Personal organizers ensinam a exercitar o desapego e a desentulhar a casa

Profissionais explicam todas as etapas da mudança de comportamento e alertam para a importância do envolvimento de toda a família

O closet feminino é o campeão de bagunça, pelo excesso de acessórios e peças. Foto: Bigstock.

Armários, closets e despensas. Quando os três ambientes campeões em acumular bagunça não ficam arrumados de jeito nenhum e não se encontra nada com facilidade (mesmo quando se sabe que tem e que se encontra em algum lugar), pode ser a hora de abrir as portas da casa para a experiência e as caixas organizadoras de personal organizers, profissão recente que está se popularizando agora no Brasil. “A partir do momento que as coisas saem dos eixos, alguém precisa fazer com que a ordem se instale novamente. Muitas vezes o cliente não tem tempo, paciência e conhecimento técnico para resolver o problema de forma definitiva, pois arrumação é diferente de organização. Neste momento entra em cena o personal organizer”, explica Juliana Faria, profissional da YRU Organizer de São Paulo.

Juliana Faria: mãozinha.

Juliana Faria: mãozinha.

Na casa da economista Antonieta Docena, 42 anos, a necessidade do trabalho de uma profissional da arrumação foi sentida no momento em que um cômodo bagunçado, que deveria ser um escritório, mas parecia um depósito. “Era um ambiente que eu não podia chegar perto de tão incomodo que era para mim. Aí eu vi que precisava da ajuda de um profissional”, conta Antonieta.

Antonieta Docente com os filhos Juliana e Lucas: ajuda profissional para organizar o escritório. Foto: Fernando Zequinão / Gazeta do Povo.

Antonieta Docena com os filhos Juliana e Lucas: ajuda profissional para organizar o escritório. Foto: Fernando Zequinão / Gazeta do Povo.

A chegada de Tereza Karam, proprietária da empresa Dica da Tere, de Curitiba, mudou  a rotina e os hábitos na residência da economista. O trabalho da profissional começou por etapas. A primeira foi a avaliação da rotina da cliente e também do cômodo que se precisava fazer a a “intervenção” (que em outra situação poderia ser, por exemplo, os armários ou closets) . “Não se pode apenas aplicar uma metodologia de organização que já existe, deve-se personalizá-la de acordo com as necessidades do cliente”, salienta Tereza. Realizada a avaliação inicial, começa o trabalho de fato, com caixas, etiquetas e tudo que for necessário para deixar o ambiente em ordem.

Tereza Karam: “intervenção”. Foto: Arquivo pessoal.

Tereza Karam: “intervenção”. Foto: Arquivo pessoal.

Mas é preciso lidar também com a questão do desapego. “O maior inimigo da organização é o apego. Acumulamos coisas desnecessárias tendo a ilusão de que precisaremos delas um dia. O fato é que quando precisar não vai saber onde armazenou e então vai adquirir uma nova peça. Por esta razão, toda organização deve começar com um bom descarte. Depois desta etapa será bem mais fácil criar um lugar certo para cada coisa”, ensina Micaela Goés, consultora de organização e apresentadora do programa Santa Ajuda, do GNT, que estreia nova temporada no dia 8 de março (21h30).

Micaela Goés: desapego. Fotos: Divulgação.

Micaela Goés: desapego. Fotos: Divulgação.

Time unido
Para manter a organização, após a consultoria profissional, é necessário que a família toda se envolva. Não pode ficar restrito ao ambiente dos adultos. É possível manter uma casa organizada mesmo com criança em casa. “A Juliana (Ogleari, 8 anos) absorveu os ensinamentos e aplicou no quarto, deixando os brinquedos organizados”, conta a mãe Antonieta. As orientações também devem ser passadas para as funcionárias da casa, completa Tereza.

Assim como os pequenos, avós, pais e outras pessoas que frequentam a casa devem ser orientadas. “ Encerrado o trabalho, é necessário que haja um acompanhamento do profissional. No caso da empresa de Tere, ela leva portfólios com o antes e depois para que tudo fique no lugar.

 

CHECK-LIST

Confira as dicas das personal organizers Tereza Karam, Juliana Faria e Micaela Góes para deixar a casa sempre arrumada:

  • Perfil – Para saber se você precisa de ajuda profissional, faça uma pequena reflexão: há mais coisas do que realmente preciso? Estou acumulando coisas, objetos sem utilidade? E, atenção: um acumulador é diferente de um colecionador: enquanto aquele não entende porque tem tanta coisa, o segundo tem uma noção de arrumação e costuma categorizar suas coleções.
  • Campeões – Fique atento aos seguintes locais que costumam acumular mais bagunça: o closet feminino é o campeão (pelo excesso de acessórios e peças), seguido do escritório (por conta dos documentos), e da despensa (alimentos abertos).
  • Como funciona – O profissional faz uma avaliação do ambiente a ser arrumado. Neste momento ele customizará as ferramentas de organização. Se o cliente é um esportista, por exemplo, não há lógica que os ternos e gravatas ocupem mais espaço no guarda-roupa do as roupas confortáveis.
  • Quanto custa – Por ser uma profissão ainda nova e não regularizada no Brasil, cada profissional tem uma maneira de cobrar pelo seu trabalho. Algumas cobram por projeto, outras por hora, outras por dia e também pelo tamanho de um armário. Mas, normalmente, o custo parte de R$ 600 e pode chegar a R$ 6 mil, sem reformas e compras de objetos.
  • Incorpore – Organização é igual a redução do estresse, ganho de tempo e economia. Para ter organização na vida é necessário adotar alguns hábitos: para cada atividade, preparar os itens necessários para a sua execução; planejar as atividades do dia, da semana, do mês adotando uma lista de prioridades de forma real; – tirou alguma coisa do lugar, coloque de volta. Começou uma ação, finalize.

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