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Foto: Reprodução/Facebook.
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O fotógrafo e ilustrador Lucas Tannuri, 37, sempre fez de seus desenhos uma forma de se comunicar com as crianças. O que ele não imaginava é que as ilustrações seriam a maior forma de interação entre ele e sua filha, Marina Tannuri, 7.

Portadora de TEA (Transtorno do Espectro Autista), há um ano Marina lhe entrega objetos e, juntos, pai e filha brincam e criam desenhos.

“Eu sempre pedia que ela me dissesse o que faria com os objetos. Alguns desenhos eu fiz como ela disse e outras vezes eu criei para mostrar a ela outras possibilidades.”

Da interação entre pai e filha surgiu o livro “O Grande Desafio das Pequenas Coisas”, com financiamento coletivo pelo site Cartase. A contribuição mínima é R$ 35 e pode ser feita até o dia 18 de setembro.

Foto: Reprodução/Facebook.
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Além das ilustrações, o livro traz poemas feitos por Tannuri e pelo escritor Rodrigo Vulcano Zanil.

Segundo o fotógrafo, o projeto começou de forma despretensiosa, pois tinha mesmo a intenção de ser uma forma de comunicação entre ele e sua filha. A ideia era fazer com que Tannuri entrasse no mundo de Marina e, ela, por sua vez, ampliasse a comunicação com o pai.

“Era um tipo de diálogo entre tantos outros estímulos e tantas outras atividades que a gente faz. E essa questão do objeto surgiu sem querer.”

O livro

Marina começou, então, a lhe entregar objetos e pedir que ele fizesse desenhos. Para estimular cada vez mais a filha, Tannuri incentiva-a a falar que tipo de desenho queria. Depois de algum tempo, ele começou a postar as imagens na internet e as pessoas foram se identificando.

“O primeiro desenho que eu fiz foi com um J vermelho, que é o dançando na chuva. Acabei postando isso no Instagram porque fica divertido ter o objeto junto com o desenho. Todo mundo começou a achar legal e pedir mais.”

As redes sociais foram o termômetro que fizeram o fotógrafo decidir lançar o livro. Ele conta que chegou até mesmo a parar de postar os desenhos, pois achava que era algo muito íntimo entre ele e a filha. No entanto, muitas pessoas começaram a pedir mais.

Foto: Reprodução.
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Foi quando voltou a postar a sua produção e surgiu a ideia do livro. “A ideia foi amadurecendo, pensamos em lançar no Catarse, porque veio de algo coletivo, então, seria por meio de um financiamento coletivo.”

O desafio de ser pai

Após amadurecer a ideia de lançar o livro, Tannuri, que também é pai de Gael, 1, diz que começou a criar um conceito para as ilustrações.

“A peça sempre vai ser a mesma, o que muda é o contexto que está em volta. É o que a gente como pai tenta fazer e é o que a gente acredita que uma sociedade bacana possa ter. Conseguindo fazer um bom contexto a gente consegue acolher tudo”, afirma.

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O fotógrafo conta que a intenção é levar a sociedade a uma reflexão sobre os relacionamentos entre pais e filhos. “A Marina está muito feliz. Não é um livro sobre autismo, é um livro sobre comunicação, é um livro sobre interação de um pai com uma filha. É um convite ao lúdico, uma brincadeira.”

Para ele, a ideia do objeto no desenho se tornou algo tão forte, pois remete ao fato de chamar os pais para o mundo concreto, de estar junto e sair um pouco do mundo virtual ao qual estamos tão ligados hoje.

“A gente está tentando quebrar um bloqueio de situações autistas que a gente possa viver hoje em dia. É muito comum em casos de pais e filhos neurotípicos ter momentos autistas. Chegar em casa, cansado do serviço e, depois, pega o celular, fica no sofá e acaba não brincando com o filho ou a filha, e nosso livro é um convite para quebrar essa barreira.”

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