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Comportamento

Conheça a história da freira que pode ser a primeira santa de Curitiba

Falta apenas a comprovação de um milagre para que a irmã Antonieta Farani, nascida na capital paranaense, seja proclamada beata pela Igreja Católica

  • PorFelipe Koller
  • 14/04/2017 15:45
Irmã Antonieta Farani pode ser beatificada logo (Foto: Albari Rosa / Gazeta do Povo)
Irmã Antonieta Farani pode ser beatificada logo (Foto: Albari Rosa / Gazeta do Povo)| Foto: Gazeta do Povo

Quem entra na Igreja do Cabral, trafega pela Rua Riachuelo ou visita o casario histórico da Lapa mal se dá conta de que está passando pelos cenários da biografia de uma provável santa curitibana. A freira Maria Concetta Farani, que na vida religiosa adotou o nome de Antonieta, está na última fase do processo de beatificação: a análise de um possível milagre atribuído à sua intercessão.

Maria Concetta morou no Paraná desde o seu nascimento, em 1906, até 1927, quando foi a São Paulo para ingressar na Congregação das Irmãs Passionistas. Depois, já freira, voltou a viver na capital paranaense entre 1941 e 1946 e entre 1949 e 1956, quando dirigiu o Asilo São Vicente de Paulo. Morreu em São Paulo, em 1963.

Seu pai, o imigrante italiano Giuseppe Farani, tinha junto com o irmão, Nicola, uma loja de tecidos na esquina da Rua São Francisco com a Riachuelo, onde hoje é o Palácio Riachuelo. O sucesso do negócio fez Giuseppe enriquecer rapidamente: chegou a abrir mais uma loja na Lapa – para onde se mudou com a família em 1908 – e outra em Rio Negro.

A reviravolta na vida da família se deu quando Giuseppe morreu de pneumonia, em 1913. Nicola e a esposa, Angélica, se aproveitaram da ingenuidade da viúva, Raffaella Milito – que mal balbuciava o português –, e fizeram com que ela assinasse uns papéis pensando que se tratasse dos documentos referentes à herança. Era na verdade a declaração de falência da empresa do marido.

Raffaella e os quatro filhos – um deles na barriga – tiveram que deixar a casa sem um centavo no bolso e todas as propriedades de Giuseppe foram vendidas a preço de banana em um leilão público. A traição dos cunhados – que eram padrinhos de Maria, batizada na Catedral de Curitiba pelo monsenhor Celso Itiberê da Cunha – feriu profundamente a família.

Com a situação de indigência, Maria, que era a filha mais velha, nutriu o desejo de ser professora para ajudar no sustento da família. Aos 14 anos – dois anos a menos do que a idade permitida na época – foi aprovada em um exame e alocada para dar aulas na Várzea do Capivari, um povoado então pertencente ao município de Bocaiúva do Sul e que hoje fica em Colombo. Foi a primeira professora da região.

(Foto: Albari Rosa / Gazeta do Povo)
(Foto: Albari Rosa / Gazeta do Povo)| Gazeta do Povo

O perdão

A vida de Maria Concetta girou em torno da sua atitude diante da traição dos padrinhos. Arrependida, a madrinha bateu um dia à porta de Raffaella, ainda na Lapa, pedindo perdão. Profundamente magoada, a mãe de Maria disse à comadre que não conseguia perdoá-la.

Maria compreendia com tanta profundidade que precisava perdoá-los que se recusou a fazer a sua primeira comunhão enquanto guardasse rancor dos seus padrinhos. Foi só aos 15 anos que conseguiu superar a situação, pedindo então para receber o sacramento, na Igreja do Cabral – em uma época em que geralmente se fazia a primeira comunhão por volta dos 7 anos.

Pouco tempo depois, ao ouvir as palavras “para a remissão dos pecados” durante a consagração do cálice, na missa, teve um estalo. No fim da celebração, se dirigiu à casa dos padrinhos e ofereceu o seu perdão. “Mãe, hoje senti o céu”, contou a Raffaella ao voltar para casa. “Nunca pude fazer alguém tão feliz”.

Essa experiência de perdão acompanhou Maria por toda a sua vida. A partir dela, a freira pautou sua pregação e seu apostolado – chegando a ser a primeira brasileira a exercer o cargo de superiora provincial de sua congregação no país. A proclamação da irmã Antonieta como santa cairia muito bem em um tempo em que a Igreja Católica, sobretudo através do papa Francisco, sublinha cada vez mais a misericórdia.

(Foto: Albari Rosa / Gazeta do Povo)
(Foto: Albari Rosa / Gazeta do Povo)| Gazeta do Povo

Museu

Depois de lecionar, Maria viveu com a mãe e as duas irmãs no Cabral, até 1927, quando a jovem ingressou na vida religiosa e Raffaella voltou com as outras filhas para a Itália. A casa em que a família morou foi restaurada e levada para o terreno onde ficava a sala de aula em que Maria trabalhou, no bairro do Capivari, em Colombo. Lá funciona desde 2008 um pequeno museu dedicado à vida da freira curitibana, a Casa da Memória Irmã Antonieta Farani, administrada pelas irmãs passionistas.

A irmã Therezinha Tonus, responsável pelo local, conviveu com a irmã Antonieta quando estava para ingressar na vida religiosa, em 1959, na Santa Casa de Bebedouro, no interior paulista. “Na época dela, o Asilo de São Vicente tinha 800 internos. Ela passava na cama de cada um para ver se estava bem coberto, bem acomodado. É o jeito de uma pessoa que ama”, conta a religiosa.

Processo

No momento, a irmã Antonieta tem o título de “venerável”. Isso significa que toda a parte do processo de beatificação relacionada com a análise da sua vida e dos seus escritos já foi concluída com sucesso e o papa – no caso, João Paulo II, em 1992 – promulgou um decreto reconhecendo a heroicidade de suas virtudes. Para ser beatificada, basta que um milagre atribuído à sua intercessão seja reconhecido pelo Vaticano. Com um segundo milagre, ela seria canonizada: a curitibana passaria a ser, para os católicos de todo o mundo, Santa Antonieta Farani.

Serviço

Casa da Memória Irmã Antonieta Farani

Rua Virginio Arcie, 400 – Capivari

Colombo – PR

Telefone: (41) 3656 4562 ou (41) 3252 4663

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