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Por que algumas pessoas balançam demais as pernas enquanto estão sentadas?

O balançar de pernas não é um problema, mas sim um sintoma da ansiedade, e esta sim precisa de tratamento, principalmente quando afeta o dia-a-dia e provoca desconforto

pernas-ansiedadeDe acordo com especialistas balançar as pernas não é o problema, mas sim a ansiedade que desencadeia estes movimentos. Foto: Bigstock

Balançar as pernas é uma reação inconsciente, que demonstra o nível de ansiedade da pessoa naquele momento. Ocorre geralmente enquanto se está sentado, seja ouvindo a uma palestra, aguardando em uma sala de espera ou até em uma roda de conversa.

Comprovadamente, o balançar de pernas não é um problema, mas sim um sintoma da ansiedade, e esta sim precisa de tratamento, principalmente quando afeta o dia-a-dia e provoca desconforto, não somente da pessoa ansiosa, mas dos que estão ao seu redor.

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O bater das pernas, dependendo da intensidade e da frequência, gera barulho, desconcentra aqueles que estão próximos e constrange a própria pessoa, já que revela um sentimento.

Segundo a psicóloga vice-presidente do Conselho de Psicologia do Paraná Ludiana Cardoso Rodriguez esta inquietação pode ser causada por diversos fatores, por tédio, insegurança, medo ou insatisfação, que desencadeiam a ansiedade.

Ludiana explica que uma pequena quantidade de ansiedade é normal e necessária, é ela que motiva, que gera as reações. No entanto, quando causa sofrimento, é porque existe excesso, e este provoca alteração nas reações cognitivas e comportamentais, como a inquietude e movimentos das pernas.

A ansiedade produz adrenalina que, fisiologicamente, prepara o cérebro para uma defesa ou fuga, o que deveria ocasionar um gasto de energia do corpo e se isso não ocorre — se a pessoa está parada — o organismo acumula essa energia e de alguma forma começa a dissipar, “e uma das formas são os movimentos involuntários das pernas e dos pés”, esclarece Ludiana.

 

“Se o balançar de pernas acontece de forma frequente e atrapalha a rotina, é importante procurar a causa do problema e tratá-la”, orienta o psiquiatra Marco Antonio Bessa, professor da Universidade Federal do Paraná e conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Paraná.

Balançar as pernas é uma forma comum e, inconsciente, de aliviar a ansiedade e o nervosismo, totalmente aceitável em situações de tensão, mas quando o movimento se repete por mais tranquila que seja a ocasião, pode esconder um distúrbio mais grave e demandar tratamento adequado, diz Marco Antonio Bessa.

O psiquiatra explica que, quando a pessoa está em uma ocupação mecânica, o movimento de pernas não ocorre, ao dirigir, por exemplo. Mas o corpo pode redirecionar o movimento para as mãos, é quando inicia o estalar de dedos, o apertar botões, trocar estações de rádio.

Pernas e braços são acometidos pelos edemas ou inchaços

Se o balançar de pernas acontece de forma frequente e atrapalha a rotina, é importante procurar a causa do problema e tratá-la(Foto: Bigstock)

Este comportamento também pode ser percebido em filas, “a pessoa mais inquieta e ansiosa se move, fica impaciente, mexe nas prateleiras, certamente se ela estivesse sentada, estaria batendo as pernas”, ressalta.

Definições médicas

A literatura médica não apresenta um termo específico para este hábito, conhecido apenas como inquietude das pernas, diagnosticado como um sintoma da ansiedade também pode se apresentar de outras formas como estalar os dedos, esfregar as mãos, bater sobre uma superfície.

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“A pessoa geralmente não se dá conta de que está ansioso e inicia estes movimentos, mas se alguém ou algo, como o ruído do movimento, alerta sobre aquilo, a pessoa para”, afirma o psiquiatra.

Segundo Marco Antonio Bessa, não se trata de TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo, uma vez que este está relacionado com manias ou rituais carregados de pensamentos negativos que trazem sofrimento, e as atitudes tomadas são forma de alívio.

“Essa inquietude das pernas é simplesmente uma maneira de descarregar, fisicamente, a tensão que a ansiedade está gerando no organismo, não se trata de um transtorno”, diz.

Também existe uma confusão entre a Síndrome das pernas inquietas e o balançar das pernas, no entanto, são duas condições completamente diferentes, esclarece Bessa. “O balançar de pernas é uma manifestação do corpo relacionada à ansiedade e questões emocionais. Já a Síndrome tem relação com doença do sono, provoca dor e desconforto nas pernas, o movimento que se faz quando o paciente está deitado, embora seja involuntário, é uma forma de aliviar o incômodo”, explica o psiquiatra.

Orientações e tratamento

Essa inquietude das pernas, dos pés e até das mãos é preocupante quando desencadeia alguns processos de ansiedade patológica, que é aquela que causa sofrimento, que paralisa, que altera a rotina e impede que a pessoa desempenhe suas atividades.

“A grande questão é fazer uma autoanálise, buscando identificar se isso causa sofrimento”, recomenda a psicóloga Ludiana Rodriguez. Segundo ela se não há sofrimento entendemos que não é nada patológico. Mas, se incomoda, a si ou àqueles com quem convive, aí sim é razão para procurar ajuda”, diz.

Em uma crise de ansiedade, a principal recomendação é o controle da respiração, para normalizar a adrenalina. Realizar atividade física leve, como meia hora de caminhada, ajuda a baixar o nível de ansiedade e a fazer o controle da respiração. Outra recomendação é a psicoterapia, que irá auxiliar na identificação da causa desse desconforto.

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Sobre o que fazer para controlar Marco Antonio Bessa explica que primeiramente deve-se identificar o que está provocando o movimento, é necessário que se passe por uma avaliação médica para descartar causas orgânicas (dores, formigamento, má circulação).

Diagnosticado que se trata de ansiedade, o próximo passo é o acompanhamento psicológico e, se necessário, avaliação psiquiátrica, caso seja preciso o uso de medicamentos.

Para o psiquiatra, “vale a pena avaliar o quanto isso afeta a própria pessoa e o quanto afeta a vida dos outros. Pensar na repercussão disso, também em relação ao outro”, reforça. Segundo ele, procurar a ajuda de um profissional sempre é a melhor opção.

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