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Comportamento

Símbolo da cultura negra e da resistência, Sociedade 13 de maio comemora 130 anos

O clube, que nasceu praticamente junto com a abolição da escravidão no país, celebra os anos de resistência e faz planos para se manter vivo

  • PorFlávia Alves, especial para a Gazeta do Povo
  • 13/05/2018 09:00
Alvaro da Silva é o presidente da Sociedade 13 de Maio, fundada em 6 de Junho de 1888, em Curitiba. Foto: Daniel Castellano
Alvaro da Silva é o presidente da Sociedade 13 de Maio, fundada em 6 de Junho de 1888, em Curitiba. Foto: Daniel Castellano| Foto: Gazeta do Povo

“São 130 anos de cultura e resistência”. É assim que o presidente Álvaro da Silva define a história da Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio. Terceiro clube mais antigo ligado às tradições negras do país, a ‘13’, como é conhecida pelos mais “chegados”, é  o principal símbolo negro na Curitiba, que tem uma grande carência de lugares e monumentos que façam referência à cultura e a identidade dos afrodescendentes.

A Sociedade 13 de maio comemora 130 anos de cultura e resistência. Foto: Daniel Castellano.
A Sociedade 13 de maio comemora 130 anos de cultura e resistência. Foto: Daniel Castellano.| Gazeta do Povo

O nascimento da ‘13’ se confunde com o importante fato histórico ocorrido na data que dá nome ao clube, a abolição da escravidão, que completa 130 anos neste domingo. Os registros históricos indicam que a primeira reunião dos sócios ocorreu alguns dias antes da lei 3353, promulgada pela Princesa Isabel.

A data oficial da fundação, apesar no nome, aconteceria em 6 de junho do mesmo ano. “Antigamente costumávamos comemorar na data exata, mas com o passar do tempo unificamos esta celebração com a homenagem à abolição”, explica o presidente.

Apoio ao recém-libertos

A ‘13’ nasceu com um propósito muito determinado: preencher a lacuna deixada pelo Estado brasileiro, de apoiar, acolher e instruir os negros, principalmente os escravos que tinham sido libertados recentemente. O estatuto mais antigo, de 1929, ressalta este caráter militante, quando afirma em seu artigo 7 que a sociedade “não visava somente à festa, mas principalmente dar conta de apoiar as famílias negras em caso de enfermidade ou morte”, conforme citado no texto “Sociedade 13 de Maio: uma estratégia de sobrevivência no pós-abolição” , Monografia apresentada por Fernanda Lucas Santiago como trabalho de conclusão do curso de História da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

A Sociedade 13 de maio comemora 130 anos de cultura e resistência. Foto: Daniel Castellano.
A Sociedade 13 de maio comemora 130 anos de cultura e resistência. Foto: Daniel Castellano.| Gazeta do Povo

A militância, porém, não se traduziu em segregação, já que o clube sempre manteve as portas abertas para todos. “Claro que lá atrás, na década de 1920, 1930, os brancos só entravam com autorização. Mas depois virou uma mistura. Já teve até um japonês na diretoria!”, brinca Álvaro da Silva.

Sobre esta mistura, ele conta que ela foi responsável por agitar o clube nos tempos áureos, quando a gafieira corria solta nos salões da ‘13’ nas décadas de 50 e 60. Nestas “domingueiras” o acesso era liberado ao público, ao contrário dos bailes organizados exclusivamente para as famílias sócias, que eram formais.

“As mulheres vinham de vestido longo, todas arrumadas, não se entrava com qualquer roupa, só com traje completo”, afirma ele, que conheceu o clube nesta época. “Me lembro até hoje da primeira vez na ‘13’, era um aniversário do clube, eu tinha uns 8 anos, me lembro das cadeiras de cinema”, recorda ele, lembrando do pai, Euclides da Silva, de também foi presidente da sociedade por quatro décadas, até o ano de sua morte, em 1995.

Renascimento

perfil de Alvaro da Silva, 68 anos, presidente da Sociedade 13 de Maio, fundada em 6 de Junho de 1888. A sociedade, talvez a prmeira no gênero, reunia os negros da cidade no bairro São Francisco. Na foto comemorações do dia 13 de Maio, dia da libertação dos escravos, na sociedade
perfil de Alvaro da Silva, 68 anos, presidente da Sociedade 13 de Maio, fundada em 6 de Junho de 1888. A sociedade, talvez a prmeira no gênero, reunia os negros da cidade no bairro São Francisco. Na foto comemorações do dia 13 de Maio, dia da libertação dos escravos, na sociedade| Gazeta do Povo

Apesar dos esforços do pai, Álvaro recebeu a presidência em um momento delicado. A sede estava muito deteriorada, precisando de uma reforma urgente, e os bailes e matinês já não davam conta de animar o caixa da sociedade. “Na época lembro que ia muito ao túmulo da Maria Bueno. Fiquei muito no pé dela, pedindo que me desse uma luz”, conta ele, falando sobre a “santinha de Curitiba”, habitué da ‘13’, cuja missa de corpo presente foi realizada no clube, após ter sido assassinada.

Coincidência ou não, logo depois veio a tão pedida luz, uma reforma realizada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) durante a segunda gestão do ex-prefeito Cássio Taniguchi. A intervenção foi como um renascimento para a ’13’, que começou a atrair cada vez mais pessoas interessadas na cultura negra. “Começamos com o samba e o forró, e hoje temos atividades abertas ao público praticamente todos os dias”. Na programação, além do arrasta-pé que já virou tradição, aulas de teatro, dança afro, dança com tambores, capoeira e maracatu são os principais responsáveis por movimentar a casa, localizada no encontro da Rua Desembargador Clotário Portugal com a Alameda Princesa Izabel.

Resistência

Os sócios são poucos, atualmente não passam dos 60, mas entre colaboradores (são mais de cem, segundo o presidente) e frequentadores, o clube vai se segurando. “A resistência sempre foi o nosso ponto forte, senão esta linda história já tinha caído por terra”, diz Álvaro.

perfil de Alvaro da Silva, 68 anos, presidente da Sociedade 13 de Maio, fundada em 6 de Junho de 1888. A sociedade, talvez a prmeira no gênero, reunia os negros da cidade no bairro São Francisco. Na foto comemorações do dia 13 de Maio, dia da libertação dos escravos, na sociedade
perfil de Alvaro da Silva, 68 anos, presidente da Sociedade 13 de Maio, fundada em 6 de Junho de 1888. A sociedade, talvez a prmeira no gênero, reunia os negros da cidade no bairro São Francisco. Na foto comemorações do dia 13 de Maio, dia da libertação dos escravos, na sociedade| Gazeta do Povo

Quando fala de resistência, aliás, não se refere apenas à defesa da cultura negra num estado que teima em jogar para debaixo do tapete esta influência histórica, mas também da sobrevivência em um tempo que não valoriza mais os clubes como antigamente.

Para o futuro, além das aulas de francês voltadas a jovens da periferia, que devem começar a fazer parte do cronograma da ‘13’ em breve, Álvaro espera um maior zelo por parte das autoridades. “Espero que o prefeito possa olhar a ‘13’ olhar com carinho, com vontade de manter esta sociedade neste mesmo lugar. Afinal ela faz parte da nossa história”, anseia Álvaro, que conta que também não deixa de pedir para os que já passaram pela 13, como seu pai e Maria Bueno. “Vai que ela atende novamente, né?”

Programação de aniversário

Para comemorar os 130 anos, a programação da ’13’ para este domingo será especial. Confira:

11h – Missa na Igreja do Rosário (Praça Garibaldi, Centro)

15h – Abertura da casa

15h30 – Roda de Capoeira

16h – Roda de Samba com Maria Navalha

20h – Sessão Solene

20h30 – Samba com o grupo Divina Luz – com presença de Mãe Orminda

22h30 – Forró com Areia Branca

Endereço: Rua Desembargador Clotário Portuga, 274

Preço: até as 19h as atrações são gratuitas, após a casa cobrará entrada de R$ 20.

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