvem há três anos a gravação de entrevistas em audiovisual com os mais velhos.

A intenção do projeto batizado de Balaio de Memórias é reviver a infância deles, um período que um dos fundadores do projeto, o educador Alexandre Alves, classificou como fundamental. “Diante da câmera eles recuperam a autoestima. É uma experiência fantástica”, conta.

“Quando estamos gravando com alguém com uma doença como o Alzheimer por exemplo, trabalhamos com músicas de seu tempo. É como se um botão que estava desligado há muito tempo fosse acionado. Eles voltam a falar, gesticular, lembrando da música que o pai cantava enquanto caminhava para o trabalho”, relata.

Alexandre diz que nos últimos três anos o Crami fez cerca de 25 gravações com esse escopo. “Um momento importante é quando voltamos para casa para exibir o resultado da entrevista. É quando o idoso é o protagonista e articula para que sua família se reúna e assista suas memórias. Por mais que uma história já tenha sido contada diversas vezes, a edição traz um brilho novo e as histórias voltam a ser vistas como um potencial dentro da família”, finaliza.

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Como preservar e organizar suas memórias?

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A organizadora de fotos Zezé Zimerman explica que mais importante do que organizar é preservar. Foto: Divulgação

Quem se sentiu inspirado a voltar a olhar com mais atenção para seus objetos de valor afetivo, pode se beneficiar com dicas de organização e preservação de dados pela organizadora de fotos Zezé Zimerman.

A profissional explica que a primeira coisa a se fazer é juntar todo o acervo espalhado para começar a catalogação.

TRIAGEM

Após recolher todas as fotos que deseja organizar, Zezé recomenda que elas sejam agrupadas em caixas ou álbuns de acordo com a escolha de um critério. “Ou usamos pastas com datas, que é útil no acompanhamento do crescimento dos filhos, por exemplo, ou montamos arquivos de acordo com eventos”, destaca a organizadora. Álbuns de uma viagem em específico, um aniversário ou a formatura podem ser mais úteis para relembrar um momento.

DIGITAL

Para os que têm grande volume de fotos digitais o procedimento deve ser o mesmo, com a vantagem de que cópias podem ser feitas para atender aos dois critérios de buscas futuras: eventos ou datas. Para facilitar, a triagem para fotos digitais pode contar com uma ajudinha da tecnologia.

“Hoje temos softwares que ajudam reunindo fotos com semelhança e tiradas na mesma época, automaticamente”, indica Zezé.

PRESERVAÇÃO

Armazenar fotos e cartas de forma correta é tão importante quanto organizá-las. Cuidado para evitar traças, mofo e outros fatores que podem danificar seu arquivo.

“Uma época tínhamos aquele álbum que colávamos uma película em cima da foto. Com o tempo aquela cola ia incorporando na imagem e danificando”, lembra a organizadora. “A boa dica para removê-las de lá é usando um secador de cabelo. O calor derrete a cola e conseguimos tirar com mais facilidade, sem danificar a foto”, conclui.

 

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