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Etiqueta da casa de praia
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Se faltar cuidado, aquela casa de praia lotada durante o verão não renderá apenas histórias engraçadas de colchões pelo chão ou chuveiro sem água quente. Falta de bom senso durante a convivência pode levar a inimizades duradouras e até minar o sonho do anfitrião que mora na praia.

O professor e turismólogo Carlos Augusto Cornelsen, 56 anos, praieiro nato que viveu seis anos em Ipanema, no litoral do estado, sentiu na pele o estresse causado por “convidados”. Ele é daquelas pessoas que gostam de ter a casa lotada de gente, mas se decepcionou com a falta de sensibilidade de alguns visitantes, especialmente os penetras. “Quando você está em casa tem um tipo de comportamento ‘xis’, mas na casa de praia vira veranista. Por mais legal que a pessoa seja, passa a achar que pode fazer o que quiser — tomar todas, deixar para os outros limparem, aquela coisa”, conta Cornelsen, mais conhecido como Pakho. “E os amigos dos amigos eram os piores”, brinca.

Primeira lição

Claro que a intimidade é capaz de romper fronteiras no terreno chamado etiqueta, mas especialistas são unânimes na primeira lição para quem busca ser bom hóspede: o convite vale para o convidado; no máximo, se estende ao cônjuge. “Ninguém quer separar um casal no fim de semana. Agora, se está namorando, é bom perguntar”, explica a consultora de etiqueta empresarial e marketing pessoal Célia Leão. “Em tempos de falta d’água, ignorar essa regra pode criar problemas além do imaginável. Fora que o espaço pode não ser suficiente. Uma vez, uma amiga levou uma tia até a minha casa sem avisar e fui obrigada a dormir no sofá. Hoje é ex-amiga”, ri Célia.

Ajudar nas tarefas da casa é obrigação. Na casa de Tânia Luciani, 50 anos, que recebe até 40 pessoas simultaneamente no verão em Shangrilá, a regra básica é: viu que está sujo, limpe. “Não recebo hóspedes, mas amigos. Por isso, peço a colaboração de todos, deixo claro que não vou servir ninguém”, diz a empresária. Tânia se orgulha de manter o clima bom mesmo entre pessoas com estilos de vida diferentes. “Enturme-se e deixe tudo como encontrou, mesmo que a casa tenha funcionários”, acrescenta Tânia.

Flexibilidade

Agora, se você tem imóvel na praia, mas gosta de solidão, reflita se vale a pena adotar o papel de anfitrião. “Receber visitas deveria implicar flexibilidade sobre a sua rotina”, diz o psicólogo Carlos Esteves. E lembre-se que não há compromisso algum com pessoas que lembram de você apenas no verão.



• Desafetos?  Repense

Polêmica: um verão basta para dissipar certos ódios entre parentes ou amigos? Depende muito. A terapeuta familiar Rachel Tardin avalia que pessoas rígidas não darão o braço a torcer mesmo vendo o pôr do sol mais lindo do mundo. Mas quando o vínculo é forte e as crises surgiram por causa de valores ou estresse pontual, o convívio pode ser benéfico. “Cabem auto-conhecimento e bom senso. Evitar conflitos é sempre melhor”, diz. Carlos Esteves acredita que mal-estares que surgiram da convivência dificilmente serão resolvidos com mais convivência. “Tenho casos no consultório de famílias divididas, que não passarão o fim de ano juntas. A aproximação deve ser gradual e pede ajustamento”.

• Bicão, não

Caso o convidado cometa a gafe de levar um penetra à casa de praia de um amigo ou parente, ao menos, não saia de perto da pessoa. Nunca deixe chegar ao ponto do “bicão” que entrou à noite no quarto em que o pai de Carlos Cornelsen dormia, ligou a luz e saiu usando os chinelos do idoso.

• “Amiguinhos dos filhos”

Um embaraço a ser evitado é “incorporar” à comitiva da praia os amigos menores de idade dos filhos. Muito comum, a situação é mais complicada do que parece. “O anfitrião fica responsável pela segurança deles, o que é controverso”, avisa o psicólogo Carlos Esteves. Quem aceita a situação precisa antes de uma conversa séria com os pais do jovem. “Regras firmes têm que ser estabelecidas e respeitadas, como horários e o que pode ou não fazer”.

• Sete dias no máximo!

A velha história da vassoura atrás da porta para espantar visitas indesejadas faz sentido. De novo, tudo depende de intimidade, mas visitas que duram mais de uma semana são polêmicas. “Sinceramente? Três a quatro dias é o ideal. O dono da casa começa a sentir falta da sua rotina”, diz Carlos Cornelsen, ressaltando que amigos íntimos têm salvo-conduto para uma estada mais longa. Para Ligia Marques, expert em etiqueta, se o prazo não foi combinado , subentende-se que a visita dura dois dias. Célia Leão avalia que “visita boa” é a que chega na quinta à noite e vai embora no domingo. Tânia Luciani diz que não liga para o assunto, desde que a visita aja como se estivesse na casa dos outros, e não na sua. A dica é ficar de olho nos gestos dos moradores e antecipar-se para a estada não “mofar”.

• Colchonete

É possível ter fineza dormindo em colchão no chão em um cômodo lotado? Para começar, não faça isso com gente que nunca viu na vida e use pijama discreto, orienta Célia Leão. Depois, siga as dicas de Lígia Marques. “Dá para ter um mínimo de elegância respeitando quando as pessoas estiverem dormindo, sendo silencioso e arrumando a cama no dia seguinte”.

• Educação e gentileza, por favor

Fumar dentro da casa, deixar geladeira aberta, falar palavrão perto de crianças, abusar da boa vontade dos domésticos, nunca cobrir gastos, beber demais. Não precisa nem falar que esses comportamentos são inaceitáveis. O bom hóspede se faz invisível. Arruma a cama, lava a louça que suja, deixa a mala arrumada e gasta pouco tempo no banheiro. “Quem quer se sentir totalmente à vontade precisa se hospedar em hotel”, diz Célia Leão.

• Prós e contras do imóvel conjunto

Ajudar na compra de um imóvel em família para todos usarem parece boa ideia. E também pode ser uma roubada. Sociedade, mesmo em família, é tema complexo, diz Carlos Esteves. “Minha experiência mostra que o conflito é mais fácil do que o consenso”. Certifique-se antes de que os compradores aceitam estabelecer regras. E pense em como dividir tudo, da manutenção às contas e o calendário para uso.

• Divida as despesas ou dê um presente

 

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