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Principal causa de infertilidade nas mulheres, endometriose tem cura

Dores intensas durante os ciclos menstruais são um alerta. Saiba mais sobre essa doença que atinge cerca de 6 milhões de brasileiras

  • Por Marja Nunes
  • 05/09/2017 10:41
Foto: Hugo Harada
Foto: Hugo Harada| Foto:

Caracterizada pela presença do endométrio (revestimento interno do útero) em outras regiões do organismo, a endometriose é a principal causa de infertilidade feminina. Alguns sintomas como dores intensas no período menstrual, durante a relação sexual e até mesmo durante a evacuação são alguns alertas para essa doença silenciosa que atinge cerca de 6 milhões de mulheres no Brasil.

Andréa* só foi saber que tinha endometriose depois do segundo aborto e vários tratamentos para fertilidade. Na terceira vez que engravidou, abortou sem saber que estava esperando um bebê. “Passei por cinco médicos. O último falou que eu deveria parar de lutar contra meu organismo”, relata. “A remoção da endometriose gerou uma expectativa e uma frustração tão grande em mim e no meu marido, que uma conhecida nossa acabou de passar pelo mesmo procedimento e não tive coragem de contar a ela sobre o meu caso”, relata Andréa, que optou partir para a adoção e realizar seu sonho de ser mãe.

Assim como Andréa, outras mulheres são diagnosticadas com essa doença todos os dias. Em países desenvolvidos, a endometriose está entre as principais causas de hospitalização ginecológica. No Brasil, um levantamento realizado em 2012 estimou que, naquele ano, foram gastos R$ 183,2 bilhões no tratamento da doença e de seus sintomas.

Investigação e descoberta

A médica radiologista Ana Paula Minguetti, que faz procedimentos de investigação de endometriose no CETAC, fala que um dos maiores entraves para o tratamento é o tempo para se chegar ao diagnóstico preciso. Segundo ela, pode demorar em média sete anos até que a paciente descubra a doença. A médica ainda alerta que a endometriose pode aparecer em outros órgãos do corpo e não apenas no aparelho reprodutivo. “Pode se manifestar no intestino e na bexiga também ”, diz.

Um estudo realizado na Escócia trouxe dados alarmantes: mulheres com endometriose apresentaram risco 76% maior de sofrer aborto espontâneo. Além disso, a chance de desenvolver o feto fora do útero quase triplicou naquele país. Essas duas situações foram vivenciadas por Andréa*, que mesmo 17 anos depois da descoberta da endometriose ainda evita tocar no assunto e só concordou em resgatar a história com a condição de que o seu nome não fosse divulgado.

Assista o vídeo e saiba como identificar a doença:

Tratamento e cura

De acordo com o ginecologista e obstetra Wagner Barbosa Dias, da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, a endometriose pode aparecer em qualquer momento durante a fase reprodutiva das mulheres. Os recursos mais adotados e confiáveis para se fazer o diagnóstico correto são exames de imagem. Após as suspeitas clínicas, o primeiro passo, explica ele, é ecografia endovaginal, que pode ser associada à ressonância magnética. Dependendo da gravidade, a paciente pode passar pelo procedimento cirúrgico.

Depois de vários anos tentando engravidar e suspeitando de problemas decorrentes de ovários policísticos, a engenheira florestal Renata Souza, hoje com 42 anos, resolveu recorrer a um médico especialista em fertilidade para realizar o sonho de ser mãe. Aos 39 anos, ela se submeteu a uma série de exames e foi então que descobriu a endometriose presente nas trompas. Ela confessa que a descoberta foi uma surpresa, pois a doença já estava em estágio bem avançado. “Nas ecografias, a endometriose não aparecia. Mas como eu sentia dor durante a relação sexual, o médico pediu exames mais específicos e foi aí que descobrimos o problema”, relembra a engenheira, que há pouco mais de dois meses se tornou mãe da pequena Luiza.

Renata Souza com sua filha Luiza, hoje com 3 meses. Foram 3 anos entre a descoberta da doença, tratamento e a gravidez.
Renata Souza com sua filha Luiza, hoje com 3 meses. Foram 3 anos entre a descoberta da doença, tratamento e a gravidez.

 

A história é muito parecida com a da gerente de marketing e produto Laline Noschang Verardi, 46, hoje mãe de Alice, com 5 anos. Para ela, foram mais de três anos na expectativa de que o exame de sangue desse positivo, inclusive com tratamentos hormonais. Como isso não acontecia, ela resolveu buscar as causas do problema. Já no terceiro médico, o segundo especialista em reprodução, ela descobriu que, além de endometriose, também tinha trombofilia – um aumento da coagulação do sangue e que predispõe o paciente à trombose, o que significa um risco a mais durante a gestação.

Aos 41 anos e depois de uma inseminação artificial e uma fertilização in vitro que não tiveram sucesso, Laline descobriu que estava grávida, e de forma natural. “Eu sempre confiei que tudo ia dar certo. A Alice é o símbolo de uma vitória”, afirma.

Alice, hoje com 5 anos, veio de uma gravidez natural após sua mãe tratar a endometriose e a trombofilia por mais de 3 anos.
Alice, hoje com 5 anos, veio de uma gravidez natural após sua mãe tratar a endometriose e a trombofilia por mais de 3 anos.
Laline Verardi, mãe de Alice, havia tentado engravidar com inseminação artificial e tratamentos hormonais.  Foi só após diversas tentativas que descobriu a endometriose.
Laline Verardi, mãe de Alice, havia tentado engravidar com inseminação artificial e tratamentos hormonais. Foi só após diversas tentativas que descobriu a endometriose.

 

*Andréa foi um nome fictício usado para esta matéria. A personagem optou por não se identificar.

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