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Educação do século XXI: é preciso desconstruir para construir

Colégio de Curitiba é vanguarda na reestruturação do ensino

  • PorGPBC
  • 29/09/2017 14:46
Educação do século XXI: é preciso desconstruir para construir
| Foto:

As metodologias de aprendizagem praticadas na Grécia Antiga, por volta de 300 a.C., (época de Aristóteles), viraram, em pleno século XXI, o centro das discussões sobre a reformulação do modelo de ensino tradicional. Práticas que derrubam o padrão das aulas expositivas e salas com as carteiras escolares enfileiradas estão despertando cada vez mais interesse das instituições de ensino brasileiras. Da Educação Infantil à formação superior, a adoção das chamadas metodologias ativas está cada vez mais presente.

Dentro deste cenário, o Colégio curitibano Amplação, que oferece da Educação Infantil ao Ensino Médio, abandona o padrão das aulas expositivas e salas com carteiras enfileiradas para estimular o aprendizado com a metodologia ativa. O colégio adotou o novo sistema de ensino com base nas necessidades exigidas para uma educação eficaz no século XXI.

Construção do conhecimento

O objetivo da metodologia ativa de ensino é tirar o aluno da passividade e colocá-lo como protagonista na construção do conhecimento.  Nela, a crítica e a reflexão são estimuladas e incentivadas pelo professor que conduz a aula, mas o centro desse processo é, de fato, o próprio aluno. O aprendizado é trabalhado de uma maneira mais participativa para aperfeiçoar a autonomia individual do aluno.

Durante as aulas, o aprendizado acontece muito mais na troca entre os alunos. O professor é um facilitador da discussão e propositor de desafios. A diretora e fundadora do Colégio Amplação, Gisele Mantovani Pinheiro, implantou a metodologia no sistema de ensino da escola há 4 anos, depois de 10 anos de transição. “O mundo evoluiu e os modelos educacionais não. O professor como o detentor do conhecimento, fazendo a transmissão de conteúdo nas aulas expositivas, não estimula o desenvolvimento das potencialidades do aluno”, observa.

Com base na visão de que essa transformação é necessária e urgente, o colégio promoveu no último final de semana de setembro o 1º Encontro Paranaense de Educação do Século XXI, evento com o propósito de compartilhar com outras instituições as práticas que são referência nos países vanguardistas em educação.

Em um esquema bastante simplificado, pode-se perceber o que é retido nas várias maneiras de lecionar: Aula (5%), leitura (10%), audiovisual (20%), demonstração (30%), grupos de discussão (50%), prática (75%) e ensinar os outros (80%). Segundo os estudos do professor americano Mel Silberman, os alunos assimilam maior volume de conteúdo, retêm a informação por um maior período de tempo, adquirem mais confiança em suas decisões, melhoram a relação com seus pares e reforçam a força da autonomia de pensar e agir.

A Fappes (Faculdade Paulista de Pesquisa – SP) elaborou um infrográfico comparando a metodologia de ensino tradicional com a metodologia ativa. Veja:

Aprendizagem com uso da metodologia ativa é mais rápido e com mais qualidade.
Aprendizagem com uso da metodologia ativa é mais rápido e com mais qualidade.

O que muda

A educação não acontece mais só no espaço físico da sala de aula, mas nos múltiplos espaços do cotidiano, que incluem os digitais. O professor continua comunicando-se face a face com os alunos, mas também digitalmente, com as tecnologias móveis, equilibrando a interação com todos. Diferente da educação como conhecemos, onde a comunicação é mais formal, a metodologia ativa propõe uma comunicação mais aberta, como o que acontece nas redes sociais, onde há uma linguagem mais familiar, uma espontaneidade maior, uma fluência de imagens, ideias e vídeos constantes.

Experiências bem-sucedidas da Itália, Suíça e Finlândia, considerados países-modelo de educação especialmente no Ensino Fundamental, foram adaptadas para a realidade da escola curitibana Amplação. O colégio redesenhou a infraestrutura das salas de aula, treinou a equipe docente e alterou completamente a maneira de ensinar.  “Começamos a transformação instigados pelos próprios alunos. São gerações com amplo acesso a qualquer conteúdo, sem paciência para ouvir o que pode ser encontrado em uma rápida pesquisa na Internet”, explica a diretora.

Estruturalmente, a escola trocou as salas de aula tradicionais pelas chamadas salas 360º, com estações de trabalho no lugar de mesas fixas. O mobiliário permite mudanças e adaptações para as práticas como a dramatização em tablados para debates entre estudantes e atividades que usam processos como storytelling (narrativa com recursos audiovisuais) e design thinking. “O professor é um mediador do conhecimento que é construído através de desafios, projetos e do diálogo. A escola é barulhenta, com uma mistura de vozes, de alunos e professores. Todos participam e são ouvidos. Opiniões e pontos de vista são valorizados e o resultado são alunos mais questionadores e ativos em sala de aula”, explica a diretora.

 

Colégio Amplação, em Curitiba, redesenhou a infraestrutura das salas de aula e treinou a equipe docente. As salas de aula  são em formato 360° para atender ao novo modelo proposto.
Colégio Amplação, em Curitiba, redesenhou a infraestrutura das salas de aula e treinou a equipe docente. As salas de aula são em formato 360° para atender ao novo modelo proposto.

Troca de experiências

No final de setembro aconteceu o Seminário Internacional Paraná-Finlândia: Educação do Século XXI, em Curitiba, realizado pela Fesp. Com o objetivo de debater sobre a evolução dos modelos de ensino com o uso de metodologias ativas e a adoção de novos sistemas de aprendizagem, o Colégio Amplação foi a única instituição brasileira participante com experiência prática sobre o assunto.  “As mudanças precisam acontecer em todos os países, porque o mundo está em transformação constante”, disse o embaixador Markku Virri durante o Seminário.

Para a embaixadora de Educação do Ministério das Relações Exteriores da Finlândia, Mariane Huusko, o ensino precisa ir além da transmissão de conteúdo, independentemente do país e de questões culturais. O foco deve estar na formação de estudantes críticos, resilientes, solidários e com autonomia. “É bom observar que há escolas no Brasil implementando práticas para uma educação inovadora para o século XXI. A ideia dessa educação é caminhar para as competências ou habilidades transversais. De uma forma bastante geral, as metodologias ativas colocam o aluno no centro do processo educacional. O processo de desenvolvimento é feito a partir dos estudantes e possibilita que seus talentos sejam de fato apresentados. Não basta ensinar sobre fatos e conteúdos técnicos. É preciso criar pessoas com pensamento reflexivo, capazes de trabalhar em comunidade, de forma interativa”, avalia.

Essa metodologia pode ser chave para que crianças e adolescentes de gerações conectadas fortemente com a tecnologia concluam sua formação escolar mais preparados para um mercado de trabalho, pois o aprendizado se dá a partir de problemas e situações reais; os mesmos que os alunos vivenciarão depois na vida profissional, de forma antecipada.

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