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Já foi ao Mercado Municipal hoje?
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Dar uma volta pelo Mer­­­­cado Municipal de Curi­­­tiba pode ser uma simples tarefa de compras ou um agradável passeio. Muito procurado pela diversidade de produtos, que ao mesmo tempo são selecionados pela qualidade, o Mercado tam­­­­bém atrai pelo seu astral. Do colorido das bancas de hortifrutigranjeiros às exóticas embalagens de produtos importados dos boxes orientais, os detalhes aguçam os sentidos. Sem falar dos aromas de temperos ou frutas espalhados pelos corredores e das comidinhas encontradas em bancas e restaurantes.

Circulam pelos corredores do Mercado 43 mil pessoas por semana. A maior parte, de acordo com pesquisa feita pela prefeitura de Curitiba, tem entre 30 e 45 anos, é casado e vai sozinho ao local. Uma pequena maioria, 50,2% dos frequentadores, é formada por homens. “Por ser espaço tradicional da cidade, o curitibano é o maior frequentador do Mercado”, diz Luiz Gusi, diretor de unidade de abastecimento da Secretaria Municipal de Abastecimento. A pesquisa realmente mostrou que 80% dos frequentadores são moradores nascidos em Curitiba. A parcela de turistas representa apenas 5% do total.

Não é difícil tropeçar nos corredores do Mercado em personalidades da política, engravatados ou algum chef de restaurante de alto padrão. Dos frequentadores, 46,2% têm renda acima de dez salários mínimos e, destes, quase 30% têm renda familiar acima de 15 salários mínimos. “O mercado é um lugar da elite curitibana, além de ser um ponto de turistas e do pessoal que mora perto. O principal comprador é aquele de poder aquisitivo elevado. Não vai lá ‘fazer a feira’ e, sim, comprar aquilo que gosta, coisas diferentes, sem se importar muito com o preço”, diz o jornalista e escritor Eduardo Sganzerla, autor do livro Mercado Municipal de Curitiba (Ed. Esplendor).

Se há 51 anos, quando foi inaugurado, ele servia como ponto de venda ao atacado, a criação da Central de Abas­­­te­­­cimento, Ceasa, em 1976, fez com que o Mercado mudasse de perfil. Hoje ele até opera no comércio de atacado de pequeno porte, mas o forte é oferecer produtos de qualidade e diferentes dos encontrados na Ceasa e nos supermercados convencionais. “É muito difícil encontrar em outro lugar ingredientes para comida oriental, por exemplo, como se encontra lá. Vem gente de outros estados comprar aqui. A quantidade de delicatessens permite uma grande variedade e, como eles vendem a granel, pode-se encontrar produtos por um bom preço”, diz Sganzerla. Afinal, em qual outro lugar na cidade você encontra 17 tipos de azeitonas, 400 pimentas diferentes ou frutas vindas de várias partes do Brasil e do mundo?

O 5º endereço

Antes de ocupar a quadra en­­­tre as avenidas Sete de Se­­­­tembro e Afonso Camargo, o Mercado Municipal passou por outros quatro endereços. A primeira sede foi onde hoje se encontra a Praça Zacarias, construída em 1860. Depois foi para o Largo da Cadeia, atual Praça Generoso Marques; para o Largo da Nogueira, hoje praça Dezenove de Dezembro, e ainda no bairro Batel, nas esquinas das ruas Dr. Pedrosa e Emiliano Perneta, onde ficou até 1937.

A atual localidade do mercado só foi definida em 1955, época da gestão do prefeito Ney Braga, quando uma lei municipal determinou a construção do Mercado Municipal, construído entre maio de 1956 e julho de 1958 e inaugurado em 2 de agosto. O projeto é do engenheiro Saul Raiz, que mais tarde foi prefeito de Curitiba, entre 1975 e 1979.

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Os orientais (fotos 1 e 2)

Se antes o bairro paulistano da Liberdade era referência na venda de vestimentas orientais, agora é a curitibana Kimono que está vendendo para todo o Brasil, por uma loja virtual. “Muitas lojas fecharam na Liberdade porque os chineses estão ocupando aquele bairro. Com isso, estamos vendendo para todo o país”, conta Iracema Tahira, proprietária da loja. Além dos trajes tradicionais, ela desenha e produz alguns made in Curitiba para crianças. Quem estiver por aqui pode passar na loja, no Mercado Municipal. Além da Kimono, a comunidade oriental está presente no Mercado com duas lojas de presentes e cinco de produtos alimentícios, onde as prateleiras são um passeio visual. Juntos, os pacotes com ideogramas formam uma imagem atrativa. Lá se encontram tipos especiais de temperos orientais para comidas tailandesa, chinesa, japonesa, entre outras.

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Bacalhau (foto 3)

O peixe que ganhou fama na culinária portuguesa é um dos atrativos do Mercado. Desde o ano passado, os comerciantes precisam obedecer a uma série de procedimentos para receber certificação de qualidade da Associação do Mercado Municipal de Curitiba (Acesme). O bacalhau deve passar pela sala de manipulação, onde é cortado e embalado antes de ser exposto para a venda. A intenção é melhorar cada vez mais a qualidade do peixe vendido. Outros itens também começam a passar pela sala de manipulação, como queijos e cereais.

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Frutas exóticas (foto 4)

Os vendedores contam que geralmente quem procura frutas exóticas são pessoas que vieram de outras regiões, como Norte e Nordeste, e querem matar as saudades do sabor da terra natal. Para salvar os “despatriados”, lá estão graviola, cupuaçu, abiu, jenipapo. Na foto ainda estão outras, como physalis.

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Mercado Orgânico (foto 5)

Inaugurada em fevereiro deste ano, a parte nova do Mercado ainda é pouco frequentada e nem todos os boxes estão ocupados. Mas vale a pena passar pelo setor para conhecer as novidades na produção certificada de mercadorias. De roupas a vinho, passando por cosméticos e cereais, as lojas são especializadas nos produtos orgânicos. E ainda há um restaurante, o Ohana, que serve de comida natural à carne orgânica.

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Especiarias e iguarias (foto 6)

Difícil planejar um jantar especial sem pensar no Mercado. Cogumelos, por exemplo, são encontrados perto de seis tipos, como shitake, paris, eringui, shimeji. Agora, se a proposta é uma comida mais condimentada, não deixe de passar nas bancas de pimenta. O aposentado João Ventura, que ajuda o genro e a filha na venda do produto, é um entusiasta da pimenta. “Tem mais vitamina C do que qualquer fruta cítrica, faz bem para o sistema digestivo e libera endorfina, ou seja, traz felicidade”, diz. Na banca dele são aproximadamente 400 tipos de pimenta e um cartaz bem humorado faz graça com os compradores: “Olhe, fotografe, filme, mas, pelo amor de Deus, compre alguma coisinha”.

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Café especial (foto 7)

O Luwak Coffee, aquele café que ficou conhecido com o filme Antes de Partir, é vendido no Café do Mercado. Esse grão de café é engolido por um animal da Indonésia, o Luwak (parecido com um gambá), que não consegue digerir o grão e, por isso, ele sai inteiro nas fezes do animal. Descobriu-se que o grão fica refinado ao passar pelo estômago do animal e por isso é raro e caro. Uma xícara de café Luwak é vendida a R$ 20 e o quilo do grão custa R$ 1,3 mil. No Café do Mercado também há a versão brasileira do Luwak. O Café Jacu é refinado no estômago de um passarinho, no Espírito Santo. Custa R$ 79 (pacote com 250 gramas). Ao todo, a loja vende 359 tipos do grão de café.

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Restaurantes (foto 8)

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