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Há 43 anos, o curitibano escolheu a fotografia para conscientizar as pessoas sobre o meio ambiente. Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo
Há 43 anos, o curitibano escolheu a fotografia para conscientizar as pessoas sobre o meio ambiente. Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo| Foto: Gazeta do Povo

O fotógrafo e ambientalista Ricardo Koch Cavalcanti, de 59 anos, acredita que cada pessoa tem dentro de si uma espécie de “chip”. O dispositivo é ativado apenas em uma situação específica: quando tudo o que cerca o indivíduo é a natureza. Enquanto alguns demoram anos para descobrirem seus efeitos, outros têm a sorte de percebê-los bem cedo.

O curitibano entrou para o segundo grupo ainda na infância graças à sua família. “Meus pais eram marumbinistas”, brinca ele. Zig, como é chamado desde bebê, cresceu em uma casa nos arredores do Pico Marumbi, no Paraná. O verde intenso da mata e o ar úmido da serra paranaense fizeram brotar em seu ser uma sensação de pertencimento que o acompanha até hoje.

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“Sempre tive muito interesse pelo meio ambiente”, conta. Desde criança, foi incentivado a apurar o olhar para cada árvore, pássaro ou montanha que a vista alcançasse. Aos 16 anos, encontrou na fotografia a melhor forma de ter suas paisagens preferidas sempre às mãos. Começou como hobby. Hoje, quatro décadas depois, o nome Zig Koch é unanimidade quando o tema é fotografia de meio ambiente.

Suas lentes já registraram a fauna e a flora de todos os cantos do Brasil e de muitos países pelo mundo. De cliques do jacaré do Parque Barigui às luzes da aurora boreal, seu trabalho rendeu 14 livros e dezenas de premiações.

Foto: Zig Koch / Arquivo Pessoal
Foto: Zig Koch / Arquivo Pessoal| ZIG KOCH

Entre as mais robustas, o título de honra pelo consagrado “Nature’s Best Photography Windland Smith Rice International Awards” (2007) e o prêmio de melhor fotógrafo de vida selvagem do ano pelo Museu de História Natural de Londres, em 2013. No Brasil, suas fotografias integram o acervo permanente do MASP (Museu de Arte de São Paulo) na Coleção Pirelli de Fotografia, edição 17 (2009).

Quem vê a carreira consolidada do curitibano nem imagina que a fotografia foi a segunda escolha de Zig. Antes de viver em meio a rolos de filmes e objetivas (e, depois, arquivos digitais e equipamentos tecnológicos), ele trabalhou durante quatro anos como arquiteto nas áreas de meio ambiente e transporte da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (COMEC).

Foto: Zig Koch / Arquivo Pessoal
Foto: Zig Koch / Arquivo Pessoal

“Eu achava que o planejador urbano poderia ajudar a melhorar o ambiente de todo mundo através de uma visão macro, mas vi que na verdade eu era estagiário de político. Pode ver: muda a política, muda tudo. Todos os projetos são jogados fora assim que entra um novo governo”, critica. Quando percebeu que poderia instigar o interesse de muito mais gente com a fotografia em vez da arquitetura, trocou o escritório pelo ar fresco da natureza.

Na mesma época, engajou-se em diversos movimentos em prol do meio ambiente: ajudou a fundar a Associação de Fotógrafos de Natureza do Brasil, a Afnatura, e até hoje atua ao lado de organizações não governamentais, como a SOS Mata Atlântica, a Biodiversitas e a WWF (World Wildlife Fund).

Gostar para cuidar

O fotógrafo acredita que apenas o afeto é capaz de despertar uma consciência de respeito e preservação do meio ambiente. “A gente só cuida do que a gente gosta. Mas como estimular isso quando a maioria das pessoas não tem o hábito de ficar em contato com a natureza?”, questiona. Ele encontra a resposta toda vez que vê uma faísca nos olhos de alguém que se encanta pelas fotografias de uma montanha, de um rio, de um mar.

“Qualquer pessoa vai se sentir mais gente olhando para uma árvore do que para uma parede. Nós viemos da natureza.”

Foto: Zig Koch / Arquivo Pessoal
Foto: Zig Koch / Arquivo Pessoal

Para incentivar o gosto pela vida natural, Zig organiza anualmente viagens em grupo, cujo destino é sempre um local onde a natureza impera, seja no calor úmido do Pantanal, seja no frio norueguês de -32°C em busca da Aurora Boreal. As chamadas “vivências fotográficas” são aventuras de uma semana onde ele dá dicas de como aperfeiçoar o olhar do indivíduo para transmitir o encanto do “ao vivo” em um clique.

Ele espera que, com estas experiências, possa despertar o sentimento de cuidado coletivo em relação ao meio ambiente. Principalmente, que os registros não se tornem uma lembrança do que não existe mais. Seu exemplo mais próximo é a devastação da mata atlântica no Paraná, testemunhada por seu pai.

Foto: Zig Koch / Arquivo Pessoal
Foto: Zig Koch / Arquivo Pessoal

“Ele conta que, quando voava para o interior [era oficial da reserva no pós Segunda Guerra], havia apenas três locais de pouso possíveis no estado: Curitiba, Guarapuava e Palmas. O resto era tomado por pinheiros. Hoje, temos menos de 1% de floresta que dá para dizer que é virgem”, lamenta o fotógrafo.

“A gente é apenas uma espécie do planeta e está conseguindo acabar com outras”, continua, fazendo referência às constantes notícias de desmatamento e poluição no Brasil e no mundo. “Não existe ser no mundo sem diversidade, seja ela social, de pensamentos, de línguas. É por causa dela que somos ricos. Na natureza, somos apenas uma espécie e, infelizmente, estamos conseguindo fazer isso.

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