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Comportamento

Por que gostamos de ser curitibanos?

Áreas verdes preservadas, limpeza, transporte público são alguns dos motivos de orgulho para quem nasceu em Curitiba

  • PorJorge Olavo, especial para Gazeta do Povo
  • 25/03/2018 19:00
14-09-2017 - Primavera no Jardim Biotânico
14-09-2017 - Primavera no Jardim Biotânico| Foto:

O sentimento de orgulho que pessoas têm do lugar onde vivem é um importante catalizador para o desenvolvimento local. A partir dele, a sensação de pertencimento à comunidade se fortalece, despertando nos habitantes a preocupação e o cuidado por ambientes e bens públicos. Para quem mora em Curitiba, não faltam motivos para que essa ligação afetiva se manifeste.

As inúmeras facetas da capital paranaense abrem espaço para que o meu orgulho pela cidade seja diferente do seu. E podemos conviver harmoniosamente com isso, certo?

Curitiba é a cidade do mais importante festival de teatro do país; que exalta a cultura dos povos colonizadores; onde a gastronomia se reinventou e o hobby da cerveja artesanal virou negócio. É a cidade que tem ganhado gosto pela corrida e pela bicicleta; dos parques e shoppings; da república instaurada; da juventude que levou os bares para a calçada; do tricolor, alviverde, rubro-negro. Berço de artistas reconhecidos no Brasil e mundo afora, como Leminski, Dalton, Poty, Konká…

LEIA TAMBÉM: 15 MOTIVOS PARA SE ORGULHAR DE CURITIBA – ESPECIAL CURITIBA 325 ANOS

Festa da cores , Happy Holi, na Pedreira Paulo Leminski : Curitiba festiva. Foto: Gazeta do Povo.
Festa da cores , Happy Holi, na Pedreira Paulo Leminski : Curitiba festiva. Foto: Gazeta do Povo.| Aniele Nascimento

Festa da cores , Happy Holi, na Pedreira Paulo Leminski: Curitiba festiva. Foto: Gazeta do Povo.Curiosamente, em muitos casos, só passamos a valorizar e reconhecer determinados espaços e detalhes da nossa cultura depois que conhecemos outras cidades ou ouvimos elogios e comentários de quem é de fora.

Pertencimento

Para o antropólogo Carlos Alberto Balhana, o orgulho do curitibano pela cidade está relacionado com a sensação de pertencimento ao local em que vive e com a autoidentificação que cada pessoa tem com a realidade histórica de Curitiba. “Essas duas abordagens coexistem na realidade atual da cidade e são a base essencial desse orgulho que sentimos”, afirma o professor aposentado da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Entre os principais motivos que enchem o peito do curitibano, segundo o antropólogo, estão a preservação de áreas verdes, a modernização da cidade e o transporte público urbano bem referenciado. Entretanto, Balhana concorda que ter orgulho não significa ficar cego às necessidades de melhoria que centros urbanos têm. “A partir desse orgulho, a pessoa também passa a querer cuidar da cidade e passa a cobrar ações do poder público”, explica.

O modelo de transporte coletivo colocou Curitiba como referência para várias cidades do mundo. Foto: Gazeta do Povo
O modelo de transporte coletivo colocou Curitiba como referência para várias cidades do mundo. Foto: Gazeta do Povo| Aniele Nascimento

Os nossos ônibus articulados, canaletas exclusivas e estações-tubo, por exemplo, remetem ao pioneirismo e à inovação. Um modelo de transporte coletivo que colocou Curitiba como referência para várias cidades do mundo, como Bogotá e Joanesburgo. Contudo, esse reconhecimento que também existente entre os curitibanos não exime a cobrança constante por avanços no sistema.

Desenho

O arquiteto e urbanista Fábio Domingos Batista ressalta que o planejamento e o desenho humanizado da cidade associados a aspectos da paisagem natural da região – como a vista para a Serra do Mar e a presença de araucárias – fazem com que Curitiba seja uma cidade muito particular. “Curitiba tem parques incríveis. Não temos um só. Não é uma cidade cinza, agressiva visualmente. Na primavera, com as árvores floridas, conseguimos ter noção de como Curitiba é arborizada”, diz o professor do curso de Arquitetura e Urbanismo do FAE Centro Universitário.

Em Curitiba. não faltam lugares para fazer selfie, como o parque Tanguá. Foto: Gazeta do Povo
Em Curitiba. não faltam lugares para fazer selfie, como o parque Tanguá. Foto: Gazeta do Povo| Giuliano Gomes

Na capital, o setor histórico convive harmoniosamente com a arquitetura moderna e contemporânea. Edificações e áreas emblemáticas são reconhecidas como símbolos da cidade e estão nas selfies de curitibanos e turistas. Entre elas estão o calçadão da Rua XV, os largos da Ordem e do Rosário, as praças Santos Andrade e do Japão, a pedreira e a Ópera de Arame, o Museu Oscar Niemeyer, a Unilivre e o Jardim Botânico.

Povo

Traços culturais do curitibano também chamam a atenção de quem é de fora e geram orgulho na população. “Assim que cheguei em Curitiba, me deparei com uma cena curiosa na Praça Tiradentes. As pessoas estavam em fila aguardando o ônibus. Não estavam todas amontoadas”, lembra o professor de História Daniel Medeiros, que veio de Fortaleza com os pais em 1981 e nunca mais deixou Curitiba. “Devagar, fui aprendendo a gostar da cidade”, diz o docente do Curso Positivo.

Lixeiras por todo lado e o hábito de manter a cidade limpa. Foto: Daniel Castellano / AGP / Agencia de Noticias Gazeta do Povo
Lixeiras por todo lado e o hábito de manter a cidade limpa. Foto: Daniel Castellano / AGP / Agencia de Noticias Gazeta do Povo| GAZETA

Outra marca do povo é o cuidado com a limpeza da cidade. Sim, o curitibano guarda papel de bala no bolso para descartar na lixeira e quem não faz isso está suscetível a olhares severos e lições de moral. “É mais um traço dessa identidade civilizada que Curitiba gosta de ter”, afirma Medeiros, lembrando que essa busca constante por uma identidade também é uma característica local. “Atualmente, devido à Lava Jato, há uma identificação da cidade com um projeto de país mais honesto e menos corrupto”, avalia.

Além disso, a sensação de pertencimento que o curitibano tem pela cidade faz com que grupos se apropriem de espaços públicos e unam-se para preservá-los. Exemplo disso são os episódios que envolveram o Bosque Gomm, a Praça de Bolso do Ciclista e a Rua São Francisco e, mais recentemente, a área do antigo Hospital Psiquiátrico do Bom Retiro.

“Quando a população sente orgulho, a cidade se desenvolve. Ela cobra do poder público e adota medidas para participar do cotidiano da cidade. O povo influencia a cidade”, afirma Batista.

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