Cartas de amor: projeto com custo zero leva esperança a pacientes em estado grave

Depois de receber as cartas muitos pacientes voltam a comer, apresentam melhoras nos sinais vitais e voltam a lutar por eles mesmos

Os resultados aparecem no rosto deles, em sorrisos, dizem os criadores do projeto Ajude com Cartas. Foto: Reprodução.Os resultados aparecem no rosto deles, em sorrisos, dizem os criadores do projeto Ajude com Cartas. Foto: Reprodução.

Receber uma carta repleta de amor em um leito de hospital está fazendo toda a diferença para pacientes em um hospital público de Itaperuna, no Rio de Janeiro. Pelo projeto Ajude com Cartas, os textos têm mudado a realidade das pessoas doentes ou em recuperação.

“Os resultados aparecem no rosto deles, em sorrisos”, diz Isadora Carestiato, acadêmica de Medicina da Universidade Iguaçu, que empreendeu essa boa ação junto com sua irmã, Victoria, com base no entendimento de que o amor pode ajudar na cura.


O projeto funciona do seguinte modo: a pessoa que escreve – e que não sabe quem será seu destinatário – redige uma carta desejando o bem e a cura, incentivando e dando força para a recuperação da pessoa, com palavras de esperança, motivação e carinho. “O destinatário quem escolhe é o teor da carta, através de uma curadoria nossa”, diz Isadora.

Acadêmico lendo carta a paciente internado no hospital: palavras renovam esperanças. Foto: Reprodução.

Acadêmico lendo carta a paciente internado no hospital: palavras renovam esperanças. Foto: Reprodução.

Mas como escrever para alguém que você não conhece? A criadora da iniciativa responde: “A ideia é escrever uma carta que você mesmo gostaria de receber se estivesse um dia sozinho, em um leito de hospital, sofrendo porque foi diagnosticado com alguma grave doença – alguém que está sentindo dores, exausta com tantos exames e agulhadas”, diz ela, citando um exemplo:

“Querida paciente: nunca duvide de que você tem a força necessária para ultrapassar qualquer dificuldade. O primeiro passo para a cura é acreditar que você vai conseguir. Seja forte, tenha fé e esperança que vai conseguir. E lembre-se, que mesmo sem conhecer você tem alguém que torce, ora por você e tem certeza da vitória. Sinta meu abraço com todo o carinho” – trecho de um das primeiras cartas lidas para uma paciente.

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Uma paciente que recebeu uma dessas cartas fez questão de agradecer e incentivar as pessoas a continuarem mandando suas mensagens de amor:

“Vocês, por favor, continuem mandando essas cartinhas… porque nós que estamos no leito aqui, a dor é tão grande, cada vez que levamos uma agulhada, a dor é tão forte, da enfermidade que estamos tratando aqui. E cada vez que a gente recebe uma carta tão carinhosa como essa, o ânimo da gente renova e a gente quer viver”, disse ela.

Receber uma carta,mesmo que de um desconhecido, aumenta a autoestima dos pacientes nesse momento difícil. Foto: Reprodução.

Receber uma carta,mesmo que de um desconhecido, aumenta a autoestima dos pacientes nesse momento difícil. Foto: Reprodução.

A equipe do projeto relata que, depois de receber as cartas muitos pacientes voltam a comer, apresentam melhoras nos sinais vitais e voltam a lutar por eles mesmos. Segundo Isadora, as mensagens das cartas animam e amenizam a dor. “É indescritível o quanto os pacientes ficam gratos, muitos inclusive fazem questão de responder”, diz.

A primeira cartinha, que deu início ao projeto em meados de fevereiro deste ano, enviada pelo estudante Gabriel Brum, foi para um senhor que estava sozinho no hospital. Desde então já foram 60 cartas entregues aos seus destinatários. Seu Emanuel foi às lágrimas e ele respondeu a mensagem do pequeno amigo.

Seu Emanuel foi às lágrimas e respondeu a mensagem do pequeno amigo Gabriel, que lhe enviara a carta. Foto: Reprodução.

Seu Emanuel foi às lágrimas e respondeu a mensagem do pequeno amigo Gabriel, que lhe enviara a carta. Foto: Reprodução.

Outra paciente, a Patrícia, diagnosticada com esclerose múltipla, estava bastante abalada, sentia dores e vivia muito emotiva. As palavras de um remetente anônimo a tocaram profundamente, a incentivaram e ajudaram a reestruturar sua reação.

A primeira pergunta da paciente ao receber a carta, acompanhada da Bíblia, foi: “mas porque eu?” (veja vídeo abaixo). Segundo Isadora, essa ideia de não se sentir importante, de ter perdido o seu valor também é atingida pelas cartas, que ajudam na recuperação da autoestima dos pacientes.

O início do projeto

O processo de cura para quem está no leito de um hospital muitas vezes tem relação com a força de vontade, com a esperança e com outros fatores que motivam o paciente. Um desses fatores, talvez o mais importante de todos, talvez seja o amor.

O projeto, segundo as irmãs Isadora Carestiato e Victoria, surgiu ao se depararem com um dilema da profissão:

“Quando chegamos na fase do curso em que temos contato com pacientes no hospital foi que nos demos conta de que o tempo com eles era muito curto, muito rápido. Exames atrás de exames, não havia tempo para ouvir o que o paciente sentia, o que estava acontecendo na vida dele”, diz Isadora, que acredita que a futura profissão, além de promover a cura e aliviar dores do corpo, também deve focar nos sofrimentos da alma dos pacientes.

Hoje o projeto tem 150 cartas e você pode ajudar também a levar um estímulo para a cura. Foto: Reprodução.

Hoje o projeto tem 150 cartas e você pode ajudar também a levar um estímulo para a cura. Foto: Reprodução.

Em busca de respostas elas encontraram a filosofia Slow Medicine, no português Medicina sem Pressa, que busca mais tempo para ouvir, conhecer e entender cada paciente, pelas mãos da especialista em clínica médica Tania Brum, professora do curso e membro do Grupo de pesquisa em Bioética e dignidade humana. Assim surgiu a ideia do projeto Ajude com Cartas.

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Quer participar?

Para enviar uma carta que pode mudar a vida de um paciente, basta escrevê-la e remetê-la aos cuidados de Tania Lopes Brum, a preceptora do projeto, na Rua Satiro Garibaldi, 358, Centro, Itaperuna, Rio de Janeiro, no CEP 28300-000.

As cartas são abertas pelos integrantes da Liga, que avaliam o conteúdo e selecionam aquelas que são direcionadas para mulheres, homens ou crianças. Um dos 25 acadêmicos membros do projeto fica então responsável por fazer a leitura da carta. O grupo tem em mãos mais de 150 correspondências que serão direcionadas aos pacientes nas próximas semanas.

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