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Comportamento

Onicofagia: quando roer as unhas não é mais uma questão de hábito e vira compulsão

O hábito, que atinge adultos e crianças, pode causar feridas na pele, deformidades nas unhas e inúmeras infecções

  • PorRaquel Derevecki
  • 22/02/2019 09:00
O problema afeta homens, mulheres e crianças que passam por situações de angústia, stress, ansiedade ou depressão. Foto: Bigstock
O problema afeta homens, mulheres e crianças que passam por situações de angústia, stress, ansiedade ou depressão. Foto: Bigstock| Foto:

Basta um momento de desatenção durante o dia para que o construtor civil Maximiliano dos Santos Soares, de 31 anos, comece a roer as unhas e arrancar as cutículas ao redor. O hábito começou quando ainda era criança e o acompanha como uma fórmula de escape para os momentos de tensão. “Na hora eu sinto uma sensação de relaxamento, mas isso machuca e incomoda”, relata o morador de Torres, no Rio Grande do Sul.

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O problema – também chamado de onicofagia – afeta homens, mulheres e crianças que passam por situações de angústia, stress, ansiedade ou depressão.

“A pessoa tem alguma inquietação e tenta aliviar isso ao roer as unhas. Só que a ação não é saudável e precisa de tratamento”, pontua a médica Fabiane Mulinari Brenner, chefe do serviço de Dermatologia do Hospital de Clínicas, em Curitiba.

Segundo ela, o hábito pode causar feridas na pele e mudanças significativas nas unhas. “Esses traumatismos de repetição danificam a base da unha e acarretam deformidades como uma divisão, uma onda, mudança na coloração e, em casos mais graves, alterações no formato da unha a ponto dela parecer um chifre”, explica.

Finger with gnawed nail and cuticle with blood, macro, white background, habit, medical
Finger with gnawed nail and cuticle with blood, macro, white background, habit, medical

Há casos, inclusive, em que o paciente passa a ter dificuldades para realizar atividades simples do dia a dia.“Algumas pessoas ficam sem unhas, então não conseguem mais pegar um alfinete ou colocar o botão na casa da camisa”, relata a dermatologista, que também aponta para o perigo das infecções na pele. “Quem morde as cutículas e causa feridas nos dedos abre uma porta para bactérias”.

Isso preocupa os familiares do técnico em química Douglas Martins, de 28 anos. Morador de São Bernardo do Campo, em São Paulo, ele “cutuca” as unhas frequentemente e só percebe quando as pessoas ao redor avisam que seus dedos estão sangrando.

“Quando vejo, tenho a mão cheia de sangue e isso incomoda meus irmãos, mãe e minha namorada”, relata.  Além disso, ele conta que os dedos ficam com machucados e pequenas inflamações. “Isso desde os meus 15 anos”, lembra.

Como parar de roer as unhas

Ainda que o hábito acompanhe o indivíduo desde a infância ou adolescência, é possível mudá-lo ao perceber que é algo prejudicial à saúde e que necessita de tratamento. De acordo com a psicóloga Semíramis Maria Vedovatto, do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), esse é o primeiro passo. “Há pessoas que nem percebem que aquilo é um problema. Então, quando ela toma consciência dos prejuízos sociais, à saúde e à sua autoestima, é mais fácil parar”, orienta.

Também é necessário identificar os momentos em que o ato de roer ou cutucar as unhas ocorre. “Como isso é sintoma de que o indivíduo está ansioso, estressado ou passando por alguma angústia, ele precisa perceber qual é o problema que está desencadeando aquilo e tentar corrigir a situação”.

Para a comerciante Denise Schved da Cruz, de 35 anos, os fatores desencadeantes envolvem trabalho e família. “Quando fico estressada, preocupada ou sei de algum problema familiar, já começo a roer as unhas”. Por isso, tenta administrar as situações que lhe causam ansiedade e ainda conta com métodos alternativos para “afastar a mão da boca”.

“Coloquei unhas postiças, passei pimenta e também estou usando esmaltes especiais para quem deseja parar de roer as unhas. Estou tentando, mas não é fácil parar”, admite a empresária, que mora em Araucária, na região de Curitiba.

Segundo a psicóloga, os métodos utilizados por Denise são indicados e podem ser utilizados com o apoio de familiares e amigos. “Quem conhece alguém que tem o hábito de roer as unhas deve ajudar a pessoa a ver os momentos em que está roendo e também os períodos em que não está. Isso será um reforço positivo e o incentivará a continuar”, explica a psicóloga Semíramis.

Mas quando os métodos alternativos não forem suficientes, o paciente deverá procurar o atendimento de um médico dermatologista ou de um psicólogo. “Há casos em que o paciente até deixa de roer as unhas, mas começa a comer compulsivamente, por exemplo, porque o motivo daquele hábito é ansiedade, stress ou outro fator. Então, é importante ter a avaliação correta para cada caso”, pontua Semíramis.

Para crianças

Em crianças, o quadro pode aparecer a partir dos quatro anos como um indicativo de problemas em casa ou na escola. Por isso, os pais devem ficar atentos, tentar identificar o que está causando a ansiedade e transmitir segurança. “Se ela rói as unhas no momento de dormir sozinha, por exemplo, deixe uma luz acesa ou conte uma história”, sugere a psicóloga. Caso a situação persista, é necessário procurar um pediatra ou um terapeuta infantil.

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