Curitiba, um pedacinho da Coréia do Sul em que o K-Pop corre solto

Gênero musical que conquistou milhões no mundo é um estilo de vida para jovens que vivem em Curitiba

Os fãs de K-Pop se reúnem toda a semana no MON para dançar e viver a cultura pop coreana. Foto: Sandro Moser/Gazeta do Povo

“2018 será o ano do K-Pop”. Quem afirma é Bruna Misael, uma das rappers do Cronus Dance Group. O Grupo é um entre as dezenas de que se reúnem semanalmente em Curitiba para viver e celebrar a os elementos da cultura surgida na pequena república da Ásia oriental.

E se você ainda não sabe o que é o K-Pop, provavelmente a sua filha ou filho sabe e gosta.

O fenômeno musical que expandiu a cultura pop sul-coreana para o mundo surgiu no fim da década de 1990. Enquanto a vizinha, Coreia do Norte, ameaça destruir a civilização ocidental com suas armas nucleares, a Coreia do Sul conquistou o coração de milhões de jovens exportando sua peculiar música pop e os valores culturais que a tangenciam.

Muita gente, porém, só tomou conhecimento do movimento quando o rapper Psy criou, em 2012 , o maior viral da era dos virais: o primeiro vídeo do Youtube a chegar a um bilhão de cliques.

Pelo mundo, recebe o nome de “Hallyu” (“Onda Coreana”, em português). Musicalmente, dá para dizer que é uma releitura do hip-hop americano, com melodias pegajosas e batidas aceleradas e dançantes.

A ascensão do K-Pop

O momento agora é das boy e girls bands, grupos que fazem coreografias impecáveis e se vestem de maneira singular (como o BTS). São idolatrados em todas as regiões do mundo por adolescentes de todas as idades.

O grupo sul coreano BTS é uma das sensações também entre os adolescentes ocidentais. Foto: Divulgação.

O grupo sul coreano BTS é uma das sensações também entre os adolescentes ocidentais. Foto: Divulgação.

Nestes últimos cinco anos, o movimento só faz crescer e, no Brasil, é uma febre. Já não se pode dizer que era uma “modinha” passageira. “Não é mesmo. Agora é minha profissão. Eu dou aula de k-pop”, explica Vinicius Hatti, aka Dimi Verona, o rapper do grupo Cronus.

Ele tem uma turma particular de kpoppers (como são chamados os adeptos). Uma colega, do grupo All Girls, está dando classes da dança no Curso de Dança da Universidade Federal do Paraná — só um exemplo de como a coisa está ficando séria.

Na contramão, o kpopper Mark Aleixo tem uma postura um pouco mais punk. ”Gosto de aprender sozinho, cada um se vira tentado em casa, sem professor.”

O ponto em que todos concordam é que o K-Pop vai além da dança e da indústria da música que achou no YouTube o canal de divulgação perfeito. O Hallyu é um estilo de vida.

“Todo mundo que está aqui hoje se encontra aqui todo o final de semana. Virou a nossa vida”, disse Dimi.

“No colégio, como tem poucos meninos que curtem e dançam, quando as meninas encontram um, elas adoram”, comemora Mark.

No espelho do vão livre

O dia sagrado dos kpoppers é o domingo. A catedral, o vão livre do prédio do Museu Oscar Niemeyer. Às centenas, eles se reúnem em pequenos grupos de três a dez integrantes e se esparram pelo chão em volta de suas caixas de som portáteis ligadas aos celulares.

Domingo é dia dos adoradores do K-Pop usarem os espelhos do MON para dançar. Foto: Sandro Moser/Gazeta do Povo.

Domingo é dia dos adoradores do K-Pop usarem os espelhos do MON para dançar. Foto: Sandro Moser/Gazeta do Povo.

A escolha do MON não é por acaso: além do amplo espaço para as coreografias evoluírem, a direção do museu acolhe os meninos meninas bem comportados.

Nos intervalos das coreografias, água ou no máximo um sorvetinho para amenizar o calor.

O principal item, porém são as paredes que formam a caixa de vidro da entrada do museu. As paredes servem de espelho para que cada k-poper possa se ver dançando. A ideia é repetir com perfeição todos os passos dos k-idols. A maioria conta que tem um espelho em casa, e, no domingo, todos refletem juntos nos vidros temperados do museu.

Polo curitibano

Bruna Cruz conta que Curitiba tem hoje pelo menos 40 grupos. O sonho maior é ir para Coreia do Sul, mas por enquanto a maioria ficaria contente em disputar e (por que não?) vencer o K-Pop Dance Tornamet (KDT para os íntimos) onde os grupos brasileiros são julgados por k-idols, como a rapper Grace.

“Isto inspira a gente a melhorar. Tem a ver com dança contemporânea e um pouco de teatro”, conta Bruna.

Ela diz que o negócio deles na verdade é dançar, aperfeiçoar, treinar, mas também abrir a cabeça para as diferenças do mundo.

“A gente faz aula de coreano e, quando podemos, vamos para São Paulo comorar coisas da cultura k-pop. A dança abre o caminho para você aprender, ter vontade de viajar, fazer novas amizades, aprender como se vive do outro lado do mundo.”

Serviço:

O Clube de Dança da UFPR tem aulas de K-Pop gratuitas, e abertas para a comunidade. Mais informações na página do facebook do grupo.

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